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    Home»Índia»Project Três e o trabalho social na Índia
    Índia

    Project Três e o trabalho social na Índia

    Carla SouzaBy Carla SouzaAugust 11, 2016Updated:October 24, 20171 Comment5 Mins Read
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    Colares produzidos pelo Project Três. Foto: acervo pessoal
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    Se alguém me perguntar o que me difere de qualquer outra pessoa no mundo, eu diria que foram minhas oportunidades de vida. Isso não significa, de forma alguma, que tudo que eu sempre sonhei aconteceu, ou que eu tive uma infância perfeita, ou que a minha família era rica. O que eu quero dizer é que desde a violência doméstica que eu sofri até as formas de cupcakes que eu lavei logo quando me mudei de país me fizeram ser exatamente quem eu sou hoje.

    Meu nome é Carla, sou brasileira, tenho 26 anos e atualmente moro na Índia realizando o meu projeto de empreendedorismo social chamado Project Três. Antes de entender sobre o meu projeto, é preciso entender um pouco sobre mim.

    Nasci no interior de São Paulo. Meus pais se divorciaram quando eu tinha 11 anos de idade e depois de um longo histórico de violência física e psicológica por parte do meu pai, restaram somente eu, minha mãe e meu irmão mais novo.

    Tivemos sérios problemas financeiros, mas com o suporte do meu avô materno continuamos a nossa vida, minha mãe trabalhando em tempo integral, enquanto eu e meu irmão estudávamos. Decidi que gostaria de estudar moda e com 17 anos me mudei da minha cidade natal. Terminei a faculdade no interior do Paraná, trabalhava na área de moda desde os meus 18 anos, já como estilista, e com 23 anos decidi que moraria em São Paulo, mesmo sem um emprego.

    Com o apoio da minha mãe e do meu avô, mudei de cidade, e após alguns meses, consegui o meu emprego dos sonhos. Na mesma época em que consegui essa vaga, meu avô faleceu. Foi um período bem difícil, mas comecei a trabalhar e estava feliz. Quase um ano depois, com uma posição invejável para os meus 24 anos de idade, algo parou de fazer sentido pra mim. Naquele momento nada mais parecia racional e eu decidi abrir mão da minha carreira, apartamento, do conforto de ter família e amigos perto de mim e me mudei para outro país, para experimentar a sensação de ser invisível.

    Foto: acervo pessoal
    Foto: acervo pessoal

    Mudei para a Califórnia. Uma das minhas melhores amigas de infância morava lá na época e me colocou em contato com um hostel que oferecia vagas de acomodação para voluntários em troca de algumas horas de trabalho por dia. Mesmo sem falar inglês, fui trabalhar lá e, em algumas semanas, essa mesma amiga me conseguiu uma oportunidade de trabalho num café.

    Comecei a trabalhar no café e obviamente eu era péssima. Nunca tinha trabalhado em nada que não fosse na área da moda, e do dia pra noite precisar decorar receitas de cafés não foi a tarefa mais fácil. Eu me sentia totalmente fora da minha zona de conforto profissional. Ainda assim, os donos do café insistiram na minha permanência; assim, comecei a trabalhar na cozinha, uma vez que não conseguia fazer as bebidas, ser caixa ou ocupar qualquer outra posição.

    Este período serviu como um retiro, como uma fase onde eu exerceria uma atividade muito distante da minha e que serviria para conceber o que de fato viria a ser o meu projeto de vida. Eu aprendi muito com as pessoas mais simples do mundo. Após um ano de muita reflexão, cheguei à essência do Project Três: um projeto social com foco na criação de um produto que transcende a moda, símbolo da reutilização de materiais descartados, do empoderamento feminino através do desenvolvimento e treinamento de habilidades de mulheres vítimas de abuso e violência, excluídas pela sua comunidade.

    Esse foi só o primeiro passo do que se tornaria meu projeto. Passei a trabalhar muitas horas extras por semana, alugar o apartamento de apenas um quarto que eu compartilhava com uma amiga e a produzir os primeiros colares que financiariam minha ida para a Índia.

    Minha conexão com a Índia veio de um fator determinante que me fez dar início a tudo. Ninguém consegue mudar o mundo se não mudar a si mesmo primeiro, e a minha mudança pessoal veio através do ioga. Depois de todo o trauma que o meu pai me causou eu deixava o meu sentimento por ele guardado numa caixa que eu não gostava de abrir. Quando eu decidi perdoar e deixar a vida seguir, independentemente do meu passado, eu consegui encontrar o meu sentido maior na vida. O ioga foi iniciado na Índia e em uma mistura de inexplicável conexão com esse país, um custo de vida muito baixo e todos os fatores sociais que envolvem a Índia -33% da pobreza mundial, com mais de 120 mil mulheres vítimas anuais de crueldade por maridos ou relativos e mais de mil ataques de ácido por ano -, o sentimento era não de que eu escolhi morar aqui e sim, de que fui escolhida pelo país.

    Eu outubro de 2015 fui ao Brasil para resolver questões burocráticas do visto indiano e para ver a minha família. No mês seguinte, embarquei rumo à maior aventura da minha vida, cheia de temperos, chás e vacas no caminho, com o simples objetivo de empoderar mulheres através do desenvolvimento de uma habilidade nunca antes aprendida.

    Assim nasceu o Project Três.

    Sinto a transformação em mim todos os dias. Através desse projeto eu tenho conhecido pessoas maravilhosas. Com ele tenho a oportunidade de praticar empatia e tolerância e a viver com menos ódio e menos barreiras. Toda essa transformação é muito importante. Vir para tão longe, saindo completamente da minha zona de conforto me fez ver como a gente acredita precisar de tantas coisas que, na verdade, a gente não precisa. Esta é minha maior transformação: o desapego. Quanto mais eu consigo desapegar, mais feliz eu me sinto.

    Acredito que todos querem fazer parte de algo maior para transformar a realidade em que vivem. Apoiar o Project Três pode ser uma das formas de contribuir para um mundo melhor. Estamos arrecadando fundos para que o nosso projeto continue. Para doar, clique aqui.

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    Carla Souza
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    Carla é do interior de São Paulo, tem 26 anos, e uma daquelas pessoas que não pensa duas vezes antes de mudar completamente o rumo da vida. Formada em Moda, trabalhou por 6 anos como estilista no Brasil, e após uma carreira de sucesso e um futuro promissor no mercado brasileiro, decidiu se mudar para a Califórnia para aprender inglês e mais sobre si mesma. Aprendeu tanto, que criou um projeto social intitulado Project Três, realizado na Índia desde dezembro de 2015, no qual ensina mulheres vítimas de diferentes formas de violência, como produzir colares a partir de materiais reciclados, criando assim uma fonte de renda para elas e sendo embaixadora do empoderamento feminino.

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    1 Comment

    1. Brenda Reis on September 22, 2016 11:52 am

      Parabéns pela inciativa e pelo interesse pelo próximo!

      Reply
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