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Quando colocamos a vida entre parênteses para viver expatriada

Quando colocamos a vida entre parênteses para viver expatriada.

Você já colocou sua vida entre parênteses? Eu já. E conversando com muitas mulheres que
vivem fora do seu país de origem (não apenas brasileiras), vi que isso é mais comum do que se imagina. Mas, afinal, o que significa, de fato, colocar a vida entre parênteses?

Esse fenômeno, muitas vezes, ocorre sem a gente se dar conta. Começa com um amanhã eu penso sobre isso; ah, mas vai dar tanto trabalho começar tal coisa!; e termina com um: nossa, o tempo passou e eu não fiz nada! Esse último pensamento vem acompanhado por um terrível sentimento de frustração.

Os filósofos dizem que, apesar de sermos mortais, insistimos em não aceitar que o tempo é
um recurso limitado, finito e que passa com certa velocidade. Ao fazermos isso,
postergamos atividades, projetos e desejos na crença de que haverá um tempo melhor para eles. Quando isso ocorre dentro de um planejamento, está certo. O problema acontece quando adiamos demais, sem nos dar conta disso; e depois nos arrependemos.

Quando se entra em um período de expatriação, a parte do casal que desistiu da atividade de trabalho que tinha anteriormente, o famoso “larguei meu trabalho para seguir meu marido”, por exemplo, entra em um momento de vida em que pode ter uma centena de escolhas pela frente sobre o que fazer.

Por um lado isso é ótimo; pois, é uma janela de oportunidades que nunca teria sido aberta se não tivesse existido uma expatriação. Nesse momento é possível repensar a carreira, o tipo e o local de trabalho. É possível, até mesmo, decidir não se trabalhar por um tempo, optar por um período sabático e se dedicar a aprendizados ou a hobbies. Ou apenas a cuidar da família, para quem tem filhos. E por aí vai.

Por outro lado, como diz o psicólogo norte-americano Barry Schwartz, em seu estudo “O
Paradoxo da Escolha”, opção demais nos paralisa. Tenho tanta liberdade para escolher que
acabo não escolhendo nada, com medo de que as outras opções sejam melhores do que
aquela que está em primeiro lugar.

Outro fato que contribui para nos desmotivar a começar algo novo nessa vida de
expatriado também tem relação com o tempo, mas justamente ao contrário. Eu me explico: em grande parte das vezes, um profissional é expatriado por um tempo limitado, que costuma variar entre 2 e 5 anos. Isso nos dá a ideia de que, já que não teremos muito tempo para fazer algo, é melhor nem começar. Dependendo da complexidade do projeto, essa limitação é perfeitamente adequada. Se considerarmos, mais uma vez, o tempo médio de entrega de permissões de trabalho, por exemplo, esse tempo total disponível fica ainda menor.

No entanto, é justamente aí que entram os parênteses. Pensando que o tempo não será
suficiente, ou que o esforço necessário para se sentir confortável para iniciar atividades
(quaisquer que sejam) em culturas onde acabamos de chegar é muito alto, consideramos
fortemente não fazer nada. E isso se aplica a vários setores da vida. Às vezes, até mesmo em coisas simples.

No meu caso, por exemplo, achando que só ficaria com meu marido por 2 anos na Italia,
alugamos um apartamento inteiramente mobiliado. O sofá da sala era lindíssimo, mas
altamente desconfortável. Chegamos a avaliar a ideia de pedir para a proprietária do
apartamento retirá-lo e comprarmos um novo. Porém, sempre tendo em mente que não
ficaríamos ali por muito tempo, nos sujeitamos ao sofá desconfortável por um longo
período, passando incontáveis tardes de domingo meio tortos, tentando nos acomodar da
melhor forma possível.

Leia também: Meu marido foi expatriado. E agora?

Ao final dos dois anos, ao invés de voltarmos para o Brasil, nos mudamos para França, e sem prazo para sairmos. Uma das primeiras coisas que pensamos foi: puxa, se a gente tivesse comprado um sofá bom e confortável, desde o início, teríamos passado um tempo ainda melhor na Itália, e sem dor nas costas!

Isso aconteceu com o sofá, mas poderia ter acontecido com a minha carreira de coach executiva e de vida. Quando colocamos nossos projetos, sonhos e desejos entre parênteses, consciente ou inconscientemente, corremos o risco de perder um tempo que não volta mais. Um dos sentimentos mais avassaladores na vida, do ponto de vista psicológico, é o arrependimento de não ter feito algo por aquilo que era importante para nós.

Realmente não é tarefa fácil iniciar um longo projeto quando temos tantas indefinições,
como as que são tão comuns na vida dos expatriados: vou me mudar novamente? Até
quando ficarei aqui? E se minha família não se adaptar neste lugar e precisarmos sair? E se
eu não conseguir dominar o idioma a ponto de me comunicar com fluência? Realmente, há
sempre muita dúvida sobre questões reais e importantes.

Porém, ao mesmo tempo, só existe UM tempo: o presente. Ainda que recordemos o
passado ou planejemos o futuro, tudo o que sempre existe é o presente. O que faço aqui e
agora é o que cria a minha realidade. Estar no presente não é tarefa das mais fáceis, mas é
extremamente gratificante. Ao focarmos naquilo que nos faz bem aqui e agora, nos damos
mais chance de viver em plenitude e com satisfação. É só aí que os parênteses deixam de
existir e de trazer, consigo, os riscos da estagnação e da frustração.

Como viver conscientemente no presente? Bem, isso é papo para um novo artigo. Mas já
deixo, aqui, uma sugestão. Respire, lentamente, três vezes; e, ao final, se pergunte: o que eu, realmente, quero agora?

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