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Camboja

A aventura de morar no Camboja

Moro no Camboja há dois anos, e posso dizer que têm sido dois anos de muita aventura e aprendizado. Moro em Siem Riep, cidade turística, e bem mais do que Pnohn Phen, capital do país, que tem aproximadamente 15 milhões de habitantes.

Siem Riep, apesar de ser uma cidade pequena, é muito frequentada por turistas o ano todo, por conta do imponente Angkor Wat, um templo feito todo de pedra, e com uma vegetação maravilhosa – com raízes de árvores enormes, onde a atriz Angelina Jolie gravou o filme Tomb Raider, tornando-o assim ainda mais famoso.

Sempre gostei muito da Ásia e por causa do trabalho acabei vindo morar no Camboja, um lugar onde não se precisa de capacete para andar de moto, mas para andar de caminhão, rsrs.

O país passou por uma guerra civil no regime do Khmer vermelho e hoje ainda teme outro massacre, tão grande como o primeiro. Leia mais aqui.

Conviver com os cambojanos tem suas particularidades, mas claro, para mim, é empolgante. Nos dias de hoje, ver uma criança se levantar quando um adulto chega para cumprimentá-la e só se pronunciar com autorização , ou um professor dominar uma sala de aula com 70, 80 alunos é tão diferente da realidade no Brasil!

E para falar um pouco sobre segurança, aqui, como em muitos países da Ásia, podemos sair de casa tranquilamente sem sermos assaltados na primeira esquina. É muito comum sair e deixar a minha casa  completamente aberta – foi difícil me acostumar, mas agora já saio sem medo.

O clima é tropical, muito parecido com o do Brasil, úmido, e no inverno a temperatura não cai muito. O mínimo é de 18º C, que para um cambojano é o suficiente para usar mais blusas e cachecóis ainda – levando-se em conta que usam sempre, não importa quão quente esteja. Fazem isso para proteger a pele do sol, o que realmente ajuda muito, principalmente para os de pele clara, não muito comum entre eles. Na verdade, não gostam do tom de pele que têm porque são bem morenos, e muitos usam cremes para tentar clarear a pele.  Sempre e, por mais que eu diga para as mulheres que elas são lindas, elas dizem: “mas não sou branca”.

Morar fora do nosso país é sempre um desafio que precisamos vencer todos os dias e eu amo viver aqui e adoro a comida à base de arroz e vegetais.

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Uma curiosidade: não sei por que e na verdade nem os cambojanos sabem, mas aqui não há vaca leiteira, o leite é importado de vários países vizinhos, Vietnã, Tailândia e muitos outros, como  China, Coréia, Austrália e França.  Devido a isso o leite, claro,  é caro. Quase não se come carne vermelha, mas o frango e o peixe são campeões para o paladar do cambojano, nos mercados achamos todos os tipos e tamanhos, sem contar com alguns bichinhos como grilo, escorpião, cobra e por aí vai…

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A comunicação para quem fala inglês é fácil, pois existem várias organizações que ensinam o idioma e grande parte da população também fala, até porque, como já mencionei, por aqui temos turistas do mundo todo, durante o ano inteiro.

O transito é desorganizado, segundo a minha ótica; podemos falar ao celular enquanto dirigimos qualquer automóvel e é possível encontrar motos com até quatro pessoas e sem capacete, sem contar os bebês, que são colocados nas cestinhas das motos e bicicletas, e então você pergunta: “e as leis de transito não existem?” Sim, elas existem no papel e nas vésperas de feriados, que são muitos (e eu que pensava que o Brasil tinha muitos feriados), e alguns de até dez dias! E é sempre nos feriados que se vê a polícia cumprindo a lei.

O tratamento para estrangeiros é diferenciado: “Me dá U$ 5,00 ou eu te multo”, ainda que estejamos certos, eles encontrarão um motivo para nos multar… meu amigo não quis dar os cinco dólares e levou uma multa porque o carro estava sujo. Embora eu não tenha passado pela experiência, esse é um dos motivos que me irritam, e ando muito de bicicleta, assim não há motivos para me multarem, já que eles nem ligam para as bicicletas, que são vistas em grande quantidade, em Siem Riep.

Aqui existe Hard Rock Café, mas pouco frequentado pela população, afinal a maioria dos trabalhadores recebem menos de cem dólares por mês. Há uma grande variedade de restaurantes e sanduicherias, o Burger King abriu há pouco tempo, e não tem Mc Donald’s. Encontro comida coreana, japonesa, chinesa, australiana, mexicana, indiana e, claro a comida cambojana.

Também consigo com facilidade sacar dinheiro e,  apesar de ter sua própria moeda –  o Riel é super desvalorizado. 4000,00 rieis = U$ 1,00 – , nos supermercados ,os preços aparecem apenas em dólar e, mesmo nos mercados cambojanos, é fácil negociar sem a moeda local.

Vale a pena viver aqui? Sim, muito.  Dificuldades? Claro, mas cada vez mais fácil de resolver, acabamos nos adaptando a tudo, até a conversar sem entender o que estão falando.

Jump reaplia! Bye Bye

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7 comentários

Dedé Lace Fevereiro 3, 2016 at 5:49 pm

Lindo Eliane!!
Fiz um passeio com você……. Parabéns.
Bjks

Resposta
Lorrane Fevereiro 9, 2016 at 7:07 pm

Eliane,

que bom saber que temos uma brasileira por aí. Adorei o texto e estou super curiosa para ler os próximos.

Grande abraço.

Lorrane

Resposta
Alice Castillo Setembro 16, 2016 at 12:39 pm

Meu marido recebeu um convite, estou com um pouco de ede, temos Lyssa de 4 anos. Podemos conversar mais?

Resposta
Alice Castillo Outubro 7, 2016 at 4:48 am

Olá, meu marido está considerando se mudar pra capital do país comigo e minha fiha de 4 anos. Você poderia me responder algumas dúvidas por favor?

Resposta
Juliana Fevereiro 23, 2017 at 1:37 am

Que legal Elaine, eu também sou de Goiânia e tenho 20 anos, meu sonho é viver uma vida praticamente com os mesmos intuitos que você está levando, viajar e ser voluntária em alguma ONG, dar sentido a minha vida e fazer algo bom para o próximo… sem contar que o brasil está cada vez pior, não vejo mais solução em morar aqui apenas viver presa em busca de dinheiro e não poder ter nada.

Resposta
Leandro Henrique Fevereiro 16, 2018 at 3:17 pm

Olá
Gostaria de saber mais…
estamos com coração muito voltado, para ONG. .
Podemos manter contato
[email protected]

Resposta
Liliane Oliveira Fevereiro 16, 2018 at 4:43 pm

Olá Leandro,
A Elaine Costa parou de colaborar conosco e, infelizmente, não temos outra colunista morando no país.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta

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