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Portugal

O que não te contaram sobre a vida em Portugal

O que não te contaram sobre a vida em Portugal.

Diante dessa imigração em massa para Portugal, será que não existem problemas?

Não precisamos de muitas pesquisas para perceber o tamanho da crise pela qual o Brasil está passando. Isso tem quase que obrigado as pessoas a deixarem tudo para trás em busca de melhorias, comigo mesmo foi assim.

Portugal tem sido a grande escolha da vez: o mesmo idioma, as lindas cidades, segurança, tranquilidade e, ainda por cima, o incentivo do governo português. Estima-se que em 2017 o número de pedidos de vistos cresceu em 50% desde o ano anterior. Mas será que não estamos superestimando Portugal?

Até pouco tempo atrás eu achei que estava sendo muito egoísta com essa oportunidade de
estar aqui e fazendo as coisas do jeito errado. Comecei a conhecer alguns brasileiros que se sentiam como eu e foi quando percebi que os problemas estão sim começando a aparecer.

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Facilidades

Mesmo morando em uma cidade pequena, eu tinha facilidades que não tenho aqui. Talvez algumas pessoas possam considerar supérfluo, mas talvez nem tanto. Uma das coisas que mais sinto falta, são as farmácias 24 horas. Aqui elas também existem, mas eis como
o sistema funciona: existe um plantão e se você precisa de uma farmácia na
madrugada, você tem que basicamente procurar ver qual está no plantão. Ao achar a farmácia de plantão, deve ligar pra ela. Enquanto no Brasil simplesmente sabemos onde está aberto e vamos lá, aqui não funciona assim.

Outra ilusão que tinha era que na Europa eu encontraria tudo que precisasse em todos os
mercados, com toda facilidade do mundo. Acreditem: encontrar esmaltes para unhas é um
pouco chato, encontrar cosméticos para cabelos cacheados é um caos. Eu não posso comer
glúten e no Brasil tinha imensa facilidade de encontrar opções de farinha e outras coisas. Aqui quando preciso comprar essas coisas, tenho de ir a um hipermercado, que fica bem longe, com a chance de ir lá e não encontrar o que preciso.

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Comida

A comida daqui é muito boa, mas legumes e frutas são um terror. Sinto falta das milhares de variedades de bananas, mamões, tangerina e todas essas coisas. No inverno no mercado só encontramos bananas, maçãs, peras e tangerinas; qualquer outra fruta custa uma fortuna.

Sabe aquelas opções de comida chinesa, tailandesa, portuguesa, árabe, mineira, feijão com
arroz que tem no Brasil? Não temos aqui. Diga-se de passagem: a comida é muito boa, mas é praticamente a mesma em todos os restaurantes. E opções de delivery? Existem, mas nem de longe temos aquelas mil opções que temos no Brasil.

Sistema de ensino

Eu vim para validar meu diploma, então me pediram que fizessem algumas disciplinas que faço juntamente com os alunos normais da graduação. Tenho certo encantamento por ver que todos os professores fazem parte de um centro de pesquisa dentro da faculdade. Isso não acontece no Brasil. E apesar de professores incríveis, estrutura maravilhosa e tudo mais, algumas coisas me incomodam MUITO. A primeira delas é a didática.
Falando da Universidade do Porto, as aulas teóricas funcionam assim: elas não são obrigatórias, o que faz com que os professores tenham que produzir materiais em Power Point e disponibilizem para os alunos. A parte ruim disso? Sabe aquele encantamento dos professores brasileiros? Que inventam histórias, conversam com o quadro, fazem quase um teatro da matéria? Aqui se resume em professores lendo slides, o que torna tudo bem massivo.

Outra coisa que me incomoda é que as avaliações aqui são quase escrituras sagradas. Depois de realizadas elas são mantidas na faculdade, a sete chaves, e se você precisar consultar seu desempenho, se prepare para um ritual de salas vazias, sem câmeras, sem movimentos bruscos. Nunca entendi o motivo disso.

Por último e não menos importante, as propinas. Sabe quanto pagamos em média a mais que um estudante português? Cerca de 3 vezes mais. Esse número por si só já diz tudo, não preciso entrar em maiores detalhes.

Aluguéis

Até pouco tempo tudo era considerado bem barato por aqui. O que tem acontecido é que a massificação do turismo em Portugal, e especificamente no Porto, tem feito os preços das moradias subirem exorbitantemente. Sinto uma desonestidade quanto a isso. Não estou dizendo que os portugueses não são honestos, pois são e muito. Mas no quesito aluguel eles deixaram de lado a política da boa vizinhança e resolveram cobrar preços desleais por lugares que não valem o que se cobra. Fazem isso principalmente devido à
elevada procura que tem surgido, sobretudo de brasileiros se mudando para Portugal e ainda devido ao grande crescimento do turismo. Nos padrões salariais portugueses é quase impossível pagar os preços que se pedem, o que tem afetado não só brasileiros, mas também os moradores portugueses da cidade que vivem em espaços alugados.

Leia também: Custo de vida no Porto

Preconceito

Esse é o último ponto e talvez o mais importante. Antes de me mudar eu lia coisas sobre isso e pensava: “Vou tirar de letra”. Bem, não foi assim que aconteceu. Precisamos falar que o preconceito existe, é real, e às vezes um pouco pior do que esperamos.

Nesses meses de Portugal eu ouvi todos os tipos de reações, mas duas são as principais: “Você é brasileira? Que alegria, eu amo o Brasil”; e a segunda não vem seguida de palavras, apenas de um leve revirar de olhos.

Os portugueses são discretos até nisso, eles não vão falar simplesmente que não gostam de você por ser brasileiro. Eles vão te tratar com antipatia. Inúmeras vezes eu sentei em cafés ou restaurantes e ouvi na mesa do lado como somos burros, como estamos roubando os seus empregos, como somos todos corruptos e isso sem citar o que se pensa sobre as mulheres brasileiras. É uma triste realidade e uma das coisas que mais decepcionou o meu sonho europeu.

Leia também: Ainda existe preconceito em Portugal

Tenho relatos de amigos que ouviram de funcionários públicos que já estavam de saco cheio de tantos brasileiros invadindo seu espaço. Ouvi na faculdade que não deveríamos estar tomando suas vagas já que viemos para cá estudar de graça.

É incômodo ver que todas essas afirmações são feitas sem conhecimento de causa, mas sinto que também somos culpados com as coisas que andamos divulgando por aí acerca de nós.

Sabe o ditado: Perco o amigo, mas não perco a piada? Podemos adaptá-lo ao nosso país
dizendo: Perco a credibilidade, mas não perco o meme.

E então, você está preparado para mudar de país?

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6 comentários

Patricia Fragoso Julho 6, 2018 at 2:44 pm

Olá Mariana. Estava lendo seu texto e vendo o quanto é importante ter essa outra visão do dia a dia de cidades e países. Em geral, nós brasileiros tendemos a ver a grama dos outros sempre como a mais verde e bonita. Passei por Portugal na minha primeira ida a Europa. Eu fui preparada(levei contracheque, reserva, seguro, imposto de renda), mas das varias pessoas que estavam na fila, eu fui a última a ser liberada. Mulher, negra, com rosto juvenil(tenho 48) certamente estaria indo fazer qualquer coisa … menos passar férias na Bélgica e Holanda. Deu tudo certo, mas observei isso. Na volta, já na área segura do aeroporto, entrei numa loja para comprar uma sacola maior. Uma funcionaria me atendeu, mas resolvi ver outras coisas, ai, feito aqui no Brasil apareceu um funcionário do nada como se estivesse me observando e seguindo. Comprei pq precisava, mas observei esse comportamento preconceituoso. Enfim, a gente vai vivendo e aprendendo que nosso país tem defeitos e problemas infinitos, mas os outros também têm. E por falar em frutas e legumes, a minha primeira viagem internacional foi ao Chile e de cara observei como nós somos ricos neste quesito.
Abraços e boa sorte.

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Mariana Romanholo Julho 12, 2018 at 1:13 pm

Olá Patrícia, infelizmente tenho ouvido muito esse relato. É triste, mas morando aqui também percebi que temos grande culpa no cartório. Muitos brasileiros vêm mesmo com o falta de respeito às regras dos países europeus de uma forma geral. A parte ruim é que somos todos incluídos no mesmo pacote. Além disso tenho percebido a importância de dizer que é bom, mas também é difícil. Muitas pessoas tem pensado na Europa como o Eldorado, e não funciona bem assim. Espero que tenha gostado do texto. Obrigada e um abraço.

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Marina Julho 12, 2018 at 5:25 pm

Mariana, olá! Meu nome é Marina e estou pensando em morar em Portugal. Atualmente moro no estado do Rio de Janeiro e esta tudo muito complicado por aqui. Os políticos só sabem roubar e não olham para a população, educação e saúde só acontecem para quem tem uma condição de vida no mínimo considerada classe média, nas TV’s só vejo tragédias diárias, fora a criminalidade que está altíssima! A qualidade de vida aqui muito baixa e no meu ponto de vista, não esta valendo a pena continuar tentando. Sei que muitas pessoas estão em busca de um país melhor, qualidade de vida e segurança e tem optado em morar em Portugal. Gostaria muito de informações sobre o pais e de algumas dicas. Mesmo com o preconceito existindo e outras coisas mais, acho que mesmo assim vale a pena tentar. Obrigada pela atenção!! =)

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Mariana Romanholo Julho 17, 2018 at 9:05 am

Olá Marina, entre em contato comigo por e-mail, que conversamos. [email protected]. Um abraço.

Resposta
Iris Lemes Novembro 15, 2018 at 4:45 pm

Olá Mariane, tudo bem? Fiquei muito feliz em encontrar uma conterrânea minha em terras lusitanas para saber do seu ponto de vista. Gostei do texto. Lendo ele me pareceu que falava do Brasil e brasileiros com seus preconceitos. Encontrei esse site enquanto buscava informações de Portugal. No mais, gostaria de saber o que você acha da segurança e corrupção da parte política daí. Um abraço.

Resposta
Liliane Oliveira Novembro 15, 2018 at 8:08 pm

Olá Iris,
A Mariana Romanholo parou de colaborar conosco, mas temos outras colunistas em Portugal que talvez possam te ajudar.
Você pode entrar em contato com elas deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
Obrigada,
Edição BPM

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