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Migração e ganho de peso

É meu primeiro texto no blog e resolvi falar sobre um assunto que acredito irá interessar a muitos que se mudaram do Brasil ou estão pensando em se mudar: o ganho de peso durante o processo de imigração – por que e como ocorre; minha experiência; dicas de como evitar e o que fazer para emagrecer.

Eu sou formada em Nutrição no Brasil e atuo há sete anos com planejamento de dietas, perda de peso, ganho de massa muscular, estética, entre outros. Gosto de ter uma vida saudável, alimentar-me o mais naturalmente possível e fazer exercícios, mas claro que não vivo dessa maneira 100% do meu tempo. Também adoro provar novos pratos e me render a dias de filmes e preguiça.

Minha experiência tem sido em Toronto no Canadá, para onde resolvi me mudar há dez meses com a finalidade de estudar inglês, conhecer uma nova cultura e quem sabe futuramente me tornar uma cidadã canadense. Toronto é a maior cidade do Canadá e é considerada uma das maiores cidades multiculturais do mundo, atraindo milhares de imigrantes todos os anos. Devido a essa multiculturalidade é bem fácil achar todos os tipos de comida do mundo; adoro isso, cada dia posso viver um pouquinho de cada mundo – comida coreana,chinesa, japonesa, indiana, brasileira, portuguesa, italiana, etc.

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Foto: http://hcp2010.physics.utoronto.ca/

Não tive dificuldade de encontrar nenhum tipo de alimento aqui. Frutas, vegetais, cereais, tudo que eu tinha no Brasil, tenho aqui também. Acho que o sabor é um pouco diferente; por exemplo, as frutas no Brasil costumam ser mais saborosas e o frango meio sem gosto, mas nada que um bom tempero não resolva.

Outra diferença é a facilidade de se alimentar bem e barato. No Brasil é muito comum pratos feitos e self service por preços acessíveis; aqui, gasto um pouco mais para me alimentar no mesmo padrão, e quando bate a fome e não podemos gastar muito, é mais fácil apelar para o fast food, pizza e hot dog.

A comida coreana é minha preferida por conter muitos legumes, carne cozida ou grelhada, e tudo é gostoso e saudável. Moro perto da Koreatown, o que acaba favorecendo essa minha preferência.

Nesses dez meses conheci muitas pessoas. Fiz tanto amigos quanto clientes e muitos, também migrantes, relataram o aumento de peso e gordura com a mudança. Eu mesma passei por isso. Cheguei a ganhar 4 quilos nos primeiros meses, mas logo depois acertei a dieta e o exercício e voltei ao meu peso normal. Procuro cozinhar uma vez por semana e congelar em pequenas porções. Durante a semana vou tirando do congelador, e assim facilita a dieta.

Na primavera e verão aproveitei o tempo com altas temperaturas para andar de patins, meu hobby, e fazer caminhadas e corrida pela cidade e parques. Toronto é uma cidade plana, o que ajuda a me locomover de patins para qualquer lugar, com ruas lisas e ciclovias em quase todas as vias principais, e é repleta de parques, onde caminhar se torna um prazer em meio à linda paisagem.

Já no inverno, as opções ao ar livre são restritas devido às temperaturas abaixo de zero e neve. Eu então frequento uma academia e procuro ir pelo menos três vezes por semana; a academia é maravilhosa, equipada com piscina aquecida, aulas de boxe, dança, quadras de basquete e tênis. Não tem desculpa para ficar parado.

Segundo estatísticas do governo, o Brasil apresenta em média 17% da população obesa e o Canadá tem média de 25% de obesidade. Os hábitos alimentares, estilo de vida e situação econômica afetam esses dados, mas eu particularmente não vejo muitos obesos nas ruas por aqui. O que venho observando muito e acredito ser um ponto crucial para o ganho de peso é o hábito da população ingerir sempre alguma bebida. Aqui em Toronto é muito comum andar pela rua o tempo todo com um copo na mão: no inverno, as bebidas quentes – café, chá, latte, cappucino – para se manterem aquecidos, e no verão, os copos permanecem, dessa vez com café e chá gelados, bubble tea, frozens e milk shakes.

O perigo dessas bebidas é o fato delas serem adoçadas.  Procurar apreciar as bebidas em sua forma natural sem a adição de açúcar seria uma opção. O adoçante também tem seus malefícios, mas isso é tema para um próximo texto.

Mas porque será que engordamos? É dificil dar uma resposta exata, já que somos indivíduos únicos e cada metabolismo reage de uma maneira; a avaliação nutricional com um profissional da área pode ajudar a descobrir os fatores principais e planejar uma reeducação alimentar adequada para o emagrecimento e manutenção da saúde.

Abaixo listo dois principais pontos que levam ao aumento de gordura corporal.

  • O primeiro ponto é todo o estresse que o processo de imigração nos traz. Aprender uma nova língua, adaptação à cultura, ao clima; achar um bom lugar para morar; mudar de emprego; fazer novos amigos; deixar para trás amigos, família e amores… Ufa, quanto estresse. Com isso, passamos a comer por emoção, e nosso corpo passa a pedir mais carboidrato simples, que é uma fonte rápida de liberação de serotonina (hormônio do bem estar): chocolate, doces, massas, salgados e fast food possuem um alto índice glicêmico e nos oferecem a sensação rápida de prazer. O problema é que isso se torna um ciclo vicioso e quando a sensação de prazer passa, queremos obter mais, comendo sempre mais e mais. Também passamos a produzir mais cortisol (hormônio do estresse). Estudos revelam que o cortisol é responsável pelo acúmulo de gordura e retenção hídrica, ou seja, mesmo sem você comer em excesso começa a engordar por estresse.
  • O segundo ponto e o mais importante, é o fato de que sua rotina muda e nem sempre você tem tempo para cozinhar ou programar sua dieta, e pela falta de rotina, a academia e os exercícios vão ficando de lado. Acabamos comendo o que aparece pela frente ou o que nos oferecem, sem pensar, ou até pensamos mas queremos provar as novidades culinárias e novos restaurantes. No meu caso, minha perdição são os donuts – barato, gostoso e fácil de achar a cada esquina, pena serem carregados de açúcar refinado e gordura.

E como mudar essa situação? Um conjunto de ações é necessário. Você precisará planejar o seu dia e suas refeições com antecedência. Um profissional da nutrição pode te ajudar com esse planejamento. Vá ao mercado e procure opções saudáveis para os momentos que estiver na rua. Sempre saia de casa com alguns snacks – castanhas, frutas secas, cookies integrais, iogurte; procure separar o tempo para o almoço e nada de fast food; o jantar merece atenção redobrada, já que à noite nossas atividades reduzem, também devemos reduzir a quantidade de calorias ingeridas. Separe duas refeições por semana para provar sem culpas as delícias e novidades culinárias e por último, seja ativo: faça caminhadas, corrida, patins, bicicleta ou academia.

Mude de país sem necessariamente mudar seu corpo: essa é a minha dica.

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10 comentários

Marina Março 30, 2015 at 2:03 pm

Ola Andressa,parabens pelo texto.Eu fiquei com uma duvida,no Canada foi possivel voce trabalhar como nutricionista?

Resposta
Andressa Chiapineli Abril 3, 2015 at 9:38 pm

Ola Marina. Nào é possível ainda, atendo apenas amigos brasileiros, não como fonte de renda, apenas como um extra. Para trabalhar na área da saúde aqui é bem burocrático, primeiro preciso me tornar cidadã canadense e depois realizar a equivalencia do meu diploma. Ainda não tenho todas as informações corretas, ando pesquisando muito. Quando souber certinho irei escrever mais sobre.

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Luciana Damasceno Março 31, 2015 at 6:18 pm

Ótimo texto, Andressa! Os quilos extras pós-imigração são a minha queixa e a de muitas amigas minhas aqui na Irlanda. Sabia da tal comfort food, mas não de que o cortisol pode nos fazer engordar só por conta do estresse. Obrigada pela dica!

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Andressa Chiapineli Abril 3, 2015 at 9:40 pm

É Luciana, é um mal bem frequente o ganho de peso, mas vamos batalhar para nos adptar a mudança. Que bom que gostou, obrigada

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adriana Março 31, 2015 at 7:50 pm

Olá Andressa, eu também fui “vítima” dos quilos a mais depois que me mudei para Portugal e ainda não os perdi totalmente. Obrigada pelo texto, fez com que eu me sentisse mais normal : )

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Andressa Chiapineli Abril 3, 2015 at 9:41 pm

Adriana, voce é completamente normal, voce, eu e muitas na mesma situação, que bom que gostou… Obrigada

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Tábata Senna Setembro 21, 2015 at 11:30 am

Ih Andressa, para mim é o contrário. Desde que me mudei (estou na Bélgica) só emagreço. Não que eu esteja reclamando, mas é algo que me preocupa. E já percebi que a cada vez que passo por uma situação de estresse intenso (no mínimo uma vez por semana), emagreço mais e mais. As minhas roupas simplesmente caem, fica tudo feio, não acho nada para comprar porque não tem no meu tamanho. Já percebi também que quando passo por essas situações de estresse intenso surgem pequenos cortes na minha boca.

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Rita Dorneles Junho 8, 2016 at 1:49 pm

Wow, que texto legal! Adorei!
Eu saí do Brasil em 2005 bem magrinha (diria até abaixo do peso, mas era meu peso normal desde sempre: 40 quilos). Mesmo sendo mae de tres crianças, nunca tinha engordado, e quando conseguia ganhar alguma coisa, era um quilo e olhe lá 🙂
Me mudei para Portugal em 2005 e no final do primeiro ano já tinha ganhado de rpesente 3 quilos – nada qie me aborrecesse –
Hoje, 11 anos depois, tenho 54 quilos (muito para mim! Me sinto uma baleia hahah), vivo em Londres onde as sopas sao menos comuns do que os sanduiches e a comida pronta é uma tentaçao! Realmente o estresse e o estilo novo de vida sao grandes viloes!
Parabens 🙂

Resposta
Vanessa Junho 17, 2016 at 8:09 pm

Olá Andressa
Muito oportuna ler sua matéria.
Vivo na Inglaterra e vivo uma vida que jamais vivi, que é ser sedentária e comer porcarias, mas como novas experiências e eu queria provar tudo que eu via pela frente.
Quero mudar mas uma coisa q não sabia era que viciava.
O que você sugere para a diminuir a fissura por doces e farinhas brancas?

Resposta
Cristiane Leme Junho 17, 2016 at 9:54 pm

Vanessa, a Andressa parou de colaborar conosco.
Exercícios físicos geram endorfina, que é o hormônio do prazer, e possivelmente ajudarão a combater a vontade de comer doces e farinhas. Substituir a farinha branca por outras como farinha de linhaça, chia ou quinoa também ajuda a aumentar a saciedade, e consumir alimentos saudáveis como petiscos entre as refeições (como pepino e cenoura em tiras, ou frutas cortadas em pequenos pedaços, por exemplo) costuma ajudar.
Obrigada por comentar e fique de olho na nossa coluna sobre Saúde, há vários textos interessantes e publicados por nutricionistas pelo mundo.

Edição BPM

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