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Maternidade na Austrália

Ser mãe é uma das maiores aventuras que a vida nos oferece. Engravidar na Austrália é uma jornada diferente que no Brasil, como escrevi no meu post “Gravidez na Austrália”. Primeiramente, falarei um pouco sobre o parto.

A regra no sistema público de saúde – e para a maioria dos médicos particulares -, é optar pelo parto normal. Se a mulher quiser marcar a cesárea, como acontece frequentemente no Brasil, só particular. No público, a cesárea só em caso de emergência. Aqui na Austrália existe uma grande discussão sobre a cadeia de intervenções, como se diz. Cadeia de intervenções são as diferentes formas de amenizar as dores de contração o que, muitas vezes, leva à cesárea. Por exemplo, a oxitocina desacelera o trabalho de parto fazendo as contrações se tornarem muito mais doloridas do que sem ela, o que leva a mulher a implorar por anestesia epidural. E como desacelera o parto, após algum tempo sem avanço, pode levar à cesárea. Mas isso é tema para um próximo – bem polêmico – post.

Eu optei pelo parto natural. Meu sonho sempre foi um parto sem intervenções. Eu inclusive contratei uma doula para auxiliar no processo. Comecei a sentir contrações fortes às 6h e, às 15h20, minha pequena Amanda veio ao mundo. A equipe do hospital foi fantástica; a parteira da manhã me ofereceu analgésicos uma vez. Eu fui educada, mas bem ríspida com ela, pois no plano de nascimento que fiz com minha médica dizia “se eu quiser alguma forma de remédios, eu pedirei. Não pergunte”. A parteira da tarde foi maravilhosa. Me incentivou, falou coisas lindas para me ajudar durante as contrações. E eu tive o parto que sonhei.

Logo na maternidade já começamos a ter uma ideia do apoio e suporte oferecido para as mães aqui. Enfermeiras vinham conversar conosco o tempo todo, ver se estávamos bem e se precisávamos de algo com a bebê. Especialista em amamentação, uma vez ao dia e disponível para tirar quaisquer dúvidas; cursos no hospital, visita do pediatra. Todo bebê que nasce na Austrália recebe do governo o chamado “purple book” (livro roxo) que contém todas as informações do bebê até os 6 anos de idade, quando vão para escola. Perguntas, informações, websites úteis para os pais, carteirinha de vacinação, tudo está lá.

Ficamos 5 dias no hospital, pois, conforme a própria enfermeira nos disse eles acham cruel mandar uma mãe de primeira viagem em casa sem ter descido o leite. Achei muito legal. Meu leite desceu no quarto dia, no quinto, fomos para casa. Já saímos do hospital com horários marcados para a parteira, consultora de amamentação irem em casa. Isso mesmo, irem em casa.

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Minha pequena. Foto: Arquivo pessoal.

Primeira semana em casa, recebemos a visita das duas. Basicamente, a parteira checa o bebê e a mãe e como estão indo os primeiros dias, como estamos, se o bebê esta ganhando peso e fica disponível para conversar e tirar dúvidas. A consultora de amamentação ajuda, óbvio, na amamentação, no estoque de leite, como tirar leite, etc. Após essa primeira visita, vemos a parteira a cada seis semanas na subprefeitura do nosso bairro, e a consultora de amamentação vem em casa mais uma vez.

Fora esse suporte médico, ainda temos os “Mother’s group” (grupo de mães) e “Play Group” (Grupo para brincar) o qual são organizados pelo governo local, de graça, a fim de reunir as novas mães para dividir experiências e se conhecer.  Eles também dão palestras sobre os primeiros meses do bebê. Esse órgão do governo que organiza os grupos, oferece também uma grande diversidade de palestras e cursos, alguns de graça; outros, pagos. Eu uso muito o serviço deles no trabalho com minhas crianças, e agora como mãe. Eles têm psicólogos e educadores à disposição para tirar dúvidas, por telefone e pessoalmente também.

Purple book (livro roxo). Foto: Arquivo pessoal.

Fora todo o suporte do governo, é muito comum quem vem te visitar, trazer comida, ajudar com a louça ou arrumar a casa. Na primeira visita que a doula fez, ela lavou a louça, trouxe pão e ajeitou a cozinha. Uma fofa. As meninas do meu trabalho trouxeram comida também; fizeram chá, lavaram a louça (dá para ver que sempre tenho louça suja em casa rs). Achei isso sensacional, pois honestamente, o suporte que precisei no começo da vida da Amanda foi com a casa, não com ela.

De todo suporte que tive aqui, a parteira foi a mais maravilhosa, pois conversou comigo sobre minhas convicções e indicou uma homeopata fantástica. O grupo de mães também é demais; fiz grandes amizades lá, desabafei mil vezes e me identifiquei mais mil. Morando fora, os amigos tornam-se a nossa família.

Outra coisa muito comum aqui é os bebês irem para childcare (escolinha maternal) para socializar. Perth tem 30% de sua população constituída de estrangeiros ou australianos de outras regiões que migraram para cá. O governo australiano reembolsa parte da mensalidade gasta em childcare, dependendo da renda da família.

A licença maternidade é paga exclusivamente pelo governo e pode ser de seis meses remunerado ou um ano não-remunerado, mas a empresa é obrigada, legalmente, a manter sua vaga. O valor é um salário mínimo (em média $2.500 por mês).

E por último, é muito comum as mulheres, após a licença maternidade, trabalharem meio período para passar mais tempo com o bebê. Conheci CEO’s que trabalham meio período e dividem o cargo com outra mãe que também trabalha meio período.

Por todo o suporte que recebemos, sinto que há um incentivo à maternidade aqui na Austrália. Qualidade de vida, vida simples e apoio, tanto do governo quanto da sociedade em geral, fazem ter um filho algo tão mais maravilhoso.

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6 comentários

Carolina Agosto 1, 2017 at 2:51 pm

Pode passar dicas de enxoval na Australia??? Obrigada!

Resposta
Aline Arruda Outubro 25, 2017 at 12:01 pm

Carolina, o que precisa saber? 🙂

Resposta
Dianna Outubro 18, 2017 at 2:28 pm

Aline, muito linda sua história!
Fiquei encantada com o serviço público dai. Digo isso porque moro no Canadá/Toronto e aqui infelizmente eles são bem impessoais. Ficar no hospital depois de ter o bebê, jamais. Salvo se tiver algum problema. Bom conhecer o sistema de outro países.
Deus os abencoe!?

Resposta
Aline Arruda Outubro 25, 2017 at 12:01 pm

Muito obrigada, Dianna.
O privado é bem melhor, e no público, se você teve parto normal, pode ir embora no mesmo dia. Mas em geral eles são bem humanos mesmo.
Amém, beijos

Resposta
CLAUDIO MESSIAS DA COSTA MESSIAS Abril 4, 2018 at 11:50 pm

Aline Boa noite, lindo seu relato, estou querendo fazer um curso de ingles em Sydney, e fazendo algumas pesquisas cheguei nesta sua pagina, e foi muito bom pois minha esposa esta gravida e quer ficar uns dias comigo e voltar para o Brasil, eu te pergunto se é que pode me ajudar, se ela der a luz na Austrália com visto de turista, ela pode requerer um visto permanente pela nacionalidade do bebe, e este pedido pode e estender a mim também, sei que a senhora não é uma consultora, mas estou em busca desta informação e estou com dificuldade para conseguir saber, muito obrigado,
Atenciosamente,
Claudio Messias e Paula Roberta

Resposta
Liliane Oliveira Abril 5, 2018 at 11:40 pm

Olá Claudio,
A Aline Arruda parou de colaborar conosco, mas temos outras colunistas na Austrália que talvez possam te ajudar.
Você pode entrar em contato com elas deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta

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