Casei com um gringo, e agora?

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Churrasco com amigos de infância
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Casei com um gringo, e agora?

Esse artigo vai inspirado nas minhas últimas férias no Brasil, em fevereiro/março 2017.

Dessa vez fomos para ficar só duas semanas, e demos muita “sorte” porque o clima estava ameno (com exceção de um dia de 41°C que pegamos em Sorocaba), e choveu um tanto bom, principalmente na semana que estivemos com meu pai, na minha cidade natal, Uberlândia. Imaginem, chegamos a pegar 15°C em Campos do Jordão!!! O gringo aqui se sentiu em casa.

Seguindo o País de Gales A – Z, o tópico desse mês é “F de Família”. Pensei em fazer uma comparação entre a estrutura familiar aqui no Reino Unido com a brasileira, mas o tema é tão amplo, e as estruturas familiares podem ser tão diferentes, que achei melhor escrever um artigo mais prático e pessoal.

Só uma observaçãozinha antes de continuar: nesse artigo (assim como no meu dia-a-dia quando falo do – e com – o maridão), eu uso a palavra “gringo” no sentido mais carinhoso possível, ok? Então vamos lá.

Quando a gente se casa com um estrangeiro, além da bagagem pessoal do esposo(a) que a gente agrega à nossa própria, a gente tem de arrumar um espaço na mala da nossa vida e do nosso relacionamento, para a bagagem cultural também. Às vezes é uma cultura mais ou menos parecida, às vezes é totalmente diferente. E aí, como é que a gente faz?

Antes de me casar com o “meu gringo”, ele já havia visitado o Brasil e conhecido minha família. Minhas irmãs e alguns primos falam inglês, meu pai fala um tiquinho, mas que dá certo quando a conversa é futebol e cerveja, e minha mãe (que já não está mais com a gente) nunca pôde ter uma conversa de verdade com ele, porque o inglês dela era igual o português dele: quase nada. Hoje me arrependo muito. Sou professora, dei aulas de português particular aqui por um ano… mas sabe aquela coisa de “casa de ferreiro, espeto de pau”? Pois é. Isso mesmo.

Leia também: curiosidades sobre o País de Gales

Eu amo minha família mais do que tudo nesse mundo, e o marido também é família né, e é com ele que eu vou ter de voltar pra casa e viver pro resto da vida, certo? Pra que é que eu vou querer ele aborrecido? Eu hein, de jeito nenhum! Hehe. Mesmo assim, se você mora em um país frio, ou de cultura muito diferente, vale a pena pensar nessas coisas quando visitar o Brasil com seu amor.  

Mas voltando à pergunta criadora deste artigo: “Me casei com um gringo, e agora?” O que a gente faz quando se casa com um estrangeiro que não fala português? Como enturmá-lo quando a maioria da sua família e amigos não falam inglês? O que fazer para que sua cara metade se sinta à vontade e o mais confortável possível? Como evitar que ele(a) fique entediado, aborrecido e se sentindo isolado? Aqui vão algumas dicas, coisas simples, mas que fazem toda a diferença, e que vão fazer seu amor ser eternamente grato (pense nos abraços e beijos extras que você vai ganhar!). Ah, todas essas dicas foram testadas e aprovadas, nos nossos 12 anos de relacionamento. Anotem aí! 

1.O calor. Gente do céu, o calor do Brasil. Aqui no País de Gales, a gente geralmente brinca que nosso verão dura uma semana; um dia chega a 30°C, os outros ficam em torno de 23 a 25; e raramente temos o termômetro marcando 28°C. No Brasil, na minha cidade natal, Uberlândia, no inverno chega a 35°C! Phew! Não há gringo de país frio que aguente! Não tem ar condicionado na casa onde vão ficar? Veja com seu anfitrião a possibilidade de arrumar um ventilador. Pode ser pequeno, mas que você possa deixar no quarto na hora de dormir.

2.Com o calor, vem os pernilongos. Antes era a dengue, depois veio o zika vírus, e esse ano (2017) é da febre amarela. Tudo bem que não e em todo lugar, mas não custa prevenir, certo? Procure seu médico e peça a vacina antes de viajar. E em todo caso, claro, “besunte” seu amor de repelente! Principalmente se for para a beira da represa, ou praia. Esses danadinhos não perdoam, e o seu pôr do sol romântico, poderá virar um coça-coça sem fim, e suas pernas ficarão cheias de calombos de picadas.

3.Pergunte o que seu/sua partner gostaria de fazer. Às vezes, todas as combinações de programas acontecem em português, e na pressa de acertar os detalhes (ou preguiça de traduzi-los – culpada!), o/a pobre coitado/a é sempre o/a último/a a saber!

4.Procure saber dele/a se tem alguém que ele/a nao “topa”. Imagina só seu amor ficar sozinho com aquele seu tio que fala super bem inglês, mas que ele acha um chato de galocha? Lembre-se: ninguém é obrigado a gostar de ninguém.

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5.“Dê um desconto.” Releve e entenda se ele/a reclamar um pouquinho. Vou dar um exemplo: o meu marido cresceu numa casa pequena, com os pais e mais 4 irmãos. Até aí tudo bem; ele sabe o que é morar numa casa com um “tantinho bom” de gente. Só que aqui, não se visita a família por vários dias, quando uma “penca” de gente dorme espalhada em colchões pela sala. (pelo menos nunca vi isso na família dele. Por favor, me corrijam se eu estiver errada.) Pra mim, isso sempre foi mais do que normal. Eu passava as férias com minhas primas de Sao Paulo, e a gente se amontoava em colchões no chão da sala da casa dos meus pais. E a gente achava o máximo! Ainda hoje, quando visito a família, é sempre no “coração/casa de mãe/irmã/pai” sempre cabe mais um. A gente quer ficar tudo junto. E nessa de ficar tudo junto, seu amor pode se sentir desconfortável, e sem privacidade. E não importa o quanto os anfitriões são maravilhosos e fazem tudo por vocês (minhas irmãs e meu pai são ótimos!!!), entenda que não é a casa dele/a. O que fazer? Saia pra dar uma volta. Vá à piscina, um parque próximo, ao shopping center. Ou então, caso vocês não tenham um quartinho só pra vocês, peça ao seu anfitrião para que seu amor possa usar um quarto vazio por um tempo. Ah, não se esqueça de dar um toque no seu anfitrião e explicar que não é nada pessoal.

6.Apresente seu amor a seus amigos. Se pelo menos um deles falar inglês, já é uma maravilha (a não ser que ele seja um chato de galocha – ver dica número 4. Haha) Se não, o enturme mesmo assim, e deixe que seus amigos matem a curiosidade sobre como é viver fora. E você? Vira tradutora/intérprete, ué. O importante é ficar todos juntos!

E não é que o gringo enturmou?

Sentido horário: Prima e nós; minhas irmãs e nós; grande amiga e nós; outra grande amiga com seu bebê e nós; papai e maridão se entendendo.

E o seu amor, é estrangeiro/a? De onde? Você tem alguma dica para quando visita o Brasil? Deixe sua dica nos comentários.

 

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Daniela é nascida e “crescida” em Uberlândia, MG, e já quis ser muitas coisas na vida: arqueóloga, médica legista, diplomata, advogada penal... Se formou professora de inglês. Viveu em Napoli, Itália, e depois de um ano por lá, “fincou raízes” no País de Gales, com o marido galês, em 2009. Se apaixonou pelo país “adotivo”, pelas oportunidades de aprendizado e pela recepção calorosa dos galeses. Em Cardiff, capital do país, fez mestrado em Inglês e Escrita Criativa. Hoje trabalha na Cardiff University e dá aulas de inglês via Skype. Publicou seu primeiro livro, Loveandpizza.it, em 2016 e adora coisas simples: viajar, cachorros, praia, chocolate, ler (principalmente chick lit e crime), fotografia, castelos, história medieval, tudo sobre reis e rainhas e acredita que música espanta qualquer tristeza. Morre de saudade da família e dos amigos que deixou no Brasil, mas diz que só sai do País de Gales se for para morar na Itália, na beira do mar.

6 Comentários

  1. Oi, Daniela, adoro seus textos. Obrigada por compartilhar suas experiências conosco! Meu gringo é da Eslováquia, acredita? Antes de conhecê-lo eu nunca tinha parado para pensar no País rs. Minha dica, especialmente se for a primeira vez do gringo no Brasil, é orientá-lo quanto aos cumprimentos (não se assustar com beijinhos e abraços), ao volume da conversa (reuniões de famílias brasileiras tendem a ser barulhentas e isso pode assustar quem vem de culturas que valorizam o silêncio) e ao tipo de comida que será servida (uma pessoa que nunca viu uma feijoada na vida pode estranhar o aspecto do prato, mesmo que depois ame o sabor). Além disso, gosto sempre de falar antecipadamente sobre todos os amigos/parentes que visitaremos, já vou dando nomes, detalhes sobre idade, profissão etc. Assim, quando os conhece, meu gringo não fica tão perdido, além de conseguir pensar em alguns tópicos para conversas com mais facilidade. São pequenos cuidados, mas que fazem toda a diferença. Bjs e até a próxima!

    • Oi, Samantha!
      Que legal! Obrigada pelo carinho! Às vezes acho que meus textos ficam meio às moscas por aqui, porque o País de Gales não é muito conhecido. hehe
      Então, essas coisas são muito importantes mesmo… Me lembro de uma estoria engracada que aconteceu com meu marido, quando nos dois eramos “gringos” na Italia. Nosso chefe era italiano, e quando o conhecemos (e todas as outras vezes que nos encontramos) ele deu dois beijinhos no meu marido. Pra mim também foi uma surpresa, mas o maridão levou numa boa.

      O seu gringo fala português? O meu fala pouquissimo, o que dificulta um pouco as conversas.
      Beijos.
      Dani.

  2. Nossaaa aconteceu uma situação semelhante comigo sobre o número cinco !! Eu planejando visitar meu love no UK e meus pais vão junto, e ele diz que só pode receber a mim, mas seria melhor conseguir um hotel pros meus pais senão a casa ficaria cheia … e eu não conseguindo entender por que simplesmente meus pais não podem ficar na casa num colchão na sala, e conversando melhor, ele diz que isso não é costume deles ! O que pra mim uma coisa tão natural …
    Mas enfim, gostei do texto, super bem escrito e dicas ótimas pra ajudar o meu love hehe ! Tdb

    • Oi Isabela, tudo bem?
      Obrigada pelo comentário. É verdade, aqui não é comum de ficar “esparramado” na casa das pessoas, como a gente faz aí no Brasil. São as pequenas diferenças culturais que fazem toda a diferença, né? 😉

      Abraço,
      Dani

  3. Gostei demais do seu texto! Parabéns! Meu amor está para vir pela primeira vez ao Brasil em maio! E só quero ver como vai ser isso! Hahahaha minha mãe era surtando com a minha mudança pra lá (Finlândia) e a festa de noivado/despedida/boas vindas tudo junto!!!
    Vao ser 3 semanas intensas.

  4. O meu gringo aprendeu português, não teve escolha : estava no contrato de casamento ;-). Respeito seu carinho com seu marido. Mas no meu caso, fiz o contrário. Desde o 1ro ano, deixei bem claeo q se vivi um ano me adaptando a familia, lingua, amigos e pais dele, ele poderia se adapta, entendiar e se divertir da minha maneira e por mim. Viver fora é barra, e az ferias no Brasil são muito mais importantes pra mim. É o meu momento. Agora ele entende quase tudo, minha familia o adora e ele pode se virar sozinha. 🙂

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