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Como é ser mãe no Líbano

Como é ser mãe no Líbano? Eu deveria ter me feito essa pergunta há algum tempo!

De uma forma resumida: me casei aqui no Líbano e voltei para o Brasil com o meu marido, Libanês, onde moramos por aproximadamente 8 meses.

Nos últimos 4 meses, ainda no Brasil, decidimos ter um filho e ao mesmo tempo vir morar no Líbano por vários motivos. A adaptação dele no Brasil, foi um dos principais. Viemos morar em Ansar – Município de Nabatieh – mais ao Sul do Líbano.

Eu tive uma gestação planejada. A escolha da obstetra foi meio por acaso, estava sentindo alguns desconfortos, então pedi ao meu habibi (amor em árabe) que procurássemos um consultório por aqui, como ele não conhecia e não tinha indicação de nenhum profissional da área, simplesmente fomos ao centro da cidade de Nabatieh, há mais ou menos uns 14km da minha casa em Ansar. Encontramos uma médica que falasse inglês, muito atenciosa e no próprio consultório dela há um mini laboratório, fiz o teste lá mesmo com o resultado na mesma hora e como a enfermeira disse ao meu marido: Você tem um “super positivo” mabrouk! (parabéns em árabe).

Como é o Pré-Natal no Líbano

Já com meu primeiro ultrassom em mãos e a receita para as vitaminas típicas para gestante fomos para casa e a ficha ainda não havia caído.

Eu fiz todo o Pré-natal com essa Médica em Nabatieh, é um acompanhamento normal, com visitas mensais, ultrassom morfológica, exame de toxoplasmose, acompanhamento de peso, etc.

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Meu marido me acompanhou em todas as consultas, a recepcionista falava apenas árabe, e era ele quem  ligava para marcar as consultas. O fato da minha ginecologista falar inglês facilitou muito, já que eu era nova no país, mal falava bom dia em árabe, amenizou aquele sentimento de autonomia zero e totalmente perdida.

O sistema de saúde Libanês

O sistema de saúde aqui no Líbano é pago, eu não conseguiria fazer todo esse procedimento, desde o teste de gravidez até os exames de forma gratuita, como um “SUS” no Brasil.

Falando em valores: Para consultórios especializados como Ginecologista, Oftalmologista, etc., apenas uma consulta fica em média U$50,00 (cinquenta dólares americanos), exames como ultrassom e hemograma U$20,00 à $40,00. Lembrando que esses números podem variar conforme a região tipos de exames realizados fidelização e outros fatores. O mesmo para hospitais.

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Qualquer pessoa pode ter acesso a um especialista particular e realizar uma consulta, desde que essa seja paga, porém se haver a necessidade de encaminhamento para o hospital, será necessário apresentação de algum documento de identidade, passaporte por exemplo, e caso o visto não esteja de acordo, poderá ter problemas com o Departamento de Imigração Libanesa (na Polícia Federal), mesmo que este arque com as despesas hospitalares.

Eu presenciei dentro do prédio da Polícia Federal em Nabatieh 2 Sírios que tiveram que explicar o motivo de estar aqui no Líbano sem os devidos documentos, um deles nem tinha passaporte. O caso é que um se machucou em um pequeno acidente de motocicleta e procuraram atendimento médico mais próximo, porém foram parar na sala do investigador de polícia.

Hoje o Líbano tem um um problema sério com imigração, sírios e palestinos. A maioria não tem como se manter, onde morar ou como se alimentar, neste caso a assistência saúde é suportada pela UNICEF e OMS (Organização Mundial da Saúde), além de ONG ́s não governamentais que contribuem. Da mesma forma, libaneses de baixa renda também são beneficiados.

Vendo pelo lado positivo, esse boom de imigrantes está dando a oportunidade ao Líbano de melhorar seu sistema de saúde, com o aumento da demanda, mais centros de saúde foram inaugurados, melhorando o atendimento para os próprios libaneses.

Como foi meu pós-parto no Líbano

Eu tive uma gestação sem complicações, minha filha nasceu saudável e de parto normal. Sim, aqui a preferência é pelo parto normal, a cesárea só é feita quando realmente for necessário.

Se a minha obstetra está em atendimento no consultório e alguma paciente entra em trabalho de parto no hospital, ela simplesmente termina aquela paciente e segue para o hospital. É dessa forma que eles fazem aqui.

Minha filha nasceu às 9:00h da manhã, às 18:00h eu já estava em casa com ela e também com algumas coisinhas que o hospital forneceu, como 1 lata de leite para recém nascidos e pomadas para assaduras.

A minha sogra me acompanhou no hospital e minha recuperação foi muito boa, andava normalmente, no dia seguinte eu já estava aspirando o quarto.

Visitas e baby shower (chá de bebê)

É costume libanês visitar a nova mamãe e o bebê assim que chegam em casa, na mesma semana ou até no mesmo dia, eu comecei a receber visitas no dia seguinte.

Eu não conhecia quase ninguém aqui, além da família do meu marido, então meus sogros organizaram a recepção, a minha sogra escolheu uma lembrancinha (uma bonequinha de porcelana em uma concha), chocolates com a embalagem bem bonita e o meghli (pudim de arroz decorado com nozes e pistache servidos em uma taça) para oferecer às visitas que trazem presentes para o bebê e para a mamãe.  Tudo isso simboliza a chegada do recém nascido.

Assim é o Chá de Babê libanês, é feito depois da chegada do bebê, não antes como no Brasil.

Esse foi um pequeno resumo de como é ter um filho aqui no Líbano e é baseado nas experiências pessoais que eu tive.

Se você se identificou ou passou por situação parecida, deixe um comentário.

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8 comentários

Jacque Maio 5, 2017 at 4:48 pm

Eu moro aqui mas nao saí no mesmo dia. Ganhei muitas coisas tbem no hospital . Alem de ensinarem as mães como cuidar do bebê. Mas sair no mesmo dia nunca ouvi

Resposta
Márcia Silva Junho 1, 2017 at 9:45 pm

Oi Linda! Jacque! Eu fui de mala e cuia para o hospital em Nabatieh! mala cuia mesmo, esperando tomar aquele banho rsrs, mas no fim da tarde recebi alta, pois não havia necessidade de passar a noite, eles aguardam a criança fazer as primeiras necessidades, esse foi o ultimato para irmos para a casa, estávamos bem graças a Deus, tive parto normal e isso me pareceu procedimento padrão, se está tudo bem, está de alta….no fim das contas eu gostei

Resposta
Viviane Guedes Maio 5, 2017 at 6:52 pm

Adorei seu relato Márcia, eu tive meu filho no Brasil mas meu pre Natal foi feito na Arábia Saudita onde eu morei e foi excelente exceto pelo fato de eles só falarem o sexo do bebê depois do 5 mês pra evitar risco de aborto! Parabéns pelo projeto

Resposta
Márcia Silva Junho 1, 2017 at 9:49 pm

Vivi, é a Viviane, mãe do Hassam Miguel? olha não foi fácil, no geral eu gostei, superou minhas expectativas, fiquei muito perdida no que fazer, rsrs, primeiro filho, baby shower, sem falar árabe, tudo que me falavam eu não dizia nem sim nem não, deixava rolar srsr…Não mudou muito hoje, continuo perdida kkk e com árabe pobre, mas com o dias a gente aprende.

Resposta
Fabiana Outubro 23, 2018 at 6:55 am

Tenho descendência libanesa e estou pensando muito em pedir cidadania. Gostaria de saber mais sobre sua experiência no Líbano. Tenho marido e 2 filhos pequenos. Podemos trocar email? [email protected]. bjus

Resposta
Liliane Oliveira Outubro 23, 2018 at 2:08 pm

Olá Fabiana,
A Márcia Silva parou de colaborar conosco e, infelizmente, não temos outra colunista morando no país.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta
Mariana Sousa Julho 23, 2019 at 7:59 am

Olá Márcia! Tb sou brasileira e casada a pouco tempo com um libanês. Vou morar no Libano e pretendemos ter um filho lá tb. Gostaria que me tirasse uma dúvida caso saiba. Você sabe se nós mulheres podemos registrar o nome de nossos filhos com os nomes dos pais (sobrenome do pai e da mãe) ou apenas com o nome do pai?
Desde já agradeço sua atenção.

Resposta
Liliane Oliveira Julho 23, 2019 at 2:17 pm

Olá Mariana,
A Márcia Silva, infelizmente parou de colaborar conosco.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta

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