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A praticidade do dia a dia na Noruega

A praticidade do dia a dia na Noruega.

Uma das diferenças mais claras entre os estilos de vida brasileiro e norueguês é a forma como as famílias se organizam diante das funções domésticas do dia a dia. Enquanto nos lares de classe média brasileira é comum contar com a ajuda de empregados (ou pelo menos era até pouco tempo), na maioria das famílias na Noruega isso praticamente não existe.

Aqui na Noruega, há muitas décadas, desde o enriquecimento do país, e consequentemente uma maior igualdade social, a situação é basicamente essa: Se você quiser roupa lavada, lave! Quer gasolina no seu carro? Abasteça-o. Quer suas unhas lindas e esmalte diferente cada semana? Agilize-se. Em um país com tão alto nível de igualdade social, não existe trabalho mal remunerado, consequentemente, não existe mão de obra barata.

No Brasil, desde a promulgação da Proposta de Emenda Constitucional das Domésticas, e finalmente a igualdade dos direitos dos trabalhadores do lar aos diretos do regime CLT, as famílias brasileiras da classe média moderna, que nunca viveram sem esse tipo de serviço, estão esbarrando com a realidade de precisarem viver sem o auxílio de empregadas domésticas, babás, cozinheiras, motoristas e jardineiros.

Minhas amigas brasileiras sempre me perguntam como é possível ser mãe (tenho duas menininhas), esposa, profissional e dona de casa, sem ter ajuda de empregados e ainda assim, ter tempo pra ir à academia? Parece impossível né? Mas a verdade é que a vida pode ser muito mais prática do que se imagina, quando existem condições viáveis para isso. Sendo a Noruega um país socialmente tão avançado, a sociedade, a cultura e os costumes colaboram muito para que a vida seja mais fácil e prática. E para que um não necessite do trabalho de outros para cuidar dos seu próprio lar, sua família e sua alimentação.

Vou começar exemplificando com um costume, o qual me pareceu estranho quando visitei Oslo pela primeira vez, mas hoje eu amo. Na Noruega as pessoas costumam tirar os sapatos na entrada da casa. Sejam os moradores, visitantes, seja quem for, todos tiram o sapato na porta de casa. Isso evita muita sujeira! E economiza muitas limpezas semanais.

 

Uma característica da cultura que colabora muito para a praticidade da vida é o feminismo. Com a igualdade do gênero, marido e mulher dividem as responsabilidades domésticas de igual para igual na Noruega, e isso facilita muito o dia a dia de uma família moderna que vive sem ajuda de empregados no lar.

Outra característica dessa sociedade que ajuda a facilitar as tarefas domésticas é o uso de máquinas. Eu nunca entrei em uma casa aqui que não tivesse máquina de lavar louças. Uma boa máquina pode fazer isso de forma mais eficaz, higiênica, ecológica e econômica do que um ser humano. No Brasil, atualmente, menos de 2% das casas têm lava-louças. Gerentes no setor de eletrodomésticos já enxergam a grande oportunidade de vendas desse produto no mercado brasileiro. As máquinas ajudam muito! Em geral, em lares de países mais igualitários, além das lava-louças, máquina de lavar roupas mais sofisticadas, aspiradores de pó superpotentes e até mesmo robôs aspiradores simplificam muito as tarefas do lar.

Hoje em dia, na minha realidade, preparar uma refeição é muito mais simples do que costumava ser no Brasil. A comida que se vê nas mesas dos brasileiros requer muito trabalho para ser servida: arroz, feijão, carne, verdura e salada é um cardápio demasiadamente variado. Eu desapeguei das tradições e tenho adotado opções de refeições mais simples. Existe um serviço que é outra opção de praticidade: algumas empresa entregam na porta de casa, a cada semana, todos os ingredientes e receitas para 3 refeições de preparação em até 30 minutos. Eles também fazem entrega de caixa de frutas e de vegetais para sucos verdes. Ou seja, dá para economizar a rotina de supermercado e algumas horas por semana.

Exatamente nesse momento eu estou de licença maternidade com minha caçula que tem 6 meses, mas assim que ela completar 1 aninho e nossa licença acabar, ela vai junto com a irmãzona de 3 anos para um jardim de infância. Aqui na Noruega todos os cidadãos têm, por direito, uma vaga garantida em um Jardim de Infância para seus filhos a partir de 1 ano de idade (exatamente quando acaba a licença maternidade e paternidade). O sistema educacional e os direitos trabalhistas cooperam para que pais e filhos tenham seus tempos ocupados nos mesmos horários. O horário de funcionamento dos jardins de infância coincide com a jornada de trabalho na Noruega.

Assim, deixo minhas pequenas aos cuidados de profissionais especialistas, na companhia de seus amiguinhos e as recolho quando volto do trabalho. Aqui em geral a jornada de trabalho é de 7,5 horas corridas com meia hora de intervalo para o almoço. Existem cantinas que servem comida simples nos escritórios. Esse sistema me economiza pelo menos umas três horas diárias.

Mais um grande aliado da minha vida prática é um bom spray universal (eficiente, antibacteriano e ecológico) e papel toalha. Eu tenho esses dois artigos dentro dos armários dos banheiros e da cozinha e 3 minutos diários me garantem ambientes sustentavelmente limpos e desinfetados.

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17 comentários

Cristiane Leme Fevereiro 28, 2015 at 2:08 pm

Oi Larissa, e seja bem-vinda ao grupo de colunistas! Eu também moro na Escandinávia e noto que a Noruega tem várias similaridades com a Dinamarca, provavelmente pelo fato de ter sido parte do território dinamarquês por muito tempo. Sobre a questão da igualdade social ou de gênero, eu acredito que não é a riqueza que traz a igualdade e sim o contrário. Na Escandinávia em geral prevalecem as Leis de Jante e a premissa desse código é de que ninguém é melhor que ninguém, portanto não há razão para existirem diferenças, apesar de saber que elas existem em menor ou maior escala. Enquanto você aí diz nunca ter entrado em casas que não tenham máquina de lavar louça, eu te digo que isso é muito relativo: normalmente as famílias que têm filhos acabam tendo uma casa maior e nessas casas é mesmo normal ter a máquina de lavar como ‘padrão’, até mesmo por uma necessidade da família, enquanto que as famílias sem filhos ou pessoas solteiras ou que moram em apartamentos às vezes não têm máquina de lavar louça por uma questão de falta de espaço ou de infra-estrutura… A gente acaba tomando como verdade o que está mais próximo da nossa realidade e às vezes acaba por deixar de enxergar as diversas realidades ao nosso redor, principalmente as que estão longe dos olhos. Parabéns pelo texto! Vi ses 🙂

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Larissa Costa Slottet Fevereiro 28, 2015 at 2:47 pm

Oi Cristiane! Obrigada! 🙂 Sim, em geral Noruega, Dinamarca e Suécia são muito similares culturalmente. Quanto ao seu comentário, eu insisto no meu ponto. O primeiro apartamento que eu aluguei aqui em Oslo tinham apenas 27 metros quadrados e advinha? Tinha sim uma micro maquininha de lavar louca. Isso me chamou tanto a atenção que eu comecei a reparar em cada lar que eu entrava. Eu realmente NUNCA vi um apartamento aqui sem uma maquina dessas. Talvez a gente tenha encontrado assim uma das poucas diferenças entre Noruega e Dinamarca? 🙂 Klemmer!

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Sandra Fevereiro 28, 2015 at 11:22 pm

Ate em apartamentos pequenos tem maquina de lavar-louça, pois ocupam pouco espaço. Aqui na Noruega existe ate maquinas mais estreitas e as q se coloca na bancada da cozinha. Apenas vi uma cozinha sem lava-louças, em um predio muito antigo com apartamentos para estudante que será demolido em breve.

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Angélica Ceron Fevereiro 28, 2015 at 2:57 pm

Gostei muito da sua experiência e pensei como eu poderia aplica-la a minha vida. Eu já tiro os sapatos na porta de casa a muito tempo, em casa eu uso as famosas havianas, mas não demando isso das visitas. Quanto ao uso de máquinas tenho um problema, elas simplesmente não cabem na minha cozinha e área de serviço. Aqui no Rio de Janeiro as cozinha são minúsculas e muitos apartamentos não tem área de serviço. Não existe no mercado máquina pequenas e isso é um problema.

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Larissa Costa Slottet Março 15, 2015 at 7:42 am

Eu te entendo Angelica. Eu insisti tanto no assunto com a minha mae, que ela acabou comprando uma maquina de lavar loucas ai no Brasil, alem de enorme, infelizmente não é tao eficiente. Ela ficou super decepcionada. Mas eu li um artigo que as marcas internacionais estão entrando no mercado brasileiro, por isso, se esperares mais um pouquinho, acredito que conseguira maquinas em outras variações de tamanho e novidades. Abraco! Larissa

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Aline Arruda Fevereiro 28, 2015 at 3:44 pm

Ola Larissa, bemvinda ao time :-). Adorei seu post, moro na Austrália e aqui tem muitas dessas praticidades também. Eu acho o estilo de vida menos estressante assim, mais leve. Muito interessante da máquina. Concordo que deveria ser obrigatótio heheh
Beijos

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Solange Fevereiro 28, 2015 at 4:18 pm

Adorei o texto, mas faltou falar que na Noruega, quase todos não preparam comida quente na hora do almoço, alimentam-se com pães , queijos, frios , saladas e frutas. O que na minha opinião, reduz muito o trabalho de preparar uma refeição, no meio do dia, como fazem os brasileiros.

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Larissa Costa Slottet Março 15, 2015 at 7:43 am

Muito obrigada Solange! Eu vivi na Australia em 1999. Dali comecei a aprender as praticidades da vida. 😉 Onde vives na Australia? Abraco! Larissa

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SILVIA ANTUNES TOMICH Fevereiro 28, 2015 at 5:18 pm

Olá Larissa, sou Silvia Antunes Tomich, moro em Teófilo Otoni – MG e sou sou prima também. Faz um bom tempo que não nos vemos!
Gostei muito do seu texto, bastante reflexivo e esclarecedor. Parabéns!
Um dos hábitos que adoto em minha casa desde sempre é o de deixar os sapatos na entrada. Acho além de manter a casa limpa, longe de germes e bactérias da rua,nossa casa tem toda uma sacralidade que é preciso preservar,pois assim como nosso corpo, ela também é nosso templo. Não tenho e não vejo nenhum constrangimento em pedir ás pessoas para que deixem seus sapatos na porta e calcem chinelinhos que coloco disponíveis.
È uma questão mesmo cultural, temos muito ainda que aprender, vencer muitos dogmas, machismos, para realmente vivenciar uma relação construtiva e sustentável com todos os seres.
Grande abraço e continue nos dando o prazer de ler mais textos bacanas!

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Larissa Costa Slottet Março 15, 2015 at 7:45 am

Nossa! Que legal, Silvia!!! Que gostoso saber que escrever nesse blog me deu a oportunidade de me reaproximar das minhas primas. 😀 Um beijo grande! Nunca me esqueço dos dias lindos que passava em Teófilo Otono quando pequena… e das preguiças da praca… Inesquecivel!

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Cynthia Pratt Março 1, 2015 at 2:55 pm

Muitas coisas são parecidas com o estilo de vida americano. Que beleza essa longa licença maternidade. Um sonho.

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Larissa Costa Slottet Março 15, 2015 at 7:46 am

Sim, um sonho poder ficar com nossos pequenos o ano todo… isso é bem diferente nos EUA, uma pena né? Abraco, Larissa

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daniellagoracci Março 1, 2015 at 9:23 pm

Adorei seu texto Larissa. Posso dizer o mesmo da Holanda, exceto essa licença maternidade maravilhosa de longa, que aqui só temos 3 meses. Um beijão!

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Larissa Costa Slottet Março 15, 2015 at 7:48 am

Obrigada, Daniella. Sério? Sao só três meses? Ouvi tantas coisas bacanas sobre o sistema de parto da Holanda que estou surpresa… Um abraço, Larissa

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Denise Fonseca Março 7, 2015 at 7:06 pm

Oi Larissa adorei ver sua mensagem, pois acabei de conversar com minha prima que mora em Londres e aí constatamos as diferenças e a nossa triste realidade vivida hoje no Brasil. Tenho também minha filha que mora na Dinamarca e quando a gente fala da cultura de um país como os da Europa é que constatamos como ainda vivemos nas cavernas. Além do pouco conforto que temos no sentido das informações que você destaca, hoje ainda somos obrigados a viver num país onde a corrupção, a mentira e a incerteza faz parte do nosso dia a dia e queira Deus que esse povo evolua a ponto de em pouco tempo podermos também mostrar uma evolução familiar onde haja participação de toda família num país mais justo e fácil de se viver. Abraços

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Larissa Costa Slottet Março 15, 2015 at 7:51 am

Oi Denise. Eu sei como você se sente… O Brasil tem um caminho longo para o progresso. Estamos na torcida para o desenvolvimento do nosso amado país… Um abraço, Larissa

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magda Março 22, 2017 at 5:31 pm

Adoro o blog e gosto muito de aprender com as experiências de vocês!

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