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Natal no Alasca

O Alasca é imenso e cheio de contrastes: de grandes cidades à vilas que só se tem acesso por avião ou trenó; de florestas chuvosas e sem neve à áreas de tundra e extremo frio onde não existem árvores. Hoje o assunto é sobre o Natal no Alasca!

Quando pensei nessa diversidade resolvi perguntar aos meus amigos Alaskanos por curiosidades do Natal. As respostas foram incríveis, da certeza de ter um Natal Branco à certeza de nunca ter um Natal Branco. Passei dias ouvindo histórias e pedaços de memórias.

Para muitos o Natal representa o retorno da luz do dia. Aqui no Alasca estamos tão ao norte que nos meses de inverno quase não temos luz solar, só algumas horas. Mais ao norte, na região do círculo polar ártico, é noite constante por meses. No meu caso aqui em Talkeetna, temos 4 horas de dia durante o Natal. No Solstício de inverno, 21 de Dezembro, é quando começamos a acrescentar luz solar, de segundo a segundos e minuto a minutos, até chegarmos ao verão quando é dia o dia todo.

Deixar biscoitinhos e leite para o Papai Noel na noite de Natal é muito comum. Aqui também deixamos cenouras, purpurina, aveia e cevada para as renas do trenó do lado de casa. As vezes temos que limpar a neve do telhado para que o trenó tenha um lugar para pousar e o Papai Noel possa andar com os nossos presentes sem escorregar.

As comunidades mais distantes e sem acesso por estradas comemoram o Natal com a visita do Papai Noel, entre o final de novembro e o Natal. A Força Aérea tem uma missão especial de levar o Natal, ou seja o Papai Noel e os brinquedos para esses lugares. Da pista de pouso, que muitas vezes nem é aeroporto, o Papai Noel segue de trenó puxado à cachorro até o centro da vila. De lá se faz uma parada, terminando com o encontro de toda a população no centro comunitário onde o Papai Noel distribui os presentes e são cantadas canções de Natal seguidas por um jantar.

Aqui podemos visitar o bom velhinho o ano inteiro. North Pole (Polo Norte) realmente existe. Lá temos a casa do Noel, as renas, loja de brinquedos e o espírito natalino 365 dias por ano. Interessante é que é possível morar ao norte do North Pole, que fica ao sul de Fairbanks e milhas ao sul do círculo polar ártico.

As decorações com luzes de Natal normalmente ficam acesas de Novembro até Março, devido a escuridão, gostamos de iluminar o inverno. E é muito mais fácil decorar as árvores do lado de fora das casas quando não temos neve empilhada por metros ao nosso redor. Por causa do frio não retiramos as decorações, e continuamos aproveitando as luzes. Por essa razão foi criada uma outra tradição, de só apagarmos as luzes de Natal quando o último participante da Iditarod (corrida de trenós puxados por cachorros) chega ao final da corrida em Nome.

Com todas as decorações de natal espalhadas por aí, sempre vemos em Anchorage, onde a população de alces é grande, estes circulando pelas ruas com luzinhas de natal enroscadas nos chifres.

Comunidade é a coisa mais importante para os Alaskanos. Aqui aprendemos cedo que temos que estar sempre a disposição para ajudarmos uns aos outros. A maioria das nossas famílias não se encontram no Alaska, aqui criamos outras famílias de desconhecidos que não tem com quem passar o Natal. Sempre temos lugar para mais um na nossa mesa.

Se você estiver em Talkeetna e não tiver aonde ir, pode contar com a histórica Talkeetna Roadhouse, uma mistura de restaurante e hospedaria, que todos os anos abre suas portas para um jantar de Natal, em que cada pessoa traz um prato para dividir e todos compartilham de boa companhia.

No humor negro do Alasca não é estranho servir rena na ceia de Natal, mas muito mais comum é servirmos caranguejo gigante. Como nunca sabemos se ficaremos sem luz ou não no meio dos preparativos do jantar, temos que ter também um outro cardápio para essa possibilidade, sendo que a maioria dos fogões são elétricos.

E se a ideia é se vestir bem para o Natal isso significa carregar os sapatos para o local e lá trocar as suas “Bunny Boots” pelos sapatos de festa.

Na maioria do Alaska é crueldade dar bicicletas de presente de Natal para as crianças, que só poderão usá-las depois de abril ou mesmos maio, quando a Primavera chega e a neve derrete.

As árvores de Natal do Alasca não são compradas. Vamos a floresta a procura da melhor árvore possível, cortamos e carregamos para dentro de casa. Ai começa a aventura e a farra de decorá-la. Normalmente no dia seguinte depois de
decorada, a árvore descongela e começa a perder todas as agulhas do pinheiro, dai para frente chegará ao estágio de ser chamada de Charlie Brown, como o personagem do desenho animado que quase não tem cabelo. No ano passado achei agulhas do meu pinheiro por meses.

Para mim, o Natal é sempre especial aqui porque passo com amigos (minha família por escolha) e a minha pequena família (meu filho), celebrando amor e união entre as pessoas. Frio lá fora e a casa quentinha, cheirando a biscoitos fresquinhos tirados do forno. Luzes iluminando as árvores, e o céu se iluminando com as auroras boreais.

Esse é o momento que sei que sou feliz e estou no lugar que adoro.

Feliz Natal!

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21 comentários

ritadorneles Dezembro 4, 2014 at 12:44 pm

WOW…. me deu uma vontade danada de passar um Natal no Alaska! 🙂 Que delicia de texto Dora….. Adorei ….

Beijos e Merry Christmas to you 🙂

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Dora Miller Janeiro 21, 2015 at 10:24 pm

Obrigada Rita. Beijos

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Camila Pimenta Dezembro 4, 2014 at 1:46 pm

Adorei ler sobre o natal no Alaska, Dora!
Muito obrigada por compartilhar conosco.
Ah, e seja bem vinda ao Grupo dos Brasileiras pelo Mundo. 🙂
Abraços.

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Dora Miller Janeiro 21, 2015 at 10:25 pm

Muito obrigada Camila!

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Angela S Dezembro 4, 2014 at 4:27 pm

Que alegria de ler esse artigo! Guardo lembranças muito boas do tempo que moramos em Anchorage, entre 2010 e 2011, e das nossas visitas à linda cidade de Talkeetna, uma das minhas cidades favoritas do Alasca. Pena que na época eu não soubesse que tinha uma brasileira morando ai, ai senão eu a teria procurado. Muitas saudades dessa cidade tão fofa, da natureza maravilhosa, do ambiente e comida deliciosos do Talkeetna Roadhouse também. Um grande abraço para você adora, e um Feliz Natal!

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Cleo Vassiliou Dezembro 4, 2014 at 10:11 pm

WOW!
Dora, A-D-O-R-E-I seu texto. Estou convencida que o Papai Noel existe e que o trenó também é verdadeiro. Inclusive me parece que o Alaska é outro mundo e com jeito único para celebrar o Natal. Moro em Tucson, AZ e aqui as celebrações são bem diferentes.

Beijos

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Angel Dezembro 4, 2014 at 10:25 pm

Parabens Dora! Adorei o post, nao sabia que podia ter visitado o Papai Noel quando estava no Alaska, ahhh que pena.

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Sílvia Nogueira Dezembro 4, 2014 at 10:49 pm

Gostei muito, Natal diferente mas com Espírito de Natal.

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lelia serzedello Dezembro 4, 2014 at 11:10 pm

A DORA ei ou melhor adorei,agora e oficial todos poderão saber sobre o Alasca ,lindo.Sempre falei sobre você ,da saudade,da nossa amizade,beijos.Quando você vem para Rio Claro?

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Marisa Helena de Carvalho Dezembro 8, 2014 at 7:23 pm

Dora , adorei!!!!!! fiquei com vontade de passar um natal no Alaska!!!!!!! Tenho que passear por aí !!!!
Alem de fotos maravilhosas vc também escreve muito bem!!!!! mil bjussss

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Cintia Dezembro 8, 2014 at 9:13 pm

OI Dora,

Bem vinda ao Barsileiras pelo Mundo, muitíssimo interessante seu texto. Aliás fico no aguardo dos próximos, para saber um pouco mais da vida aí nas geladíssimas terras do Alasca. Bjs

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Shirlene Rossi-Kennedy Janeiro 16, 2015 at 6:27 am

Dora, estou chegando no blog um pouquinho atrasada, mas tive a oportunidade de ler seu artigo e senti uma identidade com o que voce escreveu! Alem disso, a filha do meu marido mora no Alaska, em Ankorage e estivemos ai recentemente. Desde entao tenho esse desejo de passar o natal ai e conhecer a terra do papai noel…. meu marido, por outro lado, planeja ir ver as luzes! Quando formos, espero que possa te conhecer!!!!!! Forte abraço, paz, luz e amor! Shirlëne

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Alice Janeiro 6, 2016 at 12:04 am

oi Shirlene, tudo bem? me mudei pra Anchorage faz uma semana, ainda não conheço ninguem por aqui. Voce sabe se existe alguma comunidade brasileira aqui em Anchorage?

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William Dezembro 6, 2016 at 8:16 am

Oi meu nome e William alves dos santos eu minha esposa gostariamos de mora ai no alasca.vc ainda mora ai .e vc poderia nos ajuda nos primeiros mes ai.fico esperando a resposta obrigado

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Alda Helena Antoniol Agosto 26, 2015 at 7:37 pm

Fiquei encantada com seu texto. Meu maior sonho é conhecer o Alasca, procuro ler tudo sobre essa terra. Coloque-nos sempre informados sobre a vida neste paraíso gelado. Abraço!

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Bree Dezembro 24, 2015 at 1:08 am

Adorei seu texto! Deu pra sentir o clima natalino cheio de amor e comida quentinha à cada palavra! Bem vinda, espero ansiosa pra ler mais textos sobre o Alasca!!! Abraços da Espanha!

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Bree Dezembro 24, 2015 at 1:10 am

Ops! Esqueci de comentar que entrei no seu site, e suas fotos são FANTÁSTICAS! Que trabalho maravihoso o seu! Tenho certeza que não deve ser fácil com o frio rs, mas que belas obras de arte! Parabéns!

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Flavio Abril 25, 2016 at 2:26 pm

maravilhoso , gostaria de morar no Alaska , tem alguma comunidade brasileira ai e sobre trabalho como e?

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Ann Moeller Abril 26, 2016 at 2:11 pm

Ola Flavio, a Dora não colabora mais com o BPM e no momento não temos outra colunista no Alasca. Equipe BPM

Resposta
Breno Siviero Janeiro 21, 2018 at 7:54 am

Dora, como vai? O Alaska, não apenas como algo turístico, mas como lar, é um objetivo de vida. E a médio prazo. Poderia sorver um pouco da sua experiência?
Abraços!

Resposta
Liliane Oliveira Janeiro 21, 2018 at 4:40 pm

Olá Breno,
A Dora Miller parou de colaborar conosco e, infelizmente, não temos outra colunista morando no país.
Obrigada,
Edição BPM

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