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Melhores momentos em nove anos de Chile

Entrevista na TV chilena

Melhores momentos em nove anos de Chile

Em outubro de 2021, completei nove anos morando em Santiago, a capital do Chile. Juntando com os nove anos que morei em Brasília, já são 18 vivendo longe da minha cidade natal, Porto Alegre. Todo gaúcho se acostuma a morar fora, ainda que sofra a cada fim de ano com as campanhas de Natal da rede de supermercados Zaffari. Costumo dizer que minha vida começou pra valer “no dia em que saí de casa”! Para provar que essa máxima é verdade, vou relatar algumas das experiências mais interessantes que vivenciei aqui no Chile.

Entrevista na televisão em 2014

Sou formada em Jornalismo e trabalhei muitos como assessora de imprensa. Foi assim que conheci meu marido chileno e também vários outros colegas de profissão mundo afora. No entanto, esse contato prévio não facilitou muito a minha vida profissional fora do Brasil. Prova disso é que eu entrei no mercado de trabalho chileno como professora de português para estrangeiros.

Trabalhei durante quase um ano em uma grande empresa chilena e, quando terminou esse período, comecei a procurar novamente trabalho. Uma amiga jornalista que tem um programa de TV numa emissora local me chamou, então, para uma entrevista, literalmente. Era o ano da Copa do Mundo no Brasil e ela achou que seria interessante divulgar meu trabalho para quem quisesse aprender o básico do idioma numa eventual viagem ao país.

Foi a primeira vez que me entrevistaram num canal de televisão em toda a minha vida! A experiência foi bem tranquila porque acho que os anos em sala de aula me ajudaram, além da minha experiência como comunicadora. Além dessa entrevista em especial, durante esses nove anos no Chile, já fui convidada várias vezes para dar entrevistas, ou escrever artigos em momentos importantes que vivenciei aqui no Chile.

Recentemente, concedi uma entrevista online para um canal de televisão para falar sobre o processo eleitoral no Chile. Também colaborei com um artigo sobre o plebiscito pela nova constituição, bem como a respeito da convulsão social de 2019. Outro tema recorrente nas minhas entrevistas é a gestão da pandemia no Chile, sobre o qual já falei diversas vezes.

Protestos em 2019

Um dos momentos mais marcantes ao longo dessa trajetória no Chile foram os protestos de outubro de 2019. Foi um período muito intenso aqui no país que ainda não terminou. Hoje, sentimos os efeitos daquelas manifestações ao longo do processo para elaboração da nova constituição.

Lembro como se fosse hoje daquele 18 de outubro. Acompanhamos durante todo o dia a repercussão dos protestos nas ruas. Circularam vários vídeos nas redes sociais mostrando pessoas destruindo as estações de metrô. Parecia aquele filme “Um dia de Fúria” com o Michael Douglas em que o personagem sai destruindo o que vê pela frente. Era um dia quente e, depois do trabalho, eu e meus colegas fomos para o chá de fralda de uma colega.

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Quando estávamos na nossa reunião, chegaram cenas do edifício da Entel (a companhia de energia elétrica) em chamas. Ouvimos muito panelaço e buzinas pelas ruas. A celebração terminou mais cedo porque seria difícil encontrar meio de transporte para a volta. Na saída, ao entrar no Uber, jamais esqueci da cena que presenciei.

Um dos meus colegas pretendia ir para casa utilizando o serviço de aluguel de bicicletas que o Banco Itaú oferece em Santiago. Ele nem conseguiu atravessar a rua porque um cara que caminhava pela calçada destruiu a única bicicleta disponível bem na nossa frente. Aquele foi apenas o começo de uma série de manifestações que iniciaram no Chile e diminuíram somente com a chegada da pandemia.

Copa América em 2015

Antes da convulsão social no Chile, o local usado para as manifestações era tradicionalmente conhecido por ser o ponto de encontro de torcedores após cada final de jogo de futebol, tanto da seleção principal, quanto dos grandes clubes chilenos. Foi ali que os torcedores se reuniram em 2015 para celebrar o primeiro título da Copa América na história da seleção chilena.

Lembro bem daquele dia quatro de julho porque nossa filha era um pequeno bebê e, por conta do campeonato, que seria sediado no Chile, compramos um tip top da “La Roja” (como é conhecido o selecionado chileno). Foi um momento muito especial e de muita alegria. Os chilenos amam futebol, assim como os brasileiros, e aquela geração fez história (e ainda faz)!

Copa América no Chile
Foto: Copa América no Chile 2015 (Arquivo pessoal)

Terremoto em 2015

Parece exagero, mas o ano de 2015 marcou a minha vida não apenas pelo nascimento da nossa filha, mas também porque se passaram vários acontecimentos importantes como o terremoto de setembro, mais precisamente no dia 16, bem na semana em que se comemoram as Fiestas Pátrias no Chile.

Minha mãe estava de visita hospedada no nosso apartamento e ela já tinha sobrevivido a um terremoto em 1976, quando morava na Guatemala, país de origem do meu pai. Lá, a magnitude do sismo foi de 7,5 graus. O do Chile foi 8,3 graus na escala Richter. Nós morávamos no 19º. andar, num edifício novo, com boa estrutura. Apesar disso, sentimos bastante o balanço depois que passou o terremoto.

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Minha mãe ficou super assustada! Nós estávamos sozinhas em casa. Quando começou a tremer tudo, eu estava na cama amamentando minha bebê. Geralmente, quando há um tremor (coisa muito comum no Chile), passa rapidinho. Quando percebi que não estava diminuindo e minha mãe estava ficando cada vez mais assustada, levantei e fui pra perto dela tentando mantê-la calma.

Não adiantou muito. Aqueles segundos, pareciam uma eternidade e só pedi para minha mãe abrir a porta (a primeira lição que a gente aprende quando mora em país sísmico) e tentar manter a calma porque logo iria passar. Quando terminou o tremor forte, o edifício ainda ficou uns segundos balançando como se a gente estivesse navegando num barco pelas ondas do mar.

Passado o terremoto, um vizinho passou de porta em porta perguntando se estávamos todos bem. Ufa! Foi um tremendo susto, mas passou.

Neve em Santiago em 2017

Quem conhece o Chile, sabe que é um país com um clima frio no inverno, onde se registra neve, especialmente, na cordilheira. Mas nevar em Santiago, a capital do Chile, não é algo nada comum e corriqueiro. Aliás, é algo totalmente fora do comum, mas foi exatamente isso o que presenciamos em 2017.

Foi no mês de julho, no auge do inverno, acordei cedo e pensei que estava chovendo. Tive a maior surpresa da minha vida ao abrir a janela da varanda e ver que estava nevando em pleno Centro de Santiago! Foi uma sensação incrível de novidade e conexão com esse país tão maravilhoso e surpreendente que escolhi para morar.

Logo que percebemos o que estava acontecendo, nos vestimos e fomos conferir de perto a neve. Primeiro, subimos no terraço do edifício para contemplar a montanha coberta de neve. Depois, descemos para constatar que tinha nevado bastante a ponto de cobrir o jardim do edifício! Foi um dos dias mais especiais ao longo desses nove anos de Chile.

Certamente, vivi outros acontecimentos aqui importantes e que poderiam estar nesse texto. Foi nesse período que viajei de trem pela primeira vez, me banhei nas águas geladas do Pacífico, pari em solo estrangeiro… Quem sabe esses e outros momentos vão estar nas minhas próximas lembranças porque, provavelmente, ainda terei mais uns bons anos morando aqui no Chile.

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