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Como lidar com o confinamento?

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Como lidar com o confinamento?

E a pandemia completou um ano. Um ano em que nossas vidas viraram de cabeça para baixo e que aprender a desaprender virou questão de sobrevivência. Certezas, se alguma vez tivemos, perderam completamente a razão de ser. Planos? Melhor viver um dia de cada vez. E a rotina? Bem, se algumas pessoas a abominavam, parece-me que ela foi redefinida sem aviso prévio.

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Muito do que nos motiva na vida está literalmente lá fora, seja nas ruas ou em outras pessoas. É normal que precisemos dessas relações externas, pois somos seres feitos para viver em sociedade. No entanto, o risco se manifesta quando nossa identidade se encontra completamente atrelada a esse mundo exterior.

Nessas circunstâncias, lidar consigo mesmo torna-se uma tarefa mais árdua. O fato é que viramos o ano sem saber muito o que esperar de 2021. Há esperança, mas não podemos baixar a guarda. Como lidar com nossas expectativas, medos e angústias?

Identifiquei alguns aspectos comportamentais importantes que talvez possam ajudar você, onde quer que esteja, a lidar melhor com um futuro indefinido. Já vou antecipando que provavelmente não trarei nenhuma novidade. Todavia, tenho às vezes a impressão de que nos esquecemos do básico. Muito do que colocarei aqui tem a ver com meu processo pessoal para seguir em frente. Espero que o ajude!

A importância do movimento

Por mais bobo que possa parecer, o fechamento das academias em março de 2020 foi o que me fez entender que eu não seria apenas espectadora da situação. Foi ali que entendi que minha liberdade estava sendo realmente restringida. Muito do que eu sou tem a ver com a atividade física. Por razões estéticas, funcionais, de saúde mental, de bem-estar, de auto-estima e auto-cuidado, me vi de repente desamparada.

Vários questionamentos me vieram à cabeça:

  • Como lidar com uma interrupção radical de estilo de vida?
  • Como continuar a me sentir bem na minha própria pele?
  • O que de fato eu busco por meio da atividade física?

Foi aí que eu precisei rever conceitos e ressignificar minha relação com meu corpo até então mediada pelo exercício físico. Não era impossível manter o movimento, mas ele seria diferente, assim como as minhas razões.

Por uma questão de saúde mental, virei adepta das caminhadas singelas e despretensiosas com meu cachorro. Com exceção do período de inverno mais rigoroso, o meu “novo ritual da manhã” passou a incluir esses passeios como forma de despertar e me mexer, já que ficou bem mais difícil bater as metas de passos diários do meu Apple Watch me deslocando da mesa de jantar (então promovida à meu escritório caseiro) e o banheiro.

Brincadeiras à parte, passei a aproveitar esses momentos para ouvir minhas playlists favoritas, podcasts, audio books, fotografar meu cachorro e tudo que me chamasse a atenção. Uma forma leve e lúdica de me ativar para a jornada de gerente de projetos, que mais do que nunca ficou intensa com o teletrabalho.

Vaidade e teletrabalho

Quando a nossa realidade não passa da porta, parece que certas atividades corriqueiras perdem o sentido. No meu caso, percebi que trabalhar de casa tornava totalmente desnecessário o meu ritual de todas as manhãs: escolher o look do dia, me maquiar, passar prancha no cabelo. É como se, de repente, a minha vaidade tivesse desaparecido.

Lá no início, confesso que cheguei a participar de reuniões com video vestindo meu roupão rosa de corações. Era até um forma de descontrair, pois a pressão estava alta. O negócio era manter os projetos andando, mais do que estar impecavelmente vestida. Mais recentemente decidi fazer um esforço para mudar.

Mesmo assim, confesso que não é fácil, pois a praticidade irresistível do combo legging-moletom parece vencer o esforço mental da multiplicação dos looks, segundo as técnicas de composição e o círculo cromático. Importante salientar que não sou favorável ao visual “Jornal Nacional”, ou seja, parte de cima ok, parte de baixo não necessariamente. Essa é uma outra característica da minha personalidade: não gosto de fazer as coisas pela metade. Seguimos revendo essas questões para quebrar um pouco esse padrão, talvez trazendo mais para o lado do autocuidado e da autoimagem.

O tal to tempo para si

Acredito que muitos tiveram um pouco de dificuldade para gerenciar o tempo e estabelecer limites entre as horas de trabalho e as horas de lazer. Na ausência de clareza sobre o que gostamos de fazer quando não estamos trabalhando, nosso tempo individual pode facilmente se transformar em uma devoção fervorosa à empresa.

Entender o que gostamos de fazer em modo confinamento é fundamental. Façamos um exercício rápido agora: Quais são seus principais interesses fora do trabalho? Você consegue desenvolve-los de forma autônoma e segura?

No meu caso, três interesses ocupam boa parte das minhas horas individuais: a corrida (que retomei com a chegada da primavera), o aprofundamento filosófico sobre o método de yôga que pratico e a fotografia. Para todos os casos, sigo interagindo à distância com meus treinadores, instrutores, mentores ou colegas. Ao mesmo tempo que aprendo algo novo sobre assuntos diferentes, descubro mais sobre mim mesma e procuro manter um equilíbrio entre meu físico, mental e emocional. “Graças” à pandemia, conheci pessoas online que jamais cruzariam meu caminho se esses cursos fossem apenas presenciais.

Cultivar nossas relações afetivas

Por último, mas não menos importante, precisamos dedicar tempo às nossas relações, sejam elas amorosas, familiares ou de amizade. As demonstrações de carinho são alternativas, assim como os meios para expressa-las. Fazer-se presente é essencial:

  • mensagens de audio ou de texto no aniversário de amigos queridos;
  • encontros pelo Zoom, Skype ou Facetime com a família para matar saudades ou celebrar datas especiais;
  • happy hour virtual com as melhores amigas para lembrar histórias, rir até a barriga doer ou buscar consolo para os momentos difíceis;
  • comentar uma publicação ou story de alguém que de alguma forma agrega algo na sua vida.

A tecnologia tornou-se uma aliada importante nesse sentido, ainda que nunca consiga reproduzir fielmente a alegria que um abraço apertado depois de um longo tempo sem se encontrar represente.

Cenas do próximo capítulo

As conclusões sobre viver um evento histórico de tamanha proporção ainda estão sendo escritas. O fato é que esse vírus se tornou um verdadeiro wake-up call coletivo. Acredito que o que acontece é fruto de uma série de decisões individuais que tomamos nas nossas “bolhas”. Ao refutar a ideia do “ser apenas um grão de areio no deserto” ou apenas “uma gota d’água no oceano” como forma de diminuir os impactos individuais, acabamos por colaborar negativamente com a situação.

A proporção das consequências me parece clara, até porque não estamos acima das leis da biologia ou das forças da natureza. Quando nos despimos do que tínhamos como certo, prioritário ou essencial em nossas vidas, o que sobra realmente? Acredito que a melhor arma é o autoconhecimento com compaixão e empatia.

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