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Pós-graduação na Inglaterra

Desde minha primeira visita à Inglaterra – ainda adolescente – para estudar inglês, sempre soube que um dia iria voltar para morar. Desde o começo da minha graduação em Química eu tinha o sonho de vir fazer mestrado em Biotecnologia em terras inglesas, visto a tradição científica e de inovação que sempre me atraíram. Através do site do Education UK fiz uma pesquisa para achar o curso com o enfoque que estava buscando para minha carreira e acabei optando pela University of Essex, localizada na cidade mais antiga do Reino Unido, Colchester, a 45 min-1h de trem de Londres. A principal atração turística da cidade é o Colchester Castle, enquanto o campus da University of Essex fica localizado em Wivenhoe Park, zona leste da cidade.

Para os padrões das universidades britânicas em geral, se você tem mais de 21 anos ao iniciar a graduação ou 25 no caso da pós-graduação, você é considerada(o) como mature student , ou aluna(o) madura(o), baseado nas leis de créditos educativos oferecidos aos alunos britânicos.

Colchester Castle, principal atração turística da cidade
Colchester Castle, principal atração turística da cidade

Quando os britânicos resolvem fazer pós, eles emendam logo depois da graduação, enquanto que os brasileiros na maioria das vezes resolvem encará-la depois de alguns anos no mercado de trabalho, sendo que a pós, para os brasileiros, vem num momento no qual se busca dar uma alavancada na carreira ou uma mudança na trajetória professional.

No começo foi um choque essa coisa de aluna madura, já que o conceito que temos de alunos maduros é bem diferente dos britânicos, mas no dia a dia da universidade as coisas começam a fazer sentido. Um excelente benefício do qual podemos usufruir como alunos maduros é o Railcard 16-25, que custa 30 libras ao ano e dá 30% de desconto na tarifa dos trens daqui. Isso só é possível para quem passou dos 25 e está matriculada(o) em um curso com mais de 6 meses de duração. Como ando muito de trem por aqui, foi um investimento que valeu muito a pena.

Ao chegar no campus, comecei a explorar a vida social na universidade através das sociedades e clubes esportivos abertos a todos os alunos, mediante taxa de filiação, durante a Freshers’ Fair. As sociedades são grupos de alunos que se reúnem por conta de interesses em comum que variam desde cultura até política, e são uma boa forma de conhecer pessoas com os mesmos interesses que o seu. Se você pratica esportes, vale a pena explorar os clubes esportivos pelo mesmo motivo.

Estande da Mature Students Society na Freshers’ Fair 2013
Estande da Mature Students Society na Freshers’ Fair 2013

A mídia estudantil (jornal/rádio/TV) é uma boa alternativa e você nem precisa ter experiência na área, eles te dão todo o treinamento necessário. Eu faço parte da rádio da minha universidade junto a outros alunos maduros e/ou de pós, onde tenho um programa semanal que produzo e apresento e que me ajuda bastante nas atividades do meu dia a dia como doutoranda, em termos de desenvolvimento de competências e habilidades.

Quanto a acomodação, morei por 3 anos na universidade, em apartamentos mistos destinados a alunos de pós. Isso já ajuda bastante no processo de adaptação, pois sei de casos onde ocorre mistura de alunos de graduação e pós e os estilos de vida podem ser bastante conflitantes. Há uma mistura interessante de nacionalidades, idades e cursos e é uma experiência enriquecedora em todos os sentidos.

No mestrado eu era a aluna mais velha da minha turma e nem tinha chegado aos 30! Eu me sentia bem deslocada por causa da diferença de idade em relação aos meus colegas, pois muitos eram recém saídos da graduação. Já quando comecei o doutorado, existia uma sociedade de alunos maduros em Essex que era bastante ativa em termos de atividades sociais. Para mim foi um alívio poder ter contato com alunos tanto de graduação quanto de pós que estavam no mesmo barco do que eu e que vinham de outros departamentos, sem contar que ajuda e muito a aperfeiçoar o seu inglês e fazer amizades.

A experiência foi tão bacana que nos anos seguintes resolvi fazer parte do comitê executivo da sociedade, indo de representante dos alunos de pós a secretária, e isso me ajudou a conhecer melhor a dinâmica política da universidade.

Uma das questões principais que atingem os alunos maduros é o desconhecimento por parte da Students’ Union (ou Centro Acadêmico) das demandas deste grupo, desde o suporte acadêmico até a integração à vida social dentro do campus. Os sabbatical officers ou sabbs são normalmente alunos de graduação que geralmente têm pouca ou quase nenhuma experiência sobre o cotidiano dos alunos maduros.

Nesses anos todos que eu estou em Essex, pude ver alguns dos sabbs empenhados em conhecer e ajudar a mudar essa visão através de eventos para poder facilitar a socialização dos alunos maduros. Hoje temos uma associação de alunos maduros com um representante à nível de Students’ Union como intermediador, além da parte social.

É muito importante saber se sua universidade no Reino Unido tem um ponto de apoio para alunos maduros e/ou de pós, isso varia muito de acordo com o perfil da universidade. Seja uma sociedade ou uma associação de alunos, isso ajuda e muito na hora de lutar por direitos como qualquer outro estudante universitário, e isso pode reverter em uma melhor infra-estrutura e rede de suporte que são fundamentais para o dia-a-dia na universidade.

Nos meus próximos textos, vou contar com mais detalhes como foi a minha vida no mestrado e a minha experiência de fazer doutorado completo por aqui.

Espero que tenham gostado e até a próxima!

Leia mais sobre a Inglaterra: Tudo o que você precisa saber para morar na Inglaterra!

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8 comentários

Ana Barbosa Abril 1, 2015 at 11:20 am

Tatiana, adorei seu artigo. Apesar de não ter pós-graduação, tive a minha experiência universitária de Inglaterra. Meu segundo curso universitário e ja como beeeeem mature student!rsrsrsrsrs
Seu relato é bastante honesto e reflete bem a realidade do estudante que tem uma mentalidade mais aberta para buscar uma imersao e integraçao por completo com a cultura universitaria local. Assim como você, tambem me envolvi em sociedades/grupos diversos. Eu gostaria muito que houvesse maior exposicao e divulgaçao das experiencias de universitarios para informar e inspirar ateh mesmo os mais timidos e reservados, de tal modo que pudessem aproveitar e viver em sua totalidade o q eh a experiencia acadêmica na UK. Boa sorte na conclusao de seu curso Pós.
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Márcia Janini Abril 1, 2015 at 12:26 pm

Parabéns, guria!!!!! Muitas felicidades…. Adorei teu texto….

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Marcela Pontes Abril 1, 2015 at 7:04 pm

Muito bom seu texto! Deu pra ter uma idéia dessa questão de ser mature no meio de tantos novinhos…..pesam muito as diferenças no ritmo e estilo de estudo e trabalho entre pós e graduação. …….Parabéns! !

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Tatiana Oldfield Abril 3, 2015 at 11:20 am

Obrigada pelo feedback! Ser mature student tem um peso a mais dependendo do curso e área, sei de áreas cujos cursos de pós-graduação tem mais mature students do que outros. Nos meus próximos textos vou aprofundar o tema quando falar sobre o mestrado e o doutorado com mais detalhes porque tem um peso na dinâmica do curso.

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Carla Guanais Abril 2, 2015 at 8:59 am

Que legal! Somos colegas de profissão. Faço um doutorado em química na Itália, trabalho com sensores químicos e também sou uma aluna madura. Entrei no doutorado com 31 e aqui, aos 28 já são PhD. Mas vejo que acontece por serem universidades públicas, no fim meio elitizadas, como no Brasil. Entram na graduação logo após terminar o ensino médio, depois fazem o que seria um metrado (apesar de aqui nao existir igual) e depois já o doutorado. A adaptação e inserimento de quem vem de outro percurso é difícil mesmo, legal que aí tem um apoio a quem pertence a esse grupo.

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Tatiana Oldfield Abril 3, 2015 at 11:31 am

Opa! Mais uma química na área,que bacana! Eu trabalho com metaloproteínas,comecei meu doutorado com 29 e meus colegas no laboratório eram bem mais novos do que eu, saindo doutores com 24,25 anos (!!!) O que sinto é que o pessoal mais novo encara o doutorado como se fosse uma extensão da graduação e não tem aquela experiência fora do ambiente universitário que muitas vezes os alunos maduros tem e faz toda a diferença na sua visão frente ao curso.

Aqui na Inglaterra sinto que tem uma resistência grande em relação aos alunos maduros por parte da sociedade no que diz respeito aos locais,por incrível que pareça – e isso já começa pelos créditos educativos. E dentro do campus,é a questão de integração social/aprendizado e muitas vezes você ser alguns anos mais novo/mesma idade/ou até mais velho do que seus professores e orientador(a).

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Inglaterra – Mestrado em Ciência e Tecnologia Maio 14, 2015 at 4:46 pm

[…] prometido no meu primeiro texto para o blog, agora vou contar como foi a minha experiência durante o mestrado em Biotecnologia […]

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Priscilla Maio 31, 2016 at 2:30 pm

Tatiana, saudações. Achei bem bacana esse seu post. Estou indo de mudanca para inglaterra pois meu esposo está indo a trabalho. Sou engenheira Química e iria começar meu doutorado esse ano aqui no Brasil, todavia com essa mudanca pretendo cursar aí na Inglaterra. Se possível gostaria de saber quais os passos que vc seguiu para conseguir validar seu diploma ai. Se vc teve que ir encaminhada por uma universidade brasileira ou foi diretamente com as universidades daí. Ficaria bastante grata se pudesse me responder. Desde já, obrigada.

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