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Um ano morando em Berlim

Um ano morando em Berlim.

Atualizando o meu primeiro texto no BPM sobre largar tudo e mudar de país, continuo sem trabalho e em busca de algo que eu realmente goste de fazer. Até lá, decidi trabalhar para mim, fazer coisas que me agradam, que me fazem sentir bem. Quero aproveitar essa fase que estou vivendo, essa oportunidade de conviver de perto com outra cultura. Quem passa por uma mudança dessas é muito privilegiado e estou tentando ver tudo por esse ângulo, com esse olhar. E não digo pela segurança, qualidade de vida e educação para os filhos, além desses pontos positivos, temos acesso a novidades, descobertas e aprendizados que enriquecem a experiência.

Acho que não tem sequer um dia que não faça algo novo, mesmo que seja uma coisa pequena, simples, como descobrir que a batata doce aqui é laranja; fazer caminhos alternativos; descobrir outros e fazer conexões entre lugares; experimentar os sabores da comida local; vivenciar as diferenças da rotina com filhos como, por exemplo, se você não levar a criança a cada seis meses ao dentista e passar dessa data e ela tiver algo, o convênio não cobre o tratamento.

Parece tão fácil viver assim, fazer tudo o que se tem vontade sem hora, nem data para nada. Pois bem, para mim, não é. E imagino que para todas as mulheres que passam por isso, também não. Se for, por favor, me dê a fórmula mágica. Esse trabalho de planejar seu dia, organizar sua agenda, sentir-se produtiva é um dos meus maiores desafios. Eu fico pensando que, quando trabalhava, fazia planos, traçava estratégias, acordava cedo, fazia mil coisas no mesmo dia e ao mesmo tempo. Cadê essa energia, onde ela foi parar e por que não faço isso por mim? Por quê?

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Reflito muito sobre este primeiro ano na Alemanha e ainda não tenho a resposta. Porém, tento entender o que acontece com meu dia a dia. Sobre emprego, por exemplo, acho que ainda não consegui porque o universo está me dando a chance de organizar primeiro o que é mais importante nessa vida para mim: eu, minha família, meu marido, meus filhos. Eu avalio que, quando trabalhava, o trabalho era uma distração e eu achava que estava tudo bem. Mas não, eu estava levando a vida, trabalhando enlouquecidamente. Cadê o tempo para mim, para meus filhos?

Eu acreditava que passear nos finais de semana, viajar nas férias, pagar escola, levar no curso de inglês e ainda proporcionar-lhes a prática de algum esporte era suficiente. Estava mais que bom. Precisei atravessar o oceano para descobrir que eles e eu precisávamos de muito mais do que isso. Precisávamos de convivência diária, de acompanhá-los chegando da escola, ficar perto deles durante a tarde, observar comportamentos e atitudes.

Outra avaliação que fiz é que, antes, podia colocar a culpa de todos os problemas que eu tinha no trabalho, pois não tinha tempo para nada. Hoje, não tenho mais essa muleta. Agora a responsabilidade é toda minha.

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E foi da maneira mais dolorida, nessa transição de migrar, de ficar sem trabalho, de ter todo o tempo do mundo para mim, que descobri que não tem culpado. A sua felicidade, seu coração, sua vida é responsabilidade sua. Nao podemos vitimizar nada. Muito menos colocar a culpa em alguma coisa ou alguém.

Também refleti que acompanhar a rotina dos meus filhos não é tarefa fácil, ver o quanto eu perdi me dedicando quase que integralmente ao trabalho e achando que passear, brincar um pouquinho e dar uma boa educação era o suficiente. Entendi que não é apenas isso. Conviver, estar perto, faz muito diferença. E, por favor, não estou julgando nenhuma mãe que migrou e continuou trabalhando loucamente ou, até mesmo, as mães que continuam nessa rotina no Brasil ou qualquer outro lugar do mundo. Eu acredito muito que é possível conciliar as duas coisas. O que estou tentando dizer é que eu me sinto assim e estou tentando transformar tudo isso que estou vivendo em algo muito positivo. Quero agradecer diariamente por tudo. Mesmo que alguns dias sejam mais difíceis e eu fique sem saber o que fazer.

Então, meu tempo de sofá, que eu mencionei no meu primeiro texto aqui, agora acabou. Foi bom, foi importante, mas, não podemos passar a vida assim. Agora eu tento me reinventar diariamente e fazer uma agenda que me agrade. Algumas atitudes que passei a ter:
• Sair de casa todos os dias, é lei. Fazer curso de alemão de segunda a sexta ajuda muito nessa meta.
• Ir, pelo menos, duas vezes por semana sozinha em alguma cafeteria bacana tomar um café ou chá. No local, ler um livro, escrever ou só observar apenas.
• Estudar o alemão em todas as oportunidades que tenho, aproveitando para ler as notícias no metrô, ver as frases dos anúncios, escutar rádio e assim por diante.
• Encontrar as amigas que fiz sempre que posso. Aqui falo sobre como as encontrei.

São pequenas atitudes, mas que fazem muita diferença. Se você estiver perdida, perguntando-se o que raios veio fazer nesse país, eu te desafio a criar pequenas metas. Pode ser algo do tipo, hoje eu vou pintar minha unha, para quem tem essa habilidade, ou vou começar a caminhar, voltar a correr, não importa. Depois de ter a meta cumprida, você vai se sentir bem, surgirão outras ideias e tudo vai começar a fazer mais sentido. Pode ser que você não encontre a resposta, como eu ainda não as tenho também, mas, pelo menos, você não vai ficar estacionada.

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