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Meu relato de parto em um hospital público e outro particular na Austrália

Meu relato de parto em um hospital público e outro particular na Austrália.

Cheguei na Austrália cerca de 10 anos atrás, vim como a maioria dos brasileiros, para estudar inglês, e acabei me apaixonando pelo País, assim como me apaixonei por um Australiano, hoje pai dos meus dois filhos, Dylan 1 ano e Maya 2 anos.

Desde que consegui meu visto de residente permanente na Austrália, tenho direito a utilizar os serviços públicos, Medicare (Sistema público de saúde aqui), porém com a mentalidade de brasileira, como sempre tive plano de saúde no Brasil, resolvi fazer um plano de saúde particular aqui. Nunca precisei utilizar, mas 3 anos atrás quando engravidei da minha filha, pensei“Se tenho plano agora chegou a hora de usar!”

Não tive dúvidas e logo optei por um hospital particular na cidade de Gold Coast para dar à luz a minha filha. Escolhi um obstetra que atendia nesse hospital, no entanto os planos de saúde aqui, não são como no Brasil que, dependendo do plano, quase tudo é coberto. Começando pelas consultas do pré-natal feita pelo obstetra particular, a taxa do obstetra e até a anestesia necessária na hora do parto, tudo é você quem tem que pagar, obtendo depois um reembolso de parte dos gastos pelo Medicare. A única parte que foi paga pelo plano de saúde foi a estadia no hospital particular.

Minha primeira gravidez foi excelente, sem nenhuma complicação, mesmo assim meu obstetra sugeriu uma indução para que eu entrasse em trabalho de parto pois já estava chegando perto de 38 semanas e nenhum sinal do bebê. Eu não aceitei e conversei com ele explicando que gostaria que as coisas fluíssem o mais natural possível, não havia nenhum motivo médico para que eu fosse induzida.

Já no hospital tudo estava indo muito bem até que de repente sem saber o que estava acontecendo cerca de 5 pessoas entraram na sala de parto me monitorando e pedindo para eu virar de um lado, de outro. Ai veio meu pior pesadelo, o obstetra se aproximou de mim e me comunicou “Estamos te levando para a sala de cirurgia, teremos que fazer uma cesária”.

No momento em que estavam esterilizando meu abdomem, chamei o obstetra e avisei que ainda estava sentindo todo meu lado esquerdo do corpo, o anestesista atras de mim pediu mais alguns minutos para que a anestesia fizesse efeito, no entanto eu conseguia ver a tensão de todos, obstetra, anestesista, enfermeiros, todos pareciam estar em pânico. O obstetra então, se aproximou dizendo “Desculpe mas teremos que te dar anestesia geral, temos que tirar seu bebê urgente”, nesse momento meu mundo desabou, o momento mais esperado da minha vida, o nascimento da minha filha e eu não estaria ali presente. As lágrimas que começaram a escorrer do meu olho, também ajudaram a fecha- lo e rezar por dentro para que tudo corresse bem.

Três horas depois acordei em uma sala fria e fui levada para conhecer a minha filha.

 

Passado o susto do primeiro parto, resolvi viajar para o Brasil por 3 meses para que minha família conhecesse a Maya que estava com 6 meses de vida. Já no primeiro mês me recordo de estar bem cansada e sentindo um pouco de enjoo, alguma coisa estava diferente em mim. Há menos de 1 mês no Brasil e descobri que estava grávida do meu segundo filho. Enfim, tinha que procurar um médico no Brasil para fazer os exames iniciais de gravidez.  A ginecologista brasileira que tive apenas algumas consultas ficou tão íntima que até me passou seu celular particular pedindo que eu à enviasse uma mensagem quando meu filho nascesse. Ficava conversando comigo por horas durante a consulta, completamente diferente dos meus pré natais feitos na Austrália que duravam apenas 5 minutos. Quando fui fazer o ultrasom não deu para ver o sexo do bebê, então me deixaram voltar depois de algumas semanas para refazer sem ter que pagar pelo exame novamente.

Quando retornei à Austrália já no meu segundo trimestre da gravidez, tive que refazer todos os exames, pois eles estavam todos em português. Como já havia cancelado meu plano de saúde desde o nascimento da minha filha, agora estava fazendo tudo pelo sistema público, sem desembolsar nenhum centavo. No pré- natal não tem como se criar aquela afinidade com o médico já que cada vez é um que te atende, desde indiano, chinês e até estudantes da faculdade te examinam, claro tudo com sua devida permissão.

Devido a minha gravidez ter sido muito perto uma da outra fui recomendada a fazer outra cesária. Fiquei bem apreensiva devido a estar indo agora a um hospital público, no entanto tudo superou as minhas expectativas. Desde o atendimento médico, instalações do Hospital achei tudo de excelente qualidade, e o melhor: não estava pagando nada por isso.

No dia da minha cesária, o hospital estava com várias emergências, mas sempre tinha algum funcionário que vinha pedir desculpas pela demora e explicar o que iria acontecer passo a passo na minha cirurgia. Quando entrei na sala do pré-operatório, parece que um filme do meu último parto passou lentamente pela minha cabeça, comecei a entrar em estado de pânico total, chorando, mas as enfermeiras foram excelentes conversando comigo, me deram o tempo necessário para eu me acalmar e quando entrei na sala de cirurgia, consegui sentir o clima de equipe de todos que estavam trabalhando no momento, desde o médico, as enfermeiras, o anestesista, todos foram excelentes profissionais.

Consegui finalmente ver o nascimento de meu filho, e amamentá-lo minutos depois que ele nasceu. A minha recuperação foi muito melhor do que a minha primeira cesária, tanto que pedi para sair antes do hospital.

Difícil fazer uma comparação entre o Sistema de saúde público e o privado da Austrália, pois foram experiências completamente diferentes e claro que uma cesária marcada não tem a adrenalina de uma cesária de emergência. Mas acredito que o sistema público não deixe nada a desejar e superou minhas expectativas.

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8 comentários

Amanda Soares Junho 11, 2016 at 11:11 am

Eloá Como vai? Espero que esteja tudo bem. Obrigada por compartilhar sua experiência. Já estou pesquisando sobre Australia a alguns meses e cada dia fico mais encantada com este país.
Como disse estou pesquisando a algum tempo e você é a primeira pessoa que encontrei formada em C.Contábeis e administração. Também sou formada em C. Contábeis e gostaria de ter maiores informações sobre o sistema tributário australiano. (Sites onde eu encontre informações sobre legislações, apurações etc) Aqui no Brasil trabalho Como consultora tributária e tenho a intenção de migrar com minha familia para Australia em alguns anos, mas gostaria de me familiarizar. Se você puder me ajudar com Esta questão ficaria muito agradecida.

Obrigada desde já.

Tudo de Bom a você e sua familia!

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Eloa Junho 14, 2016 at 10:42 am

Informações sobre o sistema tributário Australiano você encontra no site http://www.ato.gov.au
Australian Taxation Office (ATO) é o Órgão que cuida da parte de impostos do País, que é bem diferente do Brasil. Caso você queira reconhecer suas faculdades aqui e continuar estudando na área, tributos é uma das matérias que teria que cursar aqui.

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Amanda Soares Junho 15, 2016 at 7:15 pm

Obrigada pela informação, foi de grande valia!

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Reinaldo Zuardi Julho 26, 2016 at 5:51 pm

Tenho muito orgulho de ter uma filha inteligente como a Eloa, que descreve nesse artigo de forma precisa e sintética o sistema de saúde australiano.
Parabéns e continue assim dando exemplo aos brasileiros.

Resposta
Reinaldo Zuardi Julho 26, 2016 at 5:55 pm

Muitas saudades de ti e do Bruno Cesar, e agora doido pra conhecer os netos Maia e do Dylan .

Resposta
Deborah Marzullo Julho 27, 2016 at 11:41 am

Eloa parabéns pelo nascimento de seus filhos, que a saúde seja uma constante na existência destas lindas criaturas. Foi formidável conhecer sua experiência em relação ao sistema de saúde Australiano. Sou amiga de seu pai Reinaldo Zuardi há mais de 40 anos. Éramos muito jovens quando nos conhecemos na cidade de Santos -SP. Sempre foi muito difícil para seu pai administrar a separação dos filhos. Contudo nesta bela circunstância onde na cena de sua existência os netos são vistos através de uma foto, a emoção transborda e a dor torna-se mais latente. O seu pai está no face como Reinaldo Zuardi. Humildemente sugiro uma manifestação. Desejo que seu caminho neste maravilhoso planeta azul seja de luz e muita saúde para criar seus encantadores filhos.

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Lana Julho 28, 2016 at 5:01 am

Boa noite Eloá,adoreei saber seu relato e que bom que no final tudo deu certo,felicidades pra vc e sua familia <3

Gostaria de perguntar uma coisa: Eu já ouvi falar que em muitos paises , o governo faz de tudo para que a mulher faça um PARTO NORMAL. Como funciona ai?

Se a mulher optar por um PLANO DE SAÚDE ELA TEM O DIREITO DE ESCOLHA? gostaria de fazer um Parto cesario. ( Ou não tem ?mesmo com plano ,eles não aceitam?)

E o sistema público permite essa escolha?

Pergunto isso pq penso um dia em ter uma familia e conhecer meu amor austráliano, e tenho medo que seja muito burocrático optar pelo parto cesareo e ter que acabar vindo fazer o parto cesareo no Brasil que não tem muita complicação.

Sou a favor da Liberdade de escolha da mulher ! 🙂

Parabéns pelos textos,todos ótimos. 🙂

Se puder me responder,agradeço.Bjssss <3

Resposta
Laura Novembro 20, 2016 at 7:51 pm

Desculpe, mas o que aconteceu de tão grave no primeiro parto para eles te “apagarem” de uma hora pra outra? Não te deram explicações?
Adorei o texto!

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