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Violência contra a mulher

Violência doméstica e contra a mulher pelo mundo

Infelizmente violência doméstica e contra a mulher não acontece apenas no Brasil.

As estatísticas estão aí para nos mostrar, com horror, os números que vem crescendo ano após ano.

  • É estimado que 70% de mulheres pelo mundo já tenham sido vítimas de alguma forma de violência feita pelo parceiro.
  • Um estudo feito em países no Oriente Médio e Norte da África mostrou que homens que vivenciaram violência doméstica cometida pelo pai contra a mãe durante a infância tem 3 vezes mais chances de fazerem o mesmo na idade adulta.
  • Pelo menos 200 milhões de meninas e mulheres foram vítimas de mutilação genital.
  • Aproximadamente 15 milhões de adolescentes entre 15 e 19 anos foram vítimas de sexo forçado e apenas 1%, de acordo com base em pesquisas feitas em 30 países, procurou ajuda profissional.
  • Pelo menos uma em 3 mulheres pelo mundo, no decorrer da sua vida, foram vítimas de sexo forçado, de violência física ou alguma outra forma de abuso.
  • 38% de feminicídios pelo mundo são cometidos pelo parceiro.
  • 59 países não possuem leis contra o assédio sexual no trabalho.
  • A presença de um arma aumenta a probabilidade de homicídio em 500%

Países tidos por “seguros e desenvolvidos” como a Austrália tem um número alto de casos. E ainda pior, mais de 40 países pelo mundo vários africanos e do Oriente Médio incluindo Iraque, Irã, Qatar, Síria, República do Congo, Costa do Marfim e Burkina Faso, entre outros, não tem sequer uma lei contra violência doméstica.

No Quênia por exemplo, a polícia prefere não investigar casos de violência doméstica os considerando “problema de família”.

Apesar do número alto de países que ainda permitem que a mulher esteja em uma posição desprotegida na sociedade, de acordo com o Banco Mundial, nos últimos 25 anos, 118 localidades foram removidas dessa lista, passando a ter alguma forma de lei e proteção.

Violência doméstica pelo mundo

“Ele falou que eu estava usando uma saia muito curta, que isso não era roupa de mulher direita; depois, me bateu… já faz duas semanas, mas ainda estou toda roxa… meu olho desinchou, meu lábio também… Achei que eu iria morrer ali no quarto, pensava no desgosto que eu iria dar para minha mãe, quando a noticia de que eu havia morrido chegasse ao Brasil, mas não era minha hora. Consegui fugir. Quando o celular dele tocou, corri e gritei feito uma louca pelo corredor do prédio, mas ninguém veio me ajudar. Fui para a rua toda ensanguentada e consegui chegar na casa de uns amigos que moravam ali perto e, graças a Deus, um deles estava em casa, o que foi minha salvação. Ele me levou para o hospital.”

Assim como M., milhares de mulheres pelo mundo vivem nesse ciclo vicioso de medo, violência e perdão. Habituadas a negar a gravidade do problema, depois de cada episódio de abuso acabam desculpando o agressor e o ciclo recomeça.

Violência contra as mulheres na Austrália

Os números de violência doméstica na Austrália são tidos como vergonha nacional. Entre os anos de 2014-2016, 264,028 casos foram registrados, porém o Australian Bureau of Statistics’s revelou que 80% das mulheres que foram vítimas de algum tipo de violência não registram o ocorrido por medo de vingança do parceiro.

Violência contra as mulheres no Reino Unido

  • 1.3 milhões de mulheres são vítima de violência doméstica por ano.
  • Em 2017 pesquisas feitas apontam que 10% de jovens mulheres entre 16-19 anos são vítimas de alguma forma, todos os anos.

Violência contra as mulheres nos Estados Unidos

  • Entre 960,000 e 3,000,000 é o número de casos de violência doméstica registrados nos Estados Unidos, todos os anos. Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas sejam vítimas todos os anos.
  • Os dez estados com maior número de feminicídios até 2010 são: Nevada, Carolina do Sul, Tennessee, Louisiana, Virginia, Texas, Novo México, Havaí, Arizona e Georgia.
  • Várias pesquisam apontam que os casos de violência doméstica são maiores em famílias com policiais.

Violência contra as mulheres na Alemanha

Quase a metade das mulheres que vivem na Alemanha (42%), já sofreu violência psicológica. Engana-se quem pensa que a violência psicológica é menos grave. Reduzir a autoestima de uma pessoa é o mesmo que quebrar em mil pedaços sua identidade. É também violência, mas as armas são palavras.

Ainda no mesmo patamar, 40% das mulheres na Alemanha, já passaram por agressões físicas e/ou sexuais. Apenas um terço daquelas que se machucaram, procuraram ajuda médica especializada. Quase a metade (47%) das mulheres que sofreram violência sexual, não contou a ninguém.

Violência contra as mulheres no Chile

O Chile, historicamente, é um país bastante machista e conservador, tanto que ser mulher atualmente é uma luta diária para romper com uma série de estigmas, mulheres que pensam por si mesmas e tem opinião própria ainda são vistas com muito assombro. Infelizmente, como em vários países, a mulher ainda é considerada um objeto ou uma propriedade privada.

Este tipo de situação é tão comum que até pouco tempo atrás, o piropo (como se denomina, em gíria chilena, o assédio às mulheres nas ruas) era considera parte da cultura local, como se fosse algo intrínseco que todas as mulheres deveriam aceitar como elogio. Tanto que as cifras de agressão física e psicológica nos relacionamentos são bastante altas.

Violência contra a mulher na Finlândia

São mulheres quase 70% das vítimas de violência doméstica e de violência cometida por um parceiro íntimo na Finlândia. Essa é uma informação pública cujo artigo encontra-se disponível em língua inglesa aqui. A publicação, de maio de 2016, mostra que, em 2015, houve 8.794 casos de denúncias de violência doméstica às autoridades finlandesas. Este número representa um aumento de 6.7% em relação ao ano anterior. 67,9% das vítimas foram mulheres. Considerando somente os números referentes à violência doméstica contra adultos, 32,3% dos casos ocorreram entre casais casados, 22,6% entre casais que moram juntos, 11,6% entre casais divorciados e 14% entre casais separados que moraram juntos. O número de vítimas do sexo masculino foi 950 e do sexo feminino 4.300. Destes casos, cerca de 1.300 são reincidentes.

Violência contra a mulher na Suécia

A Suécia é tanto na teoria quanto na prática um país onde a igualdade de gêneros é levada muito a sério. Isso deveria significar que a violência contra a mulher tem índices muito baixos por aqui, certo? Não. Errado!. Estudos feitos entre 2014 e 2015 apontam que a violência contra a mulher cresceu cerca de 36% nos últimos 5 anos. Durante 2014, 22 mil mulheres fizeram boletins de ocorrência contra seus parceiros em toda a Suécia. As estatísticas mostram que em 85% dos casos a agressão parte do companheiro ou companheira (esta última no caso de relacionamentos homossexuais) e que o ato agressivo acontece na maioria dos casos dentro da própria casa. Um dado intrigante neste contexto é o aumento da violência contra a mulher em relacionamento entre casais idosos, acima de 70 anos.

Leia mais sobre violência contra a mulher em outros países:

Países mudando as leis

A Jordânia e o Líbano apenas em 2017 mudaram a lei que permitia que o estuprador não fosse condenado desde que se casasse com a vítima por um período de cinco anos, na Jordânia, a chamada Lei do Estupro.

O que nos leva a pensar: como em pleno 2018 ainda possam haver países sem leis que protejam as mulheres ou tenham alguma que ao invés de proteger a vítima de violência ainda a deixe com mais sequelas como no caso de casar com o estuprador.

A resposta é simples: países patriarcais onde leis são decididas por homens, que ainda nos dias atuais não vem casos de violência contra a mulher como crime, com isso não havendo a necessidade de legislações adequadas.

O que fazer?

Se você estiver sendo vítima de violência entre em contato com alguma associação na região onde mora para pedir ajuda. Você não está sozinha, infelizmente muitas mulheres passam por essa situação todos os dias. Existem várias ONGs pelo mundo que dão assistência às mulheres que estão passando por casos de violência.

O Brasileiras Pelo Mundo tem um diretório listando dezenas de associações de apoio às vítimas de violência, em vários países. Entre em contato se necessário ou se conhecer alguém que seja vítima, passe a informação. Saber que é possível buscar ajuda e proteção pode ser o primeiro passo para encerrar um relacionamento ou acontecimentos abusivos.

Fontes:

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