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França

Bem-vindos à França, mes amis!

Bem-vindos à França, mes amis!

Como já havia dito em meu primeiro texto, a França caiu de paraquedas em minha vida – mais precisamente na forma de uma palestra na pós-graduação, bem naquela fase em que devemos tomar um rumo na vida. Pois, em algum momento, quando a gente menos espera, ela nos coloca em rota sem pedir licença. Resumindo: é aquele instante em que começamos a surtar de leve. Foi nessa fase em que tive a oportunidade de escolher entre seguir para uma experiência em um país de língua inglesa – o que seria altamente reconfortante – pois, aprendi o inglês junto ao português; logo, nada mais “home away from home”. Do mesmo modo, resolvi fugir do conforto e optei pela França. Afinal, por que não mergulhar num novo idioma e ter a experiência total?

A França estava na lista dos países a conhecer um dia. Claro! Por que não? Afinal, são poucos os lugares que não despertam o meu interesse. Foram seis meses de curso intensivo para aprender o idioma. E quando digo intensivo, é no sentido mais apurado da palavra. A carga horária foi aumentando conforme a data de embarque se aproximava e, no último mês, fazia aula todos os dias da semana. Não foi e nunca vai ser fácil.

Bem-vindos à França! Terra das baguetes, dos croissants, das vitrines de doces mais lindas e do idioma mais charmoso do planeta. Vou usar Paris como exemplo por ser uma das cidades mais turísticas do mundo e um dos meus lugares favoritos desde que avistei a Torre Eiffel, pela primeira vez, de longe, minutinhos antes de pousar. Foi paixão à primeira vista – e desespero, também, porque viver de falar em inglês, aqui, é furada, “Bino”!

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Paris é repleta de ruas lindas, muitos parques e muita história. É uma cidade encantada por animais. Praticamente todas as pessoas têm um gato ou um cachorro e esses bichinhos já são bem-vindos em todos os lugares.

Conseguimos fazer quase tudo a pé – o que não quer dizer, em hipótese alguma, que vá andar pouco. O transporte público funciona. Encontramos água filtrada, de graça, em vários parques; e poucas coisas são mais gostosas que o chocolate quente no Angelina ou os macarons Pierre Hermé.  Poucas coisas são mais caras, também!

É possível encontrar queijos de todos os tipos, tamanhos e sabores em qualquer supermercado de bairro. É lindo – pelo menos na minha opinião – ver tantos jovens conhecedores e adoradores de gastronomia, vinhos e filmes.

O inglês vem geralmente acompanhado de um sotaque bem particular e não há um francês que não vá fazer barulho de cuíca e cantarolar tututu tututuru em clima de samba quando souber que você vem do Brasil. Vão falar de caipirinha e Neymar. Tudo isso seguido de um convite para um ‘apéro’ em qualquer canto. Tudo é motivo para se juntar e beber.

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Andar pela Champs Élysées é pedir para cruzar com pessoas do mundo inteiro e ser esmagado pelas sacolas de compras; mas é também uma das ruas mais lindas que já vi quando estamos no Natal. Aconselho todos a sentarem em um café e, simplesmente, ver a vida passar; mesmo que seja por alguns minutinhos.

No Brasil, a visão que temos dos franceses é que são pessoas insensíveis e, muitas vezes, grosseiras. Não vou dizer que seja de todo falso – é verdade que não são dos mais acolhedores – especialmente em cidades grandes. No entanto, minha visão é um pouco diferente. Tive, sim, encontros que me marcaram negativamente: seres indiferentes e  mal-educados. Felizmente, não foi a maioria. Conheci ótimas pessoas nesse caminho, que talvez tivessem problemas em abraçar, beijar, mas sempre acolhedoras a sua maneira. Também tomo meu tempo para deixar com que os outros me conheçam verdadeiramente. Não sou das pessoas mais extrovertidas, num primeiro contato. Talvez, por isso, entenda e me identifique com a reação dos franceses.

O que guardo na memória são pessoas sempre dispostas e disponíveis. Ajudaram-me no idioma, no trabalho, na saga do visto que me rendeu muitas idas à prefeitura, nos choros de frustração, saudades de casa. Em tudo, mesmo. Só não souberam ainda me preparar um arroz com feijão para diminuir a tristeza quando a gente sente falta de tudo que deixou no Brasil. Esse é o francês que eu prefiro apresentar a você, que talvez ainda não conheça a França. Se eu puder colocar, aqui, uma sugestão, caso esteja vindo para cá, diria: estude francês, vai! A não ser que sejam apenas férias. Aí, liberado!

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