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Como me tornei uma brasileira pelo mundo

Como me tornei uma brasileira pelo mundo.

Tem coisas que a gente não consegue explicar e nem sabe direito como começou. Eu
sempre quis morar fora, desde a adolescência. Tinha um fascínio enorme por vivenciar
outras culturas e climas. Comecei colecionando reportagens e fotos sobre o Canadá aos 15
anos – país esse que só consegui conhecer depois do fim da faculdade e por apenas um
mês.

Não foi meu primeiro destino mas, foi sem sombra de dúvidas, o mais desejado e
planejado. Para uma virginiana torta (porque se tem algo que eu não sei fazer é planejar),
foi um baita feito ter todo um mês planejado e com tamanha antecedência! Acredite, tenho
crises de pânico aliadas à crises alérgicas só de tentar imaginar onde posso estar daqui X
meses ou anos. São tantas as possibilidades que vão aparecendo na vida… Tantas coisas
podem nos fazer mudar o trajeto… Enfim, esses meus detalhes característicos podem ficar
para uma próxima conversa.

Voltando à base desse primeiro contato, para poder contar um pouco – e bem
resumidamente – da minha história e quando a hotelaria surgiu na minha vida, preciso
voltar aos meus dezoito anos, bem antes de realizar o sonho de pisar em terras
canadenses. A vontade de cair no mundo só começou a criar forma quando num belo dia
ouvi do meu pai: “ir para os EUA trabalhando nas férias da faculdade. Quer? É agora ou
nunca!” Nem pestanejei.

Depois de 10 horas de espera numa conexão em São Paulo, escala no gigantesco
aeroporto de Atlanta, chegada em Nova York e mais algumas horas de ônibus (que eu
quase perdi porque a mocinha no guichê fazia questão de gritar no seu microfone que não
estava me entendendo. A essa altura, ela e toda a Central Station estavam sabendo de
onde eu vinha e quais palavras não estava pronunciando corretamente mas não faziam
ideia de para onde eu estaria tentando ir! Ao menos foi o que pareceu na hora.).

Finalmente cheguei em Great Barrington – Massachusetts, sã e salva. E foi ali que tive a
certeza de que estava exatamente onde eu deveria estar. Tudo era novo para mim: morar
num hotel de beira de estrada com outras pessoas que trabalhariam na mesma estação de
esqui que eu, falar inglês o dia inteiro, ver a neve! Nunca vou esquecer da minha primeira
neve e do quanto desejei poder compartilhar esse momento com a minha família. Eu queria
que meus olhos pudessem capturar e revelar cada momento. Foram os três meses mais
intensos da minha vida! Trabalhei muito, fiz amigos que mantenho até hoje, me apaixonei.
Chorei de saudades, chorei de rir e chorei de novo por já pensar no quanto seria difícil ir
embora. E foi.

Leia também: ano sabático, se descobrindo através do caminho

A gente se acostuma com essa liberdade e até mesmo com toda a responsabilidade e
consequências que vêm com ela. É um sentimento bem contraditório porque a gente não se desapega da família, dos amigos, dos cachorros. Mas, de repente, a gente sente uma falta enlouquecedora de partir! Eu nunca mais quis parar.

Dos meus 18 anos em diante eu só tive uma certeza: o Brasil seria para sempre o meu
porto, mas eu jamais conseguiria me manter nele por muito tempo. Dessa minha “descoberta americana” vieram outras duas férias – sim, eu já fazia todos os meus cálculos para voltar com dinheiro suficiente para a próxima ida. A segunda viagem foi para a mesma cidadezinha em Massachusetts. Grande, ENORME, bola fora- como bem
havia previsto a minha mãe ! Só me serviu para confirmar uma ou outra amizade, de resto,
levo apenas como exemplo para jamais repetir um destino – exceto se for apenas para
passar férias, claro. Aí está liberadíssimo! Expectativas, meus caros… vivo para criá-las e
vê-las me darem um tapa na cara.

Minha terceira e última ida aos EUA foi para Baton Rouge na Louisiana. Um destino que eu
não escolhi. Caí quase que de paraquedas por lá após ter meu emprego no Alasca (e sim,
eu estava pronta e animadíssima com a ideia de passar 3 meses no gelo) cancelado nos 45
do segundo tempo, no auge da crise por lá. O lado bom de ter meu destino modificado
drasticamente foi que com isso consegui viajar mais e conhecer Nova Orleans, Chicago e
um pouquinho da Flórida (ok, ok, só deu tempo de ir à Disney !).

Terminei minha graduação em Relações Internacionais e algum tempo depois fui
convencida pelo meu pai à fazer uma pós-graduação em Hotelaria – ele sempre achou que
era onde eu me encontraria. Talvez ele tenha razão. Eu ainda estou me descobrindo. Só sei
que foi no fim da pós o momento em que tudo começou a se desenhar. Foi quando decidi
apostar na insegurança de um destino desconhecido – e até então, um idioma também
desconhecido para mim, que resolvi vir fazer um estágio na França.

Aqui começou a minha saga, há pouco mais de 6 anos entre idas e vindas. Mas essa é uma outra história, vai preparando o café que eu volto com o croissant.

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4 comentários

Alessandra Megre Junho 2, 2018 at 4:54 pm

Que legal, Alice! Adorei conhecer sua história com mais detalhes. Beijos e sucesso pra você, querida!

Resposta
Alice Megre Junho 2, 2018 at 6:26 pm

Muito obrigada, Dadá! Fico feliz em ver seu comentário aqui… 😊 💟 Beijinhos

Resposta
Juliana Junho 2, 2018 at 6:44 pm

Amei ter contato sua trajetória. Numa delas…eu fiz PARTE!!! Siga seu destino sem medo…

Resposta
Alice Megre Junho 2, 2018 at 6:47 pm

Você FAZ parte desde então… 😘

Resposta

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