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Navratri, o festival da vida

Uma das coisas mais comuns aqui na Índia são os festivais religiosos. No segundo semestre acontece praticamente um por mês. Isso significa que eles param durante esse período para festejar e rezar. Em agosto tem o festival do Ganesh, que é o deus com cabeça de elefante, bem famoso no mundo todo. Eles festejam esse deus por 10 dias. Logo depois, vem o aniversário de Shiva, outro deus bastante importante por aqui, e também muito conhecido mundo afora. No começo de outubro é festejado o aniversário de Ghandi. E esse ano, outubro também foi o mês de um festival que se chama Navratri, e é sobre ele que vou contar um pouco para vocês. Esse festival, assim como a maioria dos outros, é determinado pelo calendário lunar.

Navratri significa nove noites. Nava = nove e ratri = noites. É um festival dedicado a deusa Durga, que os hindus acreditam ser “A Invencível”. Ela é a manifestação guerreira de outra deusa, chamada Adishakti, que é a Divina Mãe do Universo. Durante esses 9 dias e 10 noites, os hindus celebram as 9 formas de Durga. Cada dia é dedicado a uma forma da Deusa; cada dia é representado por uma cor diferente, e para cada dia, um ritual diferente também é praticado. O último dia do festival é chamado Dhussera, que é um dos feriados mais importantes na Índia. Nesse dia eles acreditam que o bem venceu o mal, então eles costumam queimar “os demônios”, que são representados por bonecos. Quando anoitece, eles se reúnem em algumas partes da cidade e queimam esses bonecos, que representam toda a forma de maldade.

Durante todos os dias desse festival, assim como acontece em outros também, eles costumam jejuar durante o dia. Cada pessoa ou cada família segue um ritual próprio. Alguns não comem nada; outros comem apenas frutas; e quem não é vegetariano deixa de comer ovos e frango. É uma forma de purificação do corpo e da alma.

O que mais me chamou atenção nesse festival foi que cada estado, ou cidade, celebra à sua maneira. Em algumas regiões, a celebração é mais comum e mais intensa do que em outras partes do país.  Aqui na minha cidade temos uma das maiores celebrações de toda Índia. Durante 9 noites eles festejam dançando Garba, uma dança típica do meu estado. O nome da dança significa “útero” em sânscrito, e o significado dela remete à gestação, à vida. Tradicionalmente, eles dançam em círculos, com uma lanterna, luz ou vela ao meio. O círculo representa o tempo para os hindus. Eles acreditam que existem ciclos de vida, ou seja, nascemos, vivemos, morremos e renascemos. Porém, eles acreditam que a única coisa que é eterna para eles são os deuses, nesse caso a deusa Durga.

Durante essas 9 noites, você pode dançar Garba em praticamente todos os lugares. Existem os grandes e famosos eventos, que atraem pessoas do mundo todo, e tem também os menores, organizados nos próprios bairros ou condomínios. As pessoas ficam enlouquecidas, só se fala em Garba, e geralmente começa depois das 22hs, e acaba oficialmente as 2 hs da manhã. No principal lugar para dançar, em 2015, em uma única noite tinham 45 000 pessoas. Todas dançando juntas, em círculo. Um espetáculo de cores e energia.

Falando em cores, é obrigatório o uso de uma roupa tradicional que eles chamam de Chaniya Choli. Chaniya significa saia, que deve ser muito rodada, bordada e colorida. Choli é uma blusa bordada e também muito colorida, tipo um top mais curto, porque mostra toda a barriga e as costas. E para finalizar, uma dupata, que para nós parece um lenço bem grande que elas prendem na saia e cobrem parte da blusa. Também faz parte do look muitas bijuterias, pulseiras, colares, piercings nos mais variados lugares, tornozeleiras, bindi (que são aqueles enfeites que elas colocam na testa entre os olhos), e um colar que elas usam na cabeça e que fica muito bonito. Ah … tem também uma bolsinha onde elas carregam celular e chave apenas, pois não é permitido entrar com bolsas e sapatos. Esses são coletados na entrada da festa.

Os ingressos para os lugares mais famosos são disputados meses antes por indianos e estrangeiros. Nessa festa, que é a mais famosa de todas, os ingressos para dançar esse ano custaram em média 5 dólares para as mulheres; para os homens, o preço é um pouco diferente, 50 dólares. E a renda é revertida para obras de caridade.

Posso afirmar que é mesmo um festival de celebração da vida. Nunca vi tantas pessoas tão felizes e animadas em um evento. E como é gostoso dançar o Garba !!! O ritmo é agradável e não dá vontade de parar. E você, não quer aparecer por aqui no próximo ano curtir conosco?

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4 comentários

Ana Paula Dezembro 29, 2016 at 10:24 am

Adorei o texto Bárbara! Esperando os próximos. ….Bjs.

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Zelma Francisca Torres Cruz Dezembro 29, 2016 at 6:17 pm

Que lindo texto Bárbara. Tive o prazer de presenciar essa festa e fiquei impressionada!

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LAURA CRISTINA VIZONI BOUDLER Dezembro 29, 2016 at 11:42 pm

Prazer de ler sua cadência Brasileira quando fala de dança e cores! Parabéns Ba, escritora de mão cheia com apurada curiosidade e empatia para absorver o melhor! Abração!

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LAURA CRISTINA VIZONI BOUDLER Janeiro 2, 2017 at 6:29 pm

Amei o artigos! Obrigada Ba! Já vou divir com as meninas por aqui! Beijão.

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