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A curiosidade matou o gato

Muitas de nós crescemos ouvindo isso de parentes e conhecidos: “Cuidado, não mexe aí! Olha que a curiosidade matou o gato!” Na base de muito daquilo que pensamos e sentimos, e que se reflete diretamente em nossa forma de agir estão as crenças. São afirmações sobre o mundo que colecionamos sem mesmo nos dar conta. Algumas de nossas crenças são fruto de nossa experiência direta mas, grande parte delas, vem de frases que ouvíamos sem cessar quando éramos bem jovens ou de conselhos dados por pessoas que admirávamos. É muito comum, por exemplo, em pessoas que têm sistematicamente problemas financeiros,  o fato de que elas cresceram ouvindo coisas do tipo “dinheiro não dá em árvores”, “dinheiro não traz felicidade”, “dinheiro demais nunca traz boas coisas”, e por aí vai. Nem todas as crenças são limitantes, mas algumas, quando são, nos aprisionam pra valer. Essa do pobre do gato curioso é uma delas.

A boa curiosidade não mata nem gato nem ninguém, muito pelo contrário: ela dá vida! E para quem está tendo a boa experiência de morar fora de seu país de origem, ela é, inclusive, uma vantagem e um benefício. É a curiosidade que nos permite descobrir rapidamente as coisas, a querer entender a nova cultura, a provar sabores diferentes, a enriquecer nosso repertório.

Eu conheci um senhor uma vez que praticamente nunca tinha saído de sua cidade natal. E não era por falta de recursos financeiros, mas por vontade, mesmo. Quando eu perguntava se ele não sentia falta de conhecer outras cidades e outras pessoas, ele dava de ombros, dizendo que ali ele tinha tudo o que precisava. Nem um passeio curto, de menos de 100 km, ele fazia! Ele me respondia que não tinha vontade, que provavelmente não veria nada de interessante. Hã?!!! Sempre respeitei sua opinião; mas, no fundo, torcia para que um dia uma vontade louca de passear e viajar batesse à sua porta, e que ele descobrisse um mundo totalmente novo.

A curiosidade é um padrão mental. É uma atitude de disponibilidade. É um querer abrir espaço para conhecer mais. Pode ter um lado fútil, claro, de querer apenas saber sobre a vida dos outros só para fazer comparação ou cair na maledicência. Mas, quando é usada para o bem, muda o nosso olhar para melhor.

O filósofo alemão Emanuel Wertheimer dizia que “somente a curiosidade não envelhece conosco e fica sempre criança”. Acho essa frase muito bonita.

Pessoas curiosas perguntam, não ficam na superfície, exploram as situações, se surpreendem positivamente muitas vezes. Esse padrão mental é de grande valia sempre, e sobretudo quando estamos morando em outro país. E, como dizia o filósofo, ele não se gasta, se renova, e nos ajuda com uma boa energia que só ele tem.

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Em coaching acreditamos que qualquer (eu disse qualquer) comportamento pode ser aprendido. Para isso, é preciso três coisas: vontade, disciplina e treinamento. Como, então, desenvolver a curiosidade e tirar dela o máximo proveito? Seguem aqui algumas opções de ação:

. Ouça atentamente as pessoas quando estiver conversando com alguém. Pratique a PRESENÇA. Mantenha seu foco no que ela estiver contando, e não no que você vai responder ou no celular que está vibrando no seu bolso.

. Faça perguntas como faz um jornalista: o quê, quando, quem, por que, como? Ouça os ricos detalhes que podem vir delas. Evite perguntas que levam a respostas binárias (sim/não).

. Passe um tempo com crianças. Experimente por alguns momentos tentar ver o mundo como elas veem.

. Leia coisas diversas. Se você só costuma ler o jornal, tente uma revista feminina. Se só lê livros de ficção, tente o encarte da loja de produtos orgânicos.

. Pegue um caminho diferente para ir ao trabalho. Observe os detalhes do caminho e as pessoas que passam por ele.

. Tire 15 minutos do seu dia e vá tomar um café na rua. Observe as pessoas ao redor. Não pense na próxima reunião ou na sua agenda do resto do dia. Apenas observe o que se passa.

. Puxe conversa com alguém na rua.

. Faça uma pergunta que você nunca fez para alguém que você conhece muito bem.

. Quando conhecer algo (ou alguém) novo, faça um esforço para evitar qualquer tipo de rótulo ou julgamento, e tente conhecer a situação como se fosse um explorador ou um jornalista.

Um estilo de vida que privilegia o aprendizado retarda o envelhecimento cerebral, isso é fato. A curiosidade é a base do exercício mental que faz com que nosso cérebro fique em forma. Aproveite, então, esse início de ano e se dê o luxo de iniciar um novo padrão de vida. Não é difícil e pode ser muito divertido! Bom 2019 de curiosidades para você!

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