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As perdas que os brasileiros aprendem a viver morando em Luxemburgo

Tudo na vida tem dois lados, até mesmo em Luxemburgo

Luxemburgo é um país fantástico! Quem lê os meus posts sabe que eu sou suspeita para falar, eu adoro esse lugar! Mas como tudo na vida tem o seu lado bom e o seu lado ruim, morar aqui não é diferente! Dependendo da sua visão de mundo e força de enfrentamento de adversidades, algumas coisas podem incomodar e atrapalhar bastante a sua adaptação.

Todos nós temos as nossas questões pessoais que já se tornam uma barreira na nossa adaptação, e isso é normal. Mas existem algumas questões que quando você tem o conhecimento que elas existem e que mais pessoas também passam por isso, faz com que você consiga se sentir mais confortável e apoiado por não ser o único a estar achando algo estranho, difícil ou ruim.  Alguns brasileiros, por exemplo, não se preparam emocionalmente para o enfrentamento de um inverno muito frio, longo e com dias cinzentos que parecem intermináveis.

Outra coisa comum de se ouvir, por aqui, está relacionada ao cansaço mental na tentativa de comunicação. Muitos novatos se sentem estressados e desconfortáveis com o uso de uma determinada língua ou com a troca das línguas várias vezes ao dia, e muitas vezes, essa troca acontece até dentro de uma única conversa. A mudança das línguas durante uma conversa é algo muito curioso, principalmente no Centro do país, onde literalmente uma pessoa fala com você em uma língua e de repente uma chavinha parece que gira na cabeça dela e ela fala com outra pessoa em outra língua, e novamente volta para você, e dá continuidade a conversa na língua que vocês falavam. Luxemburgo possui três línguas oficiais e várias outras extra-oficiais frequentemente usadas, como o inglês.

Leia também: quanto custa morar em Luxemburgo

As múltiplas línguas e o frio não são as nossas maiores adversidades

Existe adversidade mais difícil de ser vivida em Luxemburgo. Dependendo da pessoa, o inverno não é tão problemático e a troca de línguas pode vir a ser algo natural em sua vida e até mesmo motivante. O que ninguém se acostuma, e isso é unânime, é com a perda de relacionamentos de amizades. Como assim?

Luxemburgo tem uma quantidade de comunidades internacionais enorme e a grande maioria das pessoas que vêm morar aqui estão interessadas em trabalhar nas empresas multinacionais; e é aí o ponto pelo qual as relações se tornam frágeis. Nós sabemos que um dia aquele amigo pode ir embora e se afastar de nós. A gente sabe que aqui, muitos estão só de passagem. Sim! Aqui nós podemos perder pessoas.

A cada pausa escolar e feriados longos, tem sempre uma família ou alguém que se vai. As escolas internacionais são as mais preparadas para lidar com essa situação porque elas já têm essas saídas de alunos como rotina, e aos poucos você percebe que as suas crianças também já vivenciam isso como rotina. Mas mesmo com as escolas preparadas, ainda assim, muitas mães me questionam: mas será que eles perdem a ideia do valor da amizade? Ou quando a criança vem muito pequena: será que um dia ele(a) vai entender qual é o valor de uma amizade? E você já deve estar se perguntando: será que algumas crianças optam por deixar de se relacionar por medo de perder aquele amiguinho no próximo verão ou inverno? E a resposta é: depende!

Foto: Pixabay.com

Depende do quê?

Depende de como você apresenta e vivencia essa perda. Depende de quão abrupta a perda se deu ou você permitiu que ela fosse. Ficar triste, ter saudade da rotina com aquela pessoa faz parte desse momento de amadurecimento da perda. De fato, algumas vezes, você nunca mais verá aquela pessoa, mas isso não impede que você guarde na sua memória e no seu coração os bons momentos e lições que teve com essa relação, e isso é algo que pode ser aprendido, basta ter um adulto emocionalmente preparado para ensinar.

Outras vezes, fisicamente será mesmo impossível de se estar perto, mas a Internet pode ajudar muito. Algo combinado com os responsáveis da outra criança pode ser um ótimo apoio para ambas! Não pense que quem se foi não está nem lembrando de vocês, quem se foi tem que reconquistar tudo novamente e ter um amiguinho(a) da outra escola para conversar de vez em quando.

É primordial mostrar a essa criança que nem tudo é perda, que na verdade o que houve foi uma soma. E para a criança que ficou, ela reforça que é possível se manter as amizades ainda que distantes fisicamente e que no próximo ano letivo vem alguém novo para conhecer. E é isso que eu sempre incentivo os meus clientes e meus próprios filhos a fazerem. Se você tem um amigo, ele pode estar em qualquer lugar do mundo porque o título de quem ele é, para você, não muda, só o nome do país que ele mora agora que não é mais o mesmo que o seu.

E ao contrário do que muitos adultos fazem, afastar as crianças, de vez, desse amigo porque a presença dele não real, é um erro enorme. Esse tipo de atitude reforça que as relações podem ser dolorosas e talvez não seja bom fazer novas amizades, já que elas também podem ir embora. E eu vou te contar um segredo: as dicas de manutenção da amizade não valem só para as crianças, elas são muito úteis para você, também!

Não limite-se! Faça amigos sempre!

A perda física de um amigo não deve limitar você e nem as suas crianças a não mais viverem uma nova amizade. Perdas fazem parte do crescimento de todos nós. E qual o lado bom dessa história? Se você estiver em Luxemburgo, mantenha sempre os olhos abertos para não deixar passar a oportunidade de conhecer pessoas e as suas histórias interessantíssimas, mesmo que elas também possam um dia ir embora. Não deixe que a dor da perda limite seu aprendizado, crescimento emocional e troca com um ser humano que você gostaria de chamá-lo de amigo.

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