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África do Sul

Cem anos de Nelson Mandela

Cem anos de Nelson Mandela.

Escrever sobre a África do Sul e seu povo é uma tarefa difícil. Conhecemos muito pouco sobre os anos de sofrimento deste povo heroico. Sabemos sobre Nelson Mandela mas não temos muita ideia de sua grandeza e da grandeza do povo que o apoiou.

Neste ano, estão sendo comemorados os 100 anos de Nelson Mandela, mas a ferida do apartheid não está totalmente curada, ainda vai demorar mais um tempo, porém o esforço é contínuo.

Eu moro em Joanesburgo, carinhosamente chamada de Jozi, desde 2004. Vim para cá casada com meu marido sul-africano, e na época perguntei a ele se teria problemas com minha filha, pois ela seria classificada de “coloured” nos tempos de apartheid, já que minha filha do meu primeiro casamento é bem moreninha, e ele respondeu que não.

Realmente isso me preocupava, mas enfim, a geração mais nova se adaptou aos novos tempos muito rápido e de fato todos nos receberam muito bem. O que vi aqui foi que todos estavam juntos, sem se importar com raça, religião, cor, etc., o legado de Nelson Mandela e sua rainbow nation (nação arco-íris).

Leia também: Apartheid e Nelson Mandela

Eu, por minha vez, fui muito bem recebida por todos e passada uma década ainda estou aqui. Não é fácil, não foi fácil. Até nos adaptarmos aos costumes, língua, comida, clima, etc., leva tempo. Agora já sou meio sul-africana, tenho amigos e amigas de todas as raças, cores e religiões, que me contam histórias sobre a vida antes e depois do apartheid, e vejo que a maioria não fala com raiva e sim com tristeza.

O tempo cura as feridas e vejo que todos têm o desejo de estar juntos como nação. E nada melhor para provar isso do que ir ao estádio para assistir a um jogo de rugby, onde recentemente foi escolhido um negro para capitão do time, coisa impensável anos atrás. No estádio você pode ver a diversidade do povo reunido no esporte. Famílias inteiras sejam negras, inglesas, holandesas, hindus, todas unidas pelo time nacional.

O apartheid não foi apenas uma questão de racismo, mas de fato uma separação entre negros e brancos. As principais leis eram: proibição de casamentos entre brancos e negros, obrigação de declaração de registro de cor para todos os sul-africanos (branco, negro ou mestiço), proibição de circulação de negros em determinadas áreas das cidades, determinação e criação dos bantustões (bairros só para negros), proibição de negros no uso de determinadas instalações públicas (bebedouros, banheiros públicos), criação de um sistema diferenciado de educação para as crianças, o que gerou a revolta em Soweto, em 1976.

O regime do apartheid terminou formalmente em 1994 com as primeiras eleições que permitiram a participação de todos os eleitores adultos. Com essa eleição, Nelson Mandela tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul.

Acho que esta foi a maior lição que um líder poderia dar ao seu povo, unificando a todos. Graças a Nelson Mandela, Desmond Tutu, Oliver Tambo e outros, existe agora uma identidade sul-africana. E a melhor mostra disso, além do esporte, são os festivais, a música e a comida, que é a fusão de todas as culturas que vivem em um único lugar.

A culinária sul-africana é fortemente baseada na carne. Um evento social tipicamente sul-africano é conhecido como churrasco ou braai (nome africano), apesar de nunca ser igual ao nosso. O país também é um grande produtor de vinhos, sendo que alguns dos seus melhores vinhedos encontram-se em vales em torno de Paarl, Barrydale, Stellenbosh e Franshoek.

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O que dizer mais? Somente quando você mora na África do Sul, convive com todos e participa da vida local, para sentir isso. Sentir a grandeza do povo que escolheu a reconciliação para viver unido, a nação arco-íris de Nelson Mandela, tata Madiba, o pai da nação. Em suas palavras:

“No one is born hating another person because of the colour of his skin, or his background, or his religion. People must learn to hate, and if they can learn to hate, they can be taught to love, for love comes more naturally to the human heart than its opposite.” – Long Walk to Freedom.

“Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, de sua origem ou de sua religião. As pessoas podem aprender a odiar, e se elas podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar, pois o amor vem mais naturalmente para o coração humano do que o oposto.” – Long Walk to Freedom.

Sawabona!

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