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Berlim e seu jeito de abrir a cabeça de todos

Berlim e seu jeito de abrir a cabeça de todos.
Como já falei em textos anteriores, eu me mudei para Berlim há 7 meses e fechei 2 anos de Alemanha agora em abril, o que para mim ainda é muito louco.
Mas não vim falar de tempo, e sim de momentos, do agora, de Berlim, do quanto eu AMO essa cidade e tudo que ela traz e tudo o que faz com as pessoas.
Vamos simbora comigo?
Então, eu brinco que quando mudamos para Hamburgo, não foi a gente que escolheu a cidade, e sim que Hamburgo que nos escolheu, e fomos muito felizes por 1 ano e meio lá, mas Berlim, ahhhh Berlim, essa sim foi diferente. A gente que quis morar aqui, a gente que buscou, a gente que foi atrás, portanto a gente quis muito estar aqui.
Desde a primeira vez que vim a Berlim turistar, eu senti uma coisa diferente na cidade, uma atmosfera que não sabia bem explicar, uma coisa nas pessoas, em tudo. Eu fiz um vídeo há muuuuito tempo no meu canal do Youtube falando sobre isso, inclusive, sobre o quão Berlim é diferente.
Se olhar com olhos turísticos, talvez ela seja somente mais uma cidade, com pontos turísticos famosos, lindos, muitos parques, vida noturna agitada, gente de todo lugar do mundo. Mas se olhar mais de perto, dá pra enxergar que Berlim é uma cidade livre, das pessoas, e QUE pessoas, gente de todos os estilos, tamanhos, cores, raças, credos, crenças, formatos, sexos, não sexos, livres, recatadas, e todo mundo vive e convive em um mesmo espaço. Berlim é perfeito? Longe disso, é uma cidade com problemas e defeitos como qualquer outra cidade grande e capital. Mas Berlim faz cada dia a gente se sentir mais berlinense. EU VOU TENTAR EXPLICAR MELHOR, prometo.
Do começo, na primeira vez que viemos a Berlim morávamos em Hamburgo e viemos passar o final de semana somente, eu, meu marido e dona Nina, nossa filha de 4 patas. Ficamos hospedados em um hotel e conseguimos turistar legal por quase toda a cidade em dois dias. Amei tudo, a Dom (Catedral de Berlim), o Spree (rio que corta a cidade toda), a Ilha dos Museus, Alexanderplatz, o Muro de Berlim com seus grafites no East Side Gallery, Kreuzberg e seus falafels e kebabs e por aí vai… Achei a cidade lindona, mas linda por linda Hamburgo também era. O que me pegou mesmo foi um episódio que aconteceu no hotel onde estávamos.

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No ultimo dia, no café da manhã, quando íamos fazer o check-out , umas 8h da matina, me deparei com uma mulher, loira, bem arrumada, bonitona e TODA VESTIDA DE LÁTEX, indo tomar seu café, normalmente, óbvio. Eu, brasileira, gaúcha, cheia de tabus, que achava que era desprovida de qualquer preconceito me vi estática, fiquei chocada com aquilo. Como assim ela em plena luz do dia vestida com um macacão de látex, botas rosas e tomando seu café como se nada tivesse acontecendo? Lembro a sensação que tive, foi perturbador e transformador. Eu fiquei horas digerindo aquilo, pode parecer engraçado, piada, mas nesse momento eu vi Berlim como ela é. Uma cidade em que as pessoas podem ser o que quiserem, se vestirem da forma que quiserem e irem aonde elas quiserem e NINGUÉM TEM NADA A VER COM ISSO, logicamente, desde que não invada o espaço de ninguém. Eu conto essa história pra todo mundo, uns riem, outros ficam chocados e muitos acham normal e falam: logo tu, Marcela? Que é tão cabeça aberta? POIS É, EU QUE SOU TÃO CABEÇA ABERTA tive que vir morar em Berlim para ver que na verdade eu era cheia de tabus nada a ver com coisas que não conhecia, e tudo bem, sabe?
Mas cada dia que passa, que saio na rua e vejo tanta gente vivendo suas vidas de uma maneira tão livre, eu aprendo e me solto das minhas amarras e dos meus tabus. Um outro exemplo, e esse sei que muitas já escrevem por aqui, é sobre a nudez. A gente acha que brasileiro que é solto, que anda peladão na praia, QUE NADA, alemão mesmo é que não vê o corpo como objeto sexual e sai por aí pelados nos parques, na sauna e onde der vontade. E sabe o que mais? TUDO BEM TAMBÉM! Eu aprendo a cada dia aqui a respeitar mais e mais as pessoas, o gosto de cada um, as escolhas, o jeito e entender que eu apenas tenho que aceitar, não concordar o achar bonito algumas coisas, mas aceitar, sabe? Qual o problema de a mulher estar vestida de Mulher-Gato às 8 da matina tomando seu café? NENHUM, eu que fiquei chocada à toa. E hoje não fico mais. Mentirinha, às vezes ainda fico, porque Berlim te surpreende dia após dia.

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Esses dias houve outro episódio. Eu tava andando no Tiergartem (maior parque da cidade) de bicicleta, voltando do meu curso de alemão (já tinham acontecido várias coisas loucas por lá, choques de cultura magníficos para nenhum roteirista da Netflix botar defeito, mas isso eu deixo pra outro texto). Pois bem, lá estou eu na minha bike bem felizinha quando me deparo com uma mulher vestida de vaca às 15h da tarde, tomando um café (WTF?).
Sim, e eu que já estava calejada dessa Berlim maluca e maravilhosa, apenas sorri, balancei a cabeça e segui minha vida. Sem nenhum choque, apenas agradecendo por estar em um lugar onde a diversidade não precisa ser discutida com tanta frequência, porque as pessoas vivem e aplicam isso diariamente. Eu citei histórias “engraçadinhas” para vocês verem de uma forma lúdica mesmo como Berlim é, pois se aprofundar poderíamos ir longe falando dela (não que eu não goste, porque eu AMO observar, analisar e aprender sempre com essa cidade). Berlim, obrigada por todos os ensinamentos mais malucos que eu nunca pensei em ter na vida, espero me tornar cada vez mais uma pessoa livre e leve e viver aqui por muito tempo. Tu é uma GRANDE cidade, continue assim. Nos vemos por aqui. #euamoberlim

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