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Vivendo e viajando em paz com a comida

Recentemente fui viajar e passei 10 dias de férias em Paris! Apesar de eu já morar na França, férias são férias, a gente sai da rotina, temos milhares de opções diferentes e se você gosta de comer como eu, sabe que ao procurar o que tem de interessante na nova cidade, automaticamente acaba encontrando todas as dicas de restaurantes e cafés!
Assim como grande parte das mulheres eu também cresci ouvindo sobre como é preciso ser magra e coisas do gênero. Por conta de todas essas informações, ao pensar em mudança de rotina o pensamento automático foi: “Ai meu Deus, vou engordar!”, “Quando voltar vou ter que compensar!”.
A influência de tudo o que ouvimos ao longo da nossa vida tem raízes muito mais profundas do que imaginamos e algumas das nossas experiências do presente podem servir como estopins para algumas angústias… E assim foi que aquela voz ouvida durante a vida toda gritou na minha cabeça e me disse que eu teria de me cuidar, já gerando assim uma tensão enorme dentro de mim, pois histórias que vão tomando forma dentro de nós durante uma vida inteira não se transformam de uma hora pra outra. Apesar de já estar morando na França há um tempo, essa foi a primeira vez, em muito tempo, que eu tive férias e que minha rotina iria mudar tão drasticamente, então logo bateu aquele medo! Ai meu Deus, como vai ser estar de férias e ter tantas opções de comida!?

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Hoje quero dividir com vocês um pouco das reflexões que fiz sobre nossa relação com a comida que acredito que pode ser aplicada não somente a uma viagem de férias, mas também à mudança para um novo país, com novas opções de comidas ou até mesmo para eventos em que acabamos comendo um pouco mais que durante a rotina!
Quando começamos a mudar nossa relação com a comida, percebemos que a comida não é nossa inimiga, percebemos que poder celebrar a oportunidade de comer e ter acesso a alimentos deliciosos, principalmente com a companhia daqueles que amamos não é algo a se temer e, sim, algo a ser celebrado! A comida está aí para nos fazer bem e construindo uma relação de paz com ela também podemos conhecer mais do nosso corpo, nossas vontades e saciedade.
Penso que como muitas relações que estabelecemos ao longo da vida, dependendo do pensamento que cultivamos isso faz com que a gente se sinta melhor ou pior, e acredito que com alimentação não é diferente, podemos estar mais tensas ou mais tranquilas quando vamos comer, você já notou? Se você parar pra pensar sempre que fazemos alguma coisa com aquela sensação de que não poderíamos estar fazendo, o sentimento é de culpa e automaticamente não conseguimos relaxar e aproveitar o momento.
Logo, se pensarmos na alimentação, quem nunca passou por aquela situação de estar comendo com a sensação de não poder estar comendo? Nesse tipo de situação, o que acaba normalmente acontecendo é: ou come-se tudo, engolindo sem nem sentir o gosto, tamanha é a culpa; ou come-se desconsoladamente, odiando-se por estar comendo um determinado alimento ou em determinada quantidade, podendo até mesmo acontecer um movimento de compensação, já que depois daquele momento a ideia é de que vai se voltar pra dieta e então “melhor se garantir comendo até demais”. Ou seja, nenhuma das formas de comer acaba sendo natural e assim deixamos de ouvir os sinais do nosso corpo: de fome, de saciedade e até mesmo do que estamos realmente com vontade de comer.
Uma outra coisa que acaba acontecendo é que com a onda de terrorismo nutricional em que vivemos, existem alimentos bons e ruins, ou melhor, não são nem só ruins, são péssimos, são a pílula da morte, são o veneno disfarçado de comida! Gente, por mais que certos alimentos não sejam tão bons para o consumo diário, todos esses alimentos que são tão criticados foram autorizados por órgãos competentes, estão presentes na mesa da população mundial há décadas e as pessoas continuam vivas! Sim, muita gente morre, mas estabelecer uma causa direta é no mínimo preocupante. Além do que, quando falamos em ganho de um peso considerável via alimentação e não por questões genéticas é preciso comer muito e não só um pouco a mais, aqui ou ali.
E por que eu estou dizendo isso? Porque o ditado é velho mas continua atual “A diferença entre o antídoto e o veneno é a dose”. Ao longo dos meus anos de análise e da minha experiência como psicóloga, posso te dizer sem medo: O PROBLEMA É O EXCESSO. Tudo em excesso é demais e faz mal. Pode não ser no início, mas em algum momento isso vai acabar sendo preocupante.

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Se desenvolvermos uma relação de amor com a comida e com nós mesmas será mais fácil não nos sentirmos culpadas enquanto comemos. Poderemos perceber quando estamos com fome, o que queremos comer e quando estamos satisfeitas e, consequentemente, os momentos de excesso, seja pela culpa, seja com o intuito de compensar, serão cada vez mais esporádicos, pois estaremos no caminho de construir uma relação de escolha, atenção e respeito pela comida e pelos nossos gostos e não de desespero pela presença dos alimentos ou daquilo que estamos com vontade de comer.
Ou seja, como podemos cada uma de nós, da sua própria maneira, pensar que comer, viajar, sair da rotina, comemorações e festas não são motivos para nos desesperarmos, não são motivos para depois falarmos que precisamos compensar! Muito pelo contrário, são motivos para sermos gratas, para aproveitarmos e para vermos como a nossa vida nos proporciona experiências legais! Não há nada para se arrepender, não existem jacas, não existem lixos, não existe correr atrás de prejuízo.
Se partimos para esse caminho de ressignificação das nossas vivências e das nossas crenças, não precisaremos ter medo de nós mesmas e do que vamos ou não comer. Sabe por quê? Porque estaremos no caminho de deixar a voz da culpa cada vez mais baixa, desviando dos  sentimentos negativos que nos levam a situações de comer descontroladamente.
Vai viajar? Vai ter uma refeição de comemoração? Vai ter uma festa? Lembre-se o quão privilegiada você é por viver essas experiências, ouça seu corpo e aproveite! E depois tenha histórias para contar e não calorias para se arrepender!
“Count the memories, not the calories”

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