Especial BPM – O que eu levaria para o Brasil?

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Hoje as colunistas falam sobre o que elas gostariam de levar com elas do país em que estão morando, se estivessem voltando para o Brasil: sistema de saúde, educação, disciplina, integridade? Vamos ver:

Debora, Nova Iorque, EUA 

Se eu voltasse para morar no Brasil hoje eu iria querer levar Manhattan inteira na minha mala! E sofreria por isso ser absolutamente impossível… Mas primordialmente eu levaria a excelente educação que as escolas e universidades de NY têm, a eficiência do transporte público e, claro, a segurança! Não tem preço morar em uma cidade segura como NY; mesmo com os atos terroristas que desde 2001 assombram a cidade, eu me sinto super segura morando aqui, seja de dia ou a qualquer hora da noite. Essas coisas que eu levaria trariam um futuro melhor, diminuição da criminalidade, uma vida mais digna e a liberdade de viver sem medo aos brasileiros.

Erika, Islândia

Eu levaria a simplicidade da sociedade islandesa, que se assemelha demais à dos países escandinavos, só que aqui não há nem monarquia para se dizer que alguém tem regalias ou privilégios. Políticos, artistas famosos, intelectuais etc, andam na rua sem guarda- costas, compram na mesma padaria que o pedreiro ou o lixeiro ou que eu. O presidente mora numa casa que não tem muro nem vigia, ninguém tem motorista nem dezenas de assessores, e os filhos de todos frequentam a mesma escola. Ah, e o sistema de saúde é único e todo mundo, todos mesmo, vão aos médicos e hospitais públicos sem o menor problema, porque não há outra opção.

Renata, Abu Dhabi

Pensando rápido e sendo gulosa: as tâmaras e a comida, sendo poética: o pôr do sol, nada se compara ao do deserto, é um espetáculo belíssimo. Sendo menos impulsiva: eu levaria o exemplo de nação que eles são e criaram. Há exatos 44 anos atrás os 7 Emirados Árabes não passavam apenas de areia , sem projeção mundial ou perspectiva porém com um homem visionário (Sheik Zayed) que queria mudar a História. Fizeram do limão uma limonada, aproveitaram o maior recurso natural que tem: o petróleo, atraíram profissionais do mundo inteiro para o país trazendo desenvolvimento , tecnologia e diversidade. Aproveitaram a posição geográfica para atrair turistas ocidentais e orientais, colocando definitivamente Dubai e Abu Dhabi no mapa e não param de crescer e perceberam que juntando forças se vai mais longe. Determinação, perseverança e atitude definem bem esse país e como eu queria isso para o Brasil…..

Juliana, Warwick, Inglaterra

Uma das coisas que mais gosto de morar fora do Brasil, precisamente na Inglaterra, é a sensação de poder ser quem eu quiser. As pessoas não se importam se você está de pijama, se colocou maquiagem. Acho que precisamos de um pouco disso no Brasil. Além disso, levaria comigo o hábito de não passar roupas e de não me incomodar caso esteja um pouco enrugada. Olha que economia de tempo e dinheiro! Um hábito que adquiri aqui e que gostaria de ter quando morava em terra tupiniquim era o de me voluntariar com as mais diversas causas. Acho que esse, de todos, é o melhor hábito que poderia levar de volta para o Brasil, pois faz bem para mim e para muitos outros. É só ganha-ganha.

Christine, China 

Se eu fosse embora da China hoje, o que eu gostaria de levar comigo, só que não é tão simples assim, é a segurança, o poder andar nas ruas sem medo, independente da hora do dia ou da noite, e também a rapidez e agilidade deles de fazer as coisas. Seu smartphone quebrou? Vai ali no shopping de eletrônicos e em 15 minutos está tudo resolvido. É inexplicável, não sei como conseguem, mas isso facilita muito nosso dia a dia. Mas… Na real, de concreto, quando for embora levarei muitos vasos chineses, minha paixão.

Kely, Áustria

Acredito que quando a gente mora fora do Brasil acaba sempre absorvendo parte da cultura do lugar que optamos por morar. Se voltasse hoje para o Brasil levaria comigo várias coisas entre elas: o uso de lenço de papel, o costume de tirar os sapatos antes de entrar na casa das pessoas, a organização dos transportes públicos integrados e com passagens subsidiadas pelo governo, sistema tributário, sistema de “aluguel” de carrinhos em aeroportos e supermercados onde se usa uma moeda de 1 ou 2 euros,e depois quando se devolve o carrinho se retira o seu dinheiro, o respeito pelas coisas públicas, o sistema educacional público. Na verdade aqui tem tanta coisa boa para copiar que acho que seria mais fácil perguntar o que eu não levaria.

Fernanda, Cingapura

Levaria de Cingapura a educação, organização, senso de respeito ao próximo,a disciplina dos cingapurianos e a capacidade de ser globalizado e ao mesmo tempo tradicional, que faz com que a convivência em sociedade seja quase perfeita e que se espalha por todos que aqui vivem, incluindo nós brasileiros. Além disso, levaria comigo se pudesse todos os produtos cosméticos asiáticos que não vendem no Brasil! Do sudeste asiático em geral, levaria a mentalidade budista da população de cidades como Bali, Siem Reap e todas cidades da Tailândia, que mesmo sofridos com a pobreza estão sempre felizes, e as cidades urbanamente caóticas, são locais onde a Paz e o sentimento de tranquilidade reinam.

 

Joy, Chile

Se eu voltasse para o Brasil, levaria comigo cada pôr do sol na Cordillera de la Costa ou no Oceano Pacífico. Carregaria a cada dia a imagem da majestosa Cordilheira dos Andes com ou sem neve e essa sensação de inferioridade perante a natureza que ela me causa toda vez. Mas o mais importante que levaria daqui é a família que criei com meu marido. No fim das contas, não importa para onde vamos, o Chile sempre estará comigo.

Vânia, Suécia

Eu levaria muitas coisas da Suécia para o Brasil, assim como traria outras para o país dos vikings. Mas devido à atual situação política e econômica do Brasil, com certeza, eu levaria os políticos suecos para lá já que a Suécia é o 3º país menos corrupto do mundo. E o Brasil? Bom, ele nesse quesito está quase no final da fila, amargando a 76ª posição de acordo com o último relatório Transparency International de 2015. Pois é, quem sabe um dia esse sonho vire realidade, né?

Aline, Perth, Austrália

Levaria o Tim Tam (um chocolate australiano maravilhoso), e uma coisa que aprendi na Austrália, que é viver com menos. Nunca fui apegada a bens materiais, mas aqui aprendi a viver com bem menos e precisar de poucas coisas. A vida aqui é muito “outdoor”, valoriza-se mais a natureza e as pessoas do que o “ter”. Inclusive com as crianças é assim. Ninguém faz festa cara de aniversário, todo mundo vai para o parque junto e passa o dia lá, muitas vezes, cada pessoa leva um prato para dividir. Fica mais barato e simples.

Cíntia, Holanda

Se tivesse que voltar ao Brasil “importaria” da Holanda em primeiro lugar o conceito de economia. Os holandeses são mestres em economizar: troca-se por exemplo garrafas pet e/ou vidro por descontos nas compras de supermercado, mercados e sites que vendem objetos e roupas de segunda mão são bem populares; passeios de bicicleta e piqueniques também são bem comuns, entre outras inúmeras coisas. Holandês adora um desconto e de uma forma geral não são exageradamente consumistas, por isso ganharam fama de pão duros, mas na verdade o que acredito é que existe um consumo consciente. Levaria comigo também a maneira mais tranquila que eles têm de encarar as adversidades. Aceitam que fazem parte da vida e “tocam para frente” sem fazer alardes e lidando com a situação da melhor maneira possível.

Wendy, Noruega

O conceito da Lei de Jante é difundida em toda a Escandinávia. Na Noruega é conhecida como Janteloven; um código de comportamento social enfatizando a modéstia, a coletividade, e igualdade social. Em essência, ela sugere que ninguém é melhor do que o outro, e que não devemos nos vangloriar e nos achar superiores por qualquer razão em relacão ao outro. É difícil imaginar Janteloven em um contexto brasileiro, porque muitas vezes vemos em nossa cultura um foco muito grande no status social, nossas realizações e aquisições individuais (eu tenho isso, eu consegui isso, por exemplo). Leva-se um tempo aqui para perceber interesses exclusivos de cada pessoa, porque eles falam muito pouco sobre si mesmos por receio de parecer demasiado e arrogante em relação às próprias conquistas. As pessoas quase nunca falam “eu”, normalmente dizem “nós” para enfatizar o coletivo e a igualdade quando se trata de assuntos sociais. Apesar de ser completamente normal e saudável nos orgulhar do que conseguimos conquistar ao longo da vida, eu aprendi com os noruegueses que ser humilde e modesto tem o seu lugar, também. E por isso, levaria comigo o Janteloven para o Brasil.

Thais, Qatar

Eu não levaria nada palpável mas com certeza gostaria te ter comigo a vida sem grandes preocupações que as pessoas têm aqui. Para todos os problemas a mesma resposta ” Inshalá bucra” (Se Deus quiser amanhã), esse amanhã pode ser, de fato, no dia seguinte ou pode ser que seja na semana que vem, no mês que vem e por ai vai. Sem estresse. Para os imediatistas (eu inclusa) isso é uma tortura, mas tenho aprendido o significado de paciência e cada dia dou mais valor as coisas que acontecem em seu tempo, sem pressão e de acordo com a vontade de Deus.

Carolina, França

As diferenças culturais entre o Brasil e a França são colossais. Cada país possui suas particularidades. E é exatamente isso que faz o mundo ser tão belo: a diversidade caminhando com o respeito ao próximo, sem julgamentos que impeçam uma rica troca cultural em que todos os lados só tem a ganhar. Dentro do contexto de intercâmbio de modos de vida, acredito que os brasileiros poderiam aprender com os franceses a valorizar mais seu próprio país, deixando de lado aquele estigma de que somos o patinho feio da história. O velho ditado de que a grama do vizinho é mais verde é uma realidade em nosso país. Basta um rápido olhar para a Europa e de imediato criticamos nossa pátria. Como diz meu pai, não há como nos compararmos com o velho continente. A razão é que qualquer país europeu tem muitos mais anos de estrada do que o Brasil. É natural que hoje tenhamos muitas dificuldades que eles já superaram. Os franceses aprenderam a duras penas a amar sua pátria. Não foram poucas as superações em sua história. Como brasileira, digo que precisamos urgentemente aprender a nos amar para que possamos acreditar no nosso potencial e fazer o país decolar.

Rosana, Nova Zelândia

É difícil definir apenas uma coisa que eu gostaria de levar da Nova Zelândia para o Brasil. O ideal seria poder colocar no bolso a sementinha da honestidade, a consciência das pessoas com a natureza, o respeito que os kiwis têm por eles mesmos e os hábitos alimentares saudáveis. Como brasileira, amo meu país, mas acho extremamente difícil viver para os outros em uma sociedade onde se trabalha arduamente com pouco retorno e que se convive com a corrupção dia após dia. Como não seria possível simplesmente transportar daqui essas coisas para o Brasil, se eu fosse embora da NZ, levaria muitas lições aprendidas, hábitos adquiridos, incontáveis fotos para recordar, um bom vinho “Pinot noir” produzido por aqui, uma barra de chocolate e muitas histórias na mente e no coração.

Joice, Índia

Depois de cada viagem você volta trazendo mais lembranças na alma do que na mala. Cada lugar tem algo de especial: as pessoas, a comida, o artesanato, os belos lugares turísticos, os costumes… O que levar da Índia? Levaria para o Brasil os tuck tucks que são um transporte rápido, barato e a cada trajeto você tem muitas histórias para contar. Levo a certeza de que não precisamos ser tão consumistas para ser felizes. Levo as pessoas amáveis que cruzaram meu caminho e torço para que no mundo tenha mais bondade e mais boa vontade em ajudar. O principal que levo é gratidão, gratidão por tudo! Pela vida, por valorizar um banho quente, a água potável, um sorriso, valorizar sua refeição, uma amizade, seu lar, sua saúde. Valorizar e respeitar a fé de um povo que em meio a tantos motivos para se revoltarem é um povo batalhador e gentil.

Cristiane, Dinamarca

Acredito que cada lugar em que estivemos, seja viajando ou morando, de alguma forma nos modifica e nos transforma se mantivermos nosso olhar, pensamento e espírito abertos. Cada lugar que eu visitei e onde morei no mundo me trouxe algo de bom e isso me faz ser quem sou. A Dinamarca tem muitas coisas que eu poderia escolher, porém eu levaria o princípio fundamental da lei de Jante: ninguém é melhor que ninguém. Se no Brasil pudéssemos ter essa consciência de equidade e humildade, teríamos menos desigualdade social, menos necessidade de se impor pelas aparências ou posses, menos soberba por ocupar cargos proeminentes ou por possuir mais que o outro e mais gente satisfeita. Acho que é isso que nos falta, essa consciência social de que somos tão importantes quanto o outro.

Beatriz, Finlândia

Em todo o lugar que moramos, deixamos um pouco de nós e levamos conosco um pouco do lugar. Já morei em três cidades e me parece que se pudesse misturá-las com São Paulo, onde nasci e cresci, a vida seria perfeita. De Oulu, Finlândia, eu levaria o céu. Claro que sei que o céu que vejo aqui é o mesmo que vejo de qualquer lugar do mundo – mesmo sol, mesma lua, mesmas estrelas. Mas neste lugar tão ao norte, a beleza se revela de uma forma muito diferente e minhas maiores surpresas e deslumbres acontecem quando olho para ele. O céu é rosa, laranja, azul claro, preto. O por do sol é encantador. A lua aparece grande e cheia de brilho. As estrelas brilham mais e é claro, às vezes a aurora vem nos visitar, dançando toda verde (e roxa) no céu. Eu nunca saio de casa sem olhar para ele e sempre que avisto o céu rosa da janela do meu quarto, eu paro por alguns segundos para apreciar. E o sol, no inverno, que ainda me indaga por nunca ficar a pino e só escorregar no horizonte até sumir no meio da tarde? Pode ser que o céu daqui não tenha nada de mais, mas se eu pudesse, eu levaria esse céu comigo para São Paulo, uma cidade onde, ao olhar para este mesmo céu, vejo uma camada cinza de poluição.

5 Comentários

  1. Eu, da Hungria, gostaria de levar a segurança e tenho a teoria de que a segurança que temos aqui está diretamente ligada à educação pública de excelente nível, acessível a todos e acredito também que tenha ligação à licença maternidade, que são de 3 anos. Os húngaros acreditam (eu tb) que os 3 primeiros anos são importantíssimos para a formação do caráter da criança e por isso, a mãe (ou o pai, é possível ficar um pouco de cada) devem ficar ao lado do filho nesse tempo. Carregaria comigo a mentalidade que eles tem sobre o trabalho. Aqui se trabalha menos que no Brasil, os horários de comércio são reduzidos e as pessoas passam mais tempo em família, em parque com os filhos. São muitos e muitos parques, sempre cheios de famílias. Eu acredito que esses valores tenham uma relação direta com a segurança e pessoas emocionalmente mais equilibradas.

  2. Texto maravilhoso, o que mais me impressionou foi a unanimidade em relação a igualdade social e segurança. Moro na cidade de São José dos Campos- SP e infelizmente falta muita segurança …algo que é muito visivel por aqui é de como as pessoas são apegadas a status, bem materiais.. trabalho com publico e sinto isso na pele.. Mas para que a situação do Brasil melhore é preciso que cada brasileiro também mude seu comportamento e valorize o que de fato vale a pena.

  3. Eu da Finlândia levaria o modelo educacional da escola infantil/elementar finlandês. Levaria também essa mania de ser honesto (sabe, aquela ao avesso de ser malandro no Brasil?), o hábito de recusarem farsa em todos os níveis da sociedade, levaria a capacidade de serem tolerantes, de gostarem e exigirem lógica, de terem fé em algo sem absolutamente aceitarem nenhuma seita, dízimo ou religião na própria vida (agnosticismo teísta). Levaria o senso de igualdade entre homens e mulheres.

    Do ponto de vista prático, muita coisa funciona bem na Finlândia por frequentemente aplicarem arquiteturas de administração e auditoria de recursos (ERP – Enterprise Resource Planing software) que otimiza ao máximo os recursos e funções do serviço público (transporte, educação, saúde), usa-se da melhor maneira possível os recursos nacionais, contribuinte e virtualmente eliminam-se as chances de corrupção por auditoria automática. Se eu (ou alguém) um dia conseguisse levar isso para o Brasil, teríamos uma super potência em mais ou menos 4 anos: todo o tecido nacional entra em uma reação em cadeia de melhoria de serviços a custos próximos ao zero onde trapaças são evitadas na fonte, como fazem indústrias de sucesso como a Apple, Google etc. Um país assim país foca no resultado da qualidade administrativa como objetivo de “lucro” em Índice de Desenvolvimento Humano.

  4. Amei esse texto e me fez refletir muito. Me vi um pouquinho em alguns dos textos das colaboradoras..mas com certeza vivendo no Canada eu posso ter a certeza de que viver com menos consumismo esta sendo um grande aprendizado pra mim. Posso viver aqui mto bem e com menos !!

    Grasiela M Vicentini

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