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Alemanha

A vida na antiga Alemanha socialista, a DDR

A minha intenção com esse texto não é pregar que o comunismo ou o capitalismo seja melhor. Gostaria apenas de relatar um pouco sobre o que se sabe da vida na antiga DDR (Deutsche Demokratische Republik ou, em português, República Democrática Alemã).

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi partilhada entre as forças aliadas francesa, estadunidense, soviética e inglesa. O objetivo era evitar o ressurgimento do Nazismo. O país então ficou dividido em quatro, sendo cinco dos estados e parte de Berlim soviéticos. A Alemanha socialista tinha um governo próprio, mas com muita ligação com a União Soviética. A chamada Cortina de Ferro, que dividia o mundo entre comunismo e capitalismo, estava formada. O Plano Marshall americano surgiu para acabar com as ameaças comunistas. Assim, a tensão entre oriente e ocidente aumentou e se iniciou a Guerra Fria. Berlim era separada por um muro.

Alguns fatos e números

A vida dos cidadão era controlada com, por exemplo, escutas. Mesmo assim, era impossível para o governo controlar tudo sobre todos. (Fonte: BPB) Os vizinhos muitas vezes deduravam atividades estranhas. Quem tentava escapar pulando o Muro de Berlim, era metralhado. As pessoas suspeitas também costumavam desaparecer.

Leia também: Tudo o que você precisa saber para morar na Alemanha

Bebês que nasciam de pais suspeitos pela ditadura da DDR eram dados como mortos no nascimento, mas colocados à adoção. (Fonte: Welt) Sobre isso, falarei em um outro texto.

Na televisão, havia programas educacionais para moldar o cidadão socialista. (Fonte: BPB)

A questão de moradia era difícil, porque haviam poucos apartamentos disponíveis. Eles eram bem menores do que na Alemanha Ocidental. Também haviam problemas em receber serviços para a casa e eram necessários muitos reparos. (Fonte: BPB)

O café era artigo de luxo, muito caro. O preço era o mesmo de um aluguel de um apartamento de 60m². Comum era usar um café em pó substituto, feito com 51% de café e 49% de trigo. Porém, o pão do café da manhã era bem mais barato do que atualmente. (Fonte: Kabel eins)

Ao comprar um carro, o prazo de entrega do veículo poderia ser de até 17 anos. Isso mesmo: 17 ANOS! (Fonte: Kabel eins) Havia até a piada de quando uma conhecida engravidava, dizia-se que ela poderia já comprar um carro para o bebê.

Foto: Pixabay.com

Uma vaga de emprego era um direito garantido pela constituição, assim como as férias. A maioria das férias era aproveitada no próprio país, mas quem queria ir mais longe, viajava até a República Tcheca ou Hungria, por exemplo. Na Alemanha Ocidental, trabalhava-se 40 horas por semana e as férias eram de 23 dias. Na Oriental, 45 horas e férias de 15 dias. (Fonte: Kabel eins)

78% das mulheres trabalhavam na DDR. No Ocidente, apenas 50%. (Fonte: Kabel eins)

Desde o ensino infantil, ainda no jardim de infância, o governo da DDR ensinava as crianças sobre a fidelidade à pátria, costumes do trabalho e comportamento político e ideológico correto. Não havia outra opção para as crianças que não fosse participar dos eventos de massa programados. (Fonte: BPB)

Melhores filmes alemães sobre a DDR

Segundo a IMDb, os melhores filmes alemães sobre a DDR são:

– Adeus, Lênin!
– A vida dos outros
– Sonnenallee
– O Tunel
– NVA
– Der Stille nach dem Schuß

Por que durou a ditadura?

De acordo com a Instituição Konrad Adenauer, apenas 30% dos cidadãos da DDR concordavam com o seu sistema político e econômico. Mas por que a ditadura durou tantos anos? O autor Roland Jahn escreveu um livro sobre a vida na Alemanha Oriental. Segundo ele, essa é uma pergunta que cada cidadão da DDR deveria se fazer internamente. Porém, acredita que o fato de todos terem se adaptado a viver na maneira imposta pela ditadura permitiu que ela se prolongasse. Jahn fala que temos que demonstrar que somos contra quando for a situação.

Leia também: Berlim além do tradicional

Quando se conversa com alemães que viveram nas antigas áreas da DDR, os Ossis, é bem possível ouvir que os tempos de DDR eram muito bons ou melhores. Fato é que as pessoas eram muito comandadas e a informação não era boa. É claro que mesmo em difíceis condições de vida, é possível ser feliz. Tudo depende também do jeito de cada um. Uma pessoa que conheci me contou que aprendia russo na escola, para que pudessem um dia entender os documentos da União Soviética. Uma amiga russa, que fiz aqui no meu primeiro ano de Alemanha, me contou que quando viajou de férias da Rússia para a Alemanha Oriental, na época da DDR, achou o país alemão super avançado com relação a sua terra natal. Disse que ficou encantada com o luxo da vida da DDR.

Quando o Muro de Berlim caiu e as duas Alemanhas se unificaram, os alemães do Ocidente ficaram impressionados com a falta de produtos e equipamentos do Oriente.

Pois então, é possível perceber que tudo é uma questão de perspectiva.

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