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EUA – Trabalhando em Seattle: minha experiência

Ao sair do Brasil, a questão que mais me afligia era em relação ao trabalho. A transferência do meu marido foi o motivo da nossa mudança, por isso eu achava que estava abrindo mão da minha carreira e dando vários passos para trás. Como profissional de comunicação, gerenciei publicações especializadas e organizei eventos. Dominava o mercado brasileiro, principalmente em relação à rede de colaboradores e regulamentações. Só que, ao mudar, bateu uma enorme insegurança. Minha autoconfiança ficou no Brasil.

Cheguei aqui desanimada. Com o tempo, porém, comecei a entender como as coisas funcionam. A Grande Seattle é uma região próspera e tem um dos menores índices de desemprego nos Estados Unidos. A área de TI é uma das queridinhas da economia local. Muitas vezes comparada ao Vale do Silício, aqui se encontram inúmeras startups e empresas conhecidas e de importância econômica como Microsoft, Amazon, Expedia e Nintendo. Google também expandiu seus negócios para a região. São milhares de vagas. Só para se ter uma ideia, estima-se que a Amazon empregue em torno de 100 mil pessoas; Microsoft, cerca de 50 mil; Google, ao redor de 2 mil. Esses números se referem apenas aos empregos diretos. Há ainda um enorme mercado de serviços terceirizados que contrata profissionais para diversas áreas como suporte de vendas e administrativo, tradução e localização, atendimento ao cliente, testes, coordenação e gestão de projetos.

Stephen Brashear/Getty Images
Sede da Microsoft em Redmond, WA

Embora temporários, esses trabalhos, na minha opinião, são ideais para entrar no mercado de trabalho (vale lembrar que é preciso ter autorização de trabalho). Em geral, a remuneração é por hora e a extensão do contrato varia conforme a empresa e o projeto. O que mais gosto nesse modelo de contrato é a possibilidade de trabalhar em projetos diferentes. Aí fica mais fácil descobrir o tipo de trabalho que você gosta de fazer.

Conhecimento de tecnologia é importante, mas não é necessário ter formação na área. Pela minha experiência, percebi que ser graduado é requisito mínimo e mestrado, um diferencial. Como muitos produtos são desenvolvidos para mercados internacionais, há oportunidades para quem é fluente ou nativo em diversos idiomas, inclusive português, um nicho bacana para quem ainda está insegura com o inglês.

Quem tem experiência em tradução e bom texto pode se dar bem no mercado de technical writing. Neste caso, conhecimento em tecnologia (softwares e games, principalmente) para fazer a tradução, edição e revisão de textos técnicos são extremamente bem-vindos, assim como formação em letras e conhecimentos de linguística. Há cursos de certificação na área: Bellevue College e University of Washington (UW) oferecem não só aulas presenciais, mas também online.

A área de localização de softwares (localization), cujo foco é adaptar softwares a diferentes mercados e idiomas, é outra opção de carreira. O conhecimento do mercado alvo, usuário, idioma são fundamentais. Assim, nada melhor que nativos para conduzir esse tipo de trabalho, que é feito por diversos profissionais, técnicos ou não. Por isso, é uma opção para quem domina o idioma, mas não tem formação em tecnologia.

Nesse segmento de localization, a otimização de ferramentas de busca (Google e Bing), dentre várias outras funções, é um nicho legal para estrangeiros. O trabalho consiste em avaliar (julgar) os resultados das buscas de usuários de internet de mercados-alvo. A remuneração pode não ser das melhores, mas muitas vezes oferece flexibilidade de horário ou até a possibilidade de trabalhar em casa. Os requisitos são simples: conhecer o mercado alvo e o idioma, gostar de navegar na Internet e dominar os programas básicos (Word, Excel, Outlook).

Suporte ao cliente em mercados internacionais também contrata quem é fluente em outros idiomas além do inglês. Como há carência de profissionais que queiram trabalhar em atendimento e falem outra língua, as empresas nem sempre exigem experiência.

Vivência em gestão de projetos também abre portas, a maioria na área de TI, mas há espaço para profissionais em outras áreas como comunicação e marketing (agências de propaganda se concentram em Seattle), operações, procurement. Fica a dica: certificação em gestão de projetos (PMP, Agile) é, sem dúvida, um diferencial.

Claro, nem só de tecnologia vive Seattle (veja destaque abaixo), mas para mim esse mercado foi a porta de entrada para voltar à ativa. Não é a área de comunicação, minha raiz profissional, mas foi uma boa descoberta. Passada a insegurança inicial, entendi que o conceito de “carreira” é mais do que uma curva ascendente no mesmo nicho de mercado. É possível criar novos caminhos e trabalhar em áreas nunca antes exploradas. O importante é saber usar suas habilidades e experiência para se desenvolver, independentemente da área. No meu caso, mudar de país sem ter um emprego certo foi o empurrão para sair da zona de conforto e descobrir que dá para ser feliz fazendo coisas diferentes.

Quem está por aqui?
Só para citar algumas empresas:
Seattle: Amazon, Nordstrom, Starbucks
Bellevue: Expedia, T-Mobile, Paccar (fabricante de caminhões)
Redmond: Microsoft, Nintendo of America
Issaquah: Costco (maior varejista dos Estados Unidos)
Renton: Boeing (a sede mudou para Chicago, mas sua maior divisão continua em Renton)

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11 comentários

William Santos Julho 29, 2015 at 9:21 pm

Flávia, muito está sendo comentado recentemente sobre uma falha geológica análoga à falha de San Andrés, porém com uma condição de gerar um impacto muito maior nos estados de Washington e Oregon. Pelo que li, a última grande destruição aconteceu por volta do ano 1.700, quando apenas alguns indígenas habitavam a região, e está prevista a próxima manifestação com grande magnitude para este século. O que se comenta aí em Seattle sobre isso? abs

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Rogerio Novembro 27, 2015 at 12:43 am

Flavia boa noite, voce teria disponibilidade para nos dar mais informacoes de como se aplicar a vagas na regiao de Seattle? grato.

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Françueldo Gama Março 5, 2016 at 2:42 am

ola, gostei bastante do artigo, aguardo mais dicas como esta, para mim que estou começando agora são dicas muito importantes, parabéns.

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Weslley Ribeiro Março 8, 2016 at 3:06 am

Olá,
Desculpa incomodar!
Achei seu blog interessante! Sou iniciante no marketing digital!
Será que não poderia passar no meu blog e comentar sobre como ficou!
Agradeço a atenção!
Espero contar com sua ajudar!
Obrigado 🙂

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Carla Julho 17, 2016 at 7:13 pm

Oi Flavia, muito motivador o seu texto! Dá um banho de animação e das possibilidades infinitas que temos na vida!

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Camila Setembro 30, 2016 at 9:20 pm

Oi Flávia. Muito bacana sua história. Gostaria de saber como é a carreira de marceneiro brasileiro aí? Vc acha q compensa investir?

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Cristiane Leme Outubro 8, 2016 at 12:54 pm

Olá. A Flavia parou de colaborar com o BPM.
Tente redirecionar sua dúvida para outra colunista dos EUA.
Edição BPM

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LEONARDO PACKER Abril 18, 2018 at 2:20 pm

Olá Flavia
sou Eng de Alimento e tendo trabalhado neste ramos muito tempo inclusive fora do Brasil , pex em Angola e gostaria muito de trabalhar fora do BRASIL , PEX o USA . Oque vc poderia me recomendar neste ramo para futuro contato ai .

Resposta
Liliane Oliveira Abril 18, 2018 at 2:29 pm

Olá Leonardo,
A Flávia Cesário infelizmente parou de colaborar conosco.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta
Pedro Julho 6, 2018 at 4:33 pm

Alguém sabe informar sobre trabalho para marítimo em Seattle????

Resposta
Liliane Oliveira Julho 8, 2018 at 11:44 pm

Olá Pedro,
A Flávia Cesário parou de colaborar conosco, mas temos outra colunista em Seattle chamada Gabriela Albuquerque que talvez possa te ajudar.
Você pode entrar em contato com ela deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
Obrigada,
Edição BPM

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