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Psicologia

Mudar de país por amor

Mudar de país por amor.

Chegou uma mensagem e começa a emoção de ler o que a pessoa escreveu do outro lado. A imaginação corre solta e por alguns instantes vivemos naquele mundo longe dos nossos problemas cotidianos. A mensagem evolui para um call no skype, meio sem graça. A gente se arruma para o call como se fosse para sair: toma banho, passa perfume, coloca maquiagem e retoca o batom quando começa o barulhinho da chamada.

Assim começam milhares de histórias de amor pela internet. E muitas vezes a relação evolui para algo sério, ainda que à distância. Algumas evoluem para viagens transatlânticas para se conhecer pessoalmente e passar algumas semanas de férias. E algumas vezes evoluem para uma decisão importante: mudar de país e encarar a relação a longo prazo.

Antes de mais nada, é preciso reconhecer que mudar de país e largar tudo não é para qualquer um. É preciso ter um grande espírito de aventura e despreendimento. Esta é uma atitude difícil de tomar e o sucesso não está garantido. Há várias dificuldades e desafios em mudar de país, viver num lugar onde muitas vezes não falam a sua língua e com diferenças culturais; algumas delas você nem imaginava, porque quando visitou o país estava de férias e tão apaixonada pelo príncipe gringo que nem conseguia pensar direito. O sucesso é possível, mas é preciso dedicação, paciência, vontade de que dê certo e preparação.

Antes de tomar uma decisão desta importância, sugiro algumas reflexões sinceras e honestas. Converse com as pessoas queridas. Com certeza você tem amigas, famliares ou colegas que conhecem a sua história. Converse e ouça com o coração aberto. Claro que algumas terão inveja – mudar de país para estar com alguém é o conto de fadas moderno. Mas muitas vezes as pessoas queridas e que te conhecem vão te dizer se você está se precipitando, se aventurando demais ou se acham que você está preparada para um passo destes. Ouvir não significa fazer o que os outros dizem: longe disso. Ouvir significa abrir o coração e ser humilde o suficiente para entender que às vezes há coisas que estão diante de nós mas não conseguimos ver. Se as pessoas queridas conhecerem o pretendente, melhor ainda. Ouça com o coração aberto, mas saiba que a decisão é sempre sua: com todo o ônus e o bônus.

Conheça a cultura. Quero dizer que você deve procurar conhecer tanto a cultura para onde você vai como a sua própria cultura. Se mudar do Rio de Janeiro para Porto Alegre já é um choque enorme em termos de clima, tipo de comida, atividades de lazer, oportunidades de trabalho e distância da família e amigo; imagine mudar de continente e país onde você pode não falar o idioma, pode não poder trabalhar logo e depender dos rendimentos do seu parceiro, não ter família e amigos perto se ficar doente, passar invernos frios ou verões infernais.

Identifique tudo o que você gosta aonde você mora e compare com as mudanças que você enfrentará: se você gosta de calor e vai para um país do norte da Europa, saiba que as temperaturas são muito mais baixas e durante o inverno há poucas horas de sol. Saiba quais são as suas prioridades, o que você não quer mudar de jeito nenhum e o que você pode abrir mão.

Faça um “test drive”. Se possível, fique alguns meses no país do seu amado para sentir como é o dia-a-dia. Tenha objetivos claros do que você quer saber: ritmo da cidade, custo de vida, abertura das pessoas para estrangeiros e não só. Este tempo de “test drive” vai te dar a oportunidade de ver como vocês dois, como casal, funcionam no dia-a-dia: como é a dinâmica, como são os comportamentos quando há problemas, como são os amigos e a família dele.

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E isso vale para você também. Você sabe como é no seu ambiente, com seus amigos e sua família. Não seria surpreendente se você demonstrar reações e comportamentos diferentes do seu “normal” quando estiver fora do país.

Na Hora H. Todas as precauções e reflexões foram feitas. A decisão foi tomada, a passagem comprada, a carta de demissão assinada e o frio na barriga está instalado. Converse com seu parceiro sobre seus receios e medos. Pensem juntos numa forma de fazer a adaptação ao novo país o melhor possível. Veja com o país para onde você vai se precisa de visto, qual o tipo e se pode trabalhar. Combinem o jogo em termos financeiros, pois pode ser que você não possa trabalhar ou conseguir logo um trabalho. Começar a adaptação fazendo um curso (de idiomas, uma pós graduação ou cursos livres) é uma excelente opção para se integrar com a comunidade local, ter uma atividade, fazer amigos e se sentir útil. Se você está acostumada a trabalhar, ficar ociosa num país estrangeiro pode dificultar sua adaptação.

Procure apoio. Isso tudo começou com a internet, certo? Então procure grupos de estrangeiros (brasileiros ou não) como o Internations que podem ajudar a navegar nestas novas águas. Muitas vezes, quando o parceiro é do próprio país, ele tem dificuldade em entender determinadas diferenças culturais. No Brasil é normal dar beijinhos no rosto como cumprimento. Em outros países, quando as pessoas se conhecem dão um aperto de mão e às vezes nem isso; e podem achar que um beijo é invasivo.

Como brasileiras podemos achar que as pessoas são frias e pouco receptivas, mas simplesmente a cultura é assim. Estar em contato com outros estrangeiros ajuda a entender estas questões. Mas atenção, não é para fazer um muro de lamentações. Ficar reclamando das diferenças culturais não é produtivo e acaba sendo uma perda de energia. Aproveite esta aventura para aprender mais sobre si mesma e sobre o mundo!

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13 comentários

Aline Sahin Novembro 17, 2014 at 4:09 pm

Oi, Débora. Meus parabéns pelo texto. Adorei e compartilhei em todas as minhas redes sociais. Você tocou em aspectos cruciais dessa aventura de namoro virtual e mudança de país. Meu namoro não começou pela Internet, mas eu deixei o Brasil para me casar e morar na Turquia. Então, me identifiquei bastante com o que escreveu. Gostaria de poder conversar com você por email ou Facebook. Vou deixar meus contatos aqui, caso você tenha interesse. Meu face https://www.facebook.com/akma.sixcor.3 e meu e-mail [email protected] Beijão!

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Flavia Agosto 26, 2016 at 4:01 pm

Oi vou deixar gostaria muito de saber como foi pra vc pq estou apaixonada por um cara da turquia e ele por mim ,nunca nos vimos pessoalmente tenho medo de nunca poder ve-lo me ajude ..

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Cristiane Leme Agosto 26, 2016 at 7:34 pm

Flavia, a Aline voltou ao Brasil e parou de colaborar conosco. Ela não escreve mais sobre a Turquia, nem mesmo no seu blogue pessoal. No momento estamos sem colaboradora no país.
Edição BPM

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Carla Mussallam Al Masri Novembro 17, 2014 at 5:42 pm

Em arabe Dahab , quer dizer ” ouro ” . Bom, conheci meu marido em uma viagem de ferias no pais dele e de meus avos , e foram dois anos de algumas viagens e convivencia p/ ter tomado a decisao de sair do Brasil casar e ficar com ele .

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Nathalia Novembro 18, 2014 at 2:02 pm

Mt bom o seu texto! Essa historia de namoro virtual é bem complicada, as pessoas não devem decidir as suas vidas baseadas apenas no relacionamento virtual, elas têm que conhecer bem a outra pessoa e o outro país, no caso, conhecer a família e o melhor é conviverem um tempo na mesma cidade pra saber se vai dar certo. Meu caso é um pouco diferente, conheci meu namorado num intercambio de 6 meses, e então podemos conviver e até viajar juntos (acho que viajar junto ajuda mt a conhecer a pessoa em diversas situações), até q tivemos que voltar pros nossos países, ele é do Chile (pelo menos não é tão longe) e eu já sabia espanhol (apesar de que o espanhol chileno é bem diferente hahah) então agora namoramos a distancia ha mais de um ano, ele já conheceu minha familia e eu à dele. E se tudo der certo alguém vai ter que mudar de país (e nessa fase em que o Brasil se encontra, eu prefiro mudar daqui, msm sabendo do clima frio e msm preferindo a comida brasileira, pelo menos já morei 6 meses fora e já tenho uma idéia de como é estar longe). E a minha idéia é essa que vc falou de fazer algum curso lá na minha área (to terminando a facul ainda). Por isso leio vários relatos de brasileiras que moram fora, adoro esse blog XD Bjos

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Cleo Vassiliou Novembro 18, 2014 at 7:53 pm

Oi Deborah,

Adorei seu texto e me identifiquei com vários pontos que listou. Apesar de ter conhecido meu marido no Brasil, numa das viagens dele a trabalho, namoramos por muitos anos (digo muitos mesmo…rs…) pela internet. Claro que nos víamos com frequência e o máximo que ficamos separados foi por um período de 46 dias, mas nos falávamos TODOS os dias e várias vezes. Algumas por telefone e também usávamos skype, hotmail, yahoo, etc. Acho que todos os chats possíveis foram usados por nós.

A mudança de país, mesmo conhecendo bem a cidade para qual mudei, pelo menos achava que conhecia muito bem, foi difícil a adaptação e como você mencionou é impressindível a compreensão e apoio do parceiro. Até porque nós é que estamos no espaço do outro e nós é que temos que nos adaptar ao diferente, mas nem sempre conseguimos acelerar o processo de adaptação. Eu mesma me questionei sobre viver aqui e preciso concordar contigo que precisamos contar com nosso parceiro porque se não fosse pela dedicação e compreensão do meu marido, teria voltado ao Brasil.

Já faz mais de 4 anos que moro aqui 😉

Beijocas

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Pequena Gi Novembro 18, 2014 at 9:43 pm

Excelente post, Débora. Tão completo que arrisco dizer que suas palavras são válidas para os relacionamentos brasileira + estrangeiro independente de como tudo começou.
Parabéns pelo texto.

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Carol Novembro 19, 2014 at 7:31 am

Excelente! Reconheci muito do que passei no começo da vida com meu marido. A melhor coisa a se fazer, com certeza é o test drive! Eu escrevo muito no meu blog sobre o meu romance e muita gente com um caso parecido acaba ficando inspirada e quer achar resposta na minha história. Com o tempo, percebi que é algo perigoso, pois cada caso é um caso e seus conselhos são perfeitos! Apesar de meu romance ter sido meio louco e rápido, ouve muita conversa, testes e a família toda conheceu o pretendente antes que eu colocasse o pezinho para fora do país. Muito importantes os pontos que você enfatizou. Parabéns!
Beijinhos!

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andreia medina Novembro 20, 2014 at 3:38 am

ola !! gostei bastante do seu texto, sofri bastante por causa do preconceito de ter um relacionamento virtual, meu esposo na epoca meu noivo foi ao Brasil para nos conhecermos e dai sim noivarmos e nos preparar para casar. Muitos amigos falaram horrores dos estrangeiros foi bastante dificio e tbm a familia dele tinha resistencia por eu ser brasileira, talvez pensassem q eu fosse uma golpista ou cosa desa tipo, mas gracas a Deus vencemos a distancia e o preconceito alem logico do medo, vim pros EUA pela fe mesmo sem saber nada do idioma e na esperanca de q o homem dos meus sonhos era e de fato ele. Gracas a Deus temos um casamento abencoado, agora uma princesinha linda nossa promessa de Deus e uma vida modesta mas muito feliz. Para infelicidade de alguns estamos muito bem srsrrs mas para gloria de Deus estamos muito felizes. Relacionar se com alguem de outro pais e realmente um tiro no escuro , fico imaginando q nem todas q se arriscam tem a mesma sorte q eu , e eu ocnheco pessoas q infelizmente nao estao bm … mas o q me deu certeza foi a nossa fe em Deus de que eramos feitos um pro outro se nao fosse isso nao teria largado tudo para ser apenas uma simples housewife, mas particularmente nunca estive tao feliz quanto agora <3

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Julie Agosto 30, 2016 at 10:37 pm

Ao ler o post, me veio à mente tudo o que eu passei aqui nos US. Um verdadeiro filme de terror.
Larguei tudo no Brasil para viver com meu ex ( brasileiro-americano) nos US.
Nos conhecemos pela internet. Ele com um diálogo muito manipulador e sedutor me convenceu a vir morar com ele.
Virtualmente as pessoas refletem somente a imagem que elas tem de si mesmas, e nem sempre corresponde com a realidade, e assim eu acreditei naquela falsa imagem.
Quando comecei a conhecer o “ser”que existia naquele corpo, iniciou-se o filme de terror.
Ele era bem diferente e chegou a me agredir fisicamente.
Desperdicei 1 ano e meio com uma pessoa totalmente dispreparada para a vida.
Muitos relacionamentos virtuais podem dar certo, mas acredito que 95% é um tiro no pé, pois os homens que buscam mulheres na internet não estão preparados para um relacionamento e não pensam nas consequências.
Abraços desde US.

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FRANCISCA GUERRA Junho 26, 2017 at 12:08 am

CONHECI UM RAPAZ PELA INTERNET , ELE TRABALHA, E MORA EM UM ALOJAMENTO QUE A EMPRESA FORNECE.
ELE MORA EM DUBAI!
QUER QUE EU VÁ VISITA-LO E FICAR HOSPEDADA NO HOTEL EM QUE ELE TRABALHA.
ELE DIZ QUE NÃO TEMOS PROBLEMAS EM FICARMOS JUNTOS NO MESMO QUARTO DO HOTEL.
NOS VIMOS NO SKYPE, TENHO FACE DELE. POSSO GARANTIR QUE É A MESMA PESSOA.
MAS AS PESSOA DIZEM BARBARIDADES, QUE POSSO SER TRAFICADA E OUTRAS COISAS… FIQUEI COM MEDO E NÃO TENHO CORAGEM DE IR. ELE NO COMEÇO DIZIA QUE VIRIA PARA O BRASIL, MAS AGORA DIZ QUE NÃO, QUE O PAÍS NÃO TEM NADA A OFERECER A ELE.

Resposta
Ann Moeller Junho 27, 2017 at 8:20 pm

Ola Francisca, leia os textos sobre os perigos de relacionamentos online. Nem sempre tudo o que parece, é. Muita cautela. Muitas mulheres são sim traficadas e acabam desaparecendo ou sendo vítimas de maus tratos. Equipe BPM http://www.brasileiraspelomundo.com/category/relacionamentos-online

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Gabriela Corrêa da Silva Abril 3, 2019 at 3:06 am

Adorei o texto e os comentários também sempre são muito bem vindos
Conheci meu Namorado há 17 anos morávamos na mesma rua mas começamos a nos relacionar há uns 9 anos.. namoramos umas duas vezes e acabamos nos afastando pois éramos mais jovens e não queríamos ou eu não queria não sei kkk assumir um relacionamento sério.
E o destino nos uniu novamente há 6 meses
Ele mora há 2 anos na Guatemala
Sinceramente.. não é um lugar que me atrai porque houve se falar pouco de lá e moro tão bem em Porto Alegre
Estamos nos programando para ficarmos juntos de vez..
Eu farei sim um teste drive e acredito que irei sem medo desta vez.. o amor ultrapassa fronteiras.
@gaty_nh 😘

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