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Os desafios do mercado de trabalho para mulheres no Líbano

Os desafios do mercado de trabalho para mulheres no Líbano.

Encontrar um lugar ao sol é uma tarefa difícil em qualquer país, seja homem ou mulher. Em alguns lugares, as oportunidades podem variar devido à vários fatores, como a situação econômica atual do país, gerando alguns desafios. Trabalhar no Líbano, por exemplo, não é tão simples quando se é mulher. Os desafios do mercado de trabalho para mulheres são grandes.

Hoje vou vou retratar uma realidade vivida pelas mulheres aqui no Líbano, sejam elas libanesas ou não, de como encarar e superar os desafios de um mercado de trabalho. As mulheres que trabalham representam uma pequena parcela em relação aos homens, e um dos fatores responsáveis é a cultura do país.

Analogia Brasil x Líbano – Educação

É garantido por lei o direito ao cidadão libanês de frequentar a escola. De uma forma geral, eu vejo que há uma preocupação das famílias na educação dos filhos, chegar ao nível universitário é meio que mandatório e há um planejamento por parte dessas famílias para que os filhos possam ir à universidade.

Fazendo uma analogia à cultura brasileira, a forma como os pais tratam o amadurecimento dos filhos é bem diferente. É de inteira responsabilidade do pai arcar com as despesas das crianças desde o maternal até a faculdade. Com isso, a maioria dos jovens (sem distinção entre meninos e meninas) entre 16 a 20 anos, aproximadamente, não exercem nenhuma função remunerada, dedicando-se exclusivamente aos estudos.

No Brasil, as coisas acontecem mais cedo, muitos brasileiros pagam seu próprio curso universitário, se mantêm financeiramente e ainda fazem alguma contribuição em casa – foi o meu caso. Tanto as escolas como faculdades são em período integral e não possuem noturno. Assim que cheguei aqui, questionei se quem precisasse trabalhar teria a opção de estudar à noite. Quando soube que não, fiquei imaginando que se os pais não puderem pagar escola ou uma faculdade, as crianças simplesmente não estudam.

Se a família não tem condições de custear uma faculdade, os meninos começam a trabalhar assim que terminam os estudos, ou até mesmo antes, em horários alternativos. Para as meninas, é um pouco mais complicado. Confira: Quais direitos têm as mulheres libanesas.

O menor país do Oriente Médio – Alta concorrência

Em extensão territorial, o Líbano é um dos menores países do Oriente Médio, com aproximadamente 10.400 km². Comparando com o menor estado brasileiro, que tem mais ou menos 21.000 km², poderíamos colocar o Líbano duas vezes dentro do Estado de Sergipe.

Com uma população de mais 4,5 milhões de pessoas, sem contar os imigrantes sírios, que estão perto dos 2 milhões, quase metade da população libanesa é formada por mulheres. O mercado de trabalho libanês é muito concorrido e as mulheres que estão em idade ativa e terminando os estudos encontram muitos desafios.

Leia também: a famosa gastronomia libanesa

É culturalmente aceitável que uma menina só saia de casa para se casar assim que termina o ensino médio, da mesma forma para quem está cursando uma faculdade, muitas mulheres se formam, mas nem chegam ao mercado de trabalho, os planos de seguir uma carreira podem ser simplesmente deletados. Além da concorrência interna com os próprios nativos, a procura por emprego tem aumentado cada vez mais com a chegada de imigrantes sírios e palestinos, diminuindo a demanda de vagas em todos os setores.

Salário Mínimo Libanês

O salário mínimo no Líbano é de LL 675.000. A moeda americana aqui é fixa, 1 dólar = LL 1500, equivalendo a US$450 dólares americanos de salário mínimo. Embora o custo de vida aqui no Líbano seja bem melhor se comparado com o Brasil, em algumas regiões, como Beirute, por exemplo, é quase impossível viver apenas com este valor: aluguel, energia, saúde e educação somam bem mais que isso. Ainda há discrepância de salários entre homens e mulheres. Infelizmente, a mulher ainda está atrás em relação a valores, recebendo bem menos, às vezes exercendo o mesmo cargo ou função que os homens.

Diferença de salários não é exclusividade dos libaneses, temos esse problema no Brasil e acredito que em outros países deva existir também. Mas, pelas pesquisas que fiz, além de conversas que tive com algumas pessoas, a diferença de salários aqui é mais aparente, devido à cultura de que o homem, provedor da casa, nunca poderá receber menos do que uma mulher.

A minha visão sobre isso

Eu sou uma pessoa muito observadora e curiosa. Nesse curto espaço de tempo que moro aqui, notei que além dessa coisa da cultura em relação às mulheres, existem aquelas que têm sua vida profissional, que se formam, exercem sua profissão e são casadas, os filhos vão para a garderie (creches) e a vida segue. Acredito eu, que esses pequenos avanços, sejam devidos à vida moderna, manter os filhos em uma boa escola (os gastos com educação podem variar por diversos fatores, veja aqui os custos anuais que vão desde a creche até a universidade), casa e um certo nível social não é tarefa fácil, aliás, em qualquer país.

Aqui existem aqueles que fizeram e fazem acontecer, mulheres bem sucedidas em cargos públicos, no governo, em posições de chefia, mulheres formadoras de opiniões, jornalistas, atrizes e cantoras, e em várias outras áreas. Confira aqui o nome de algumas personalidades libanesas.

Quando a mulher se casa, ela torna-se total responsabilidade de seu esposo, ele é responsável por suprir todas as necessidades com alimentação, saúde e moradia. Em caso de divórcio, a esposa separada acaba retornando para a casa dos pais, muitas vezes sem os filhos, as crianças são do pai. Se não houver um acordo amigável de separação entre o casal, as leis, regidas de acordo com a religião do marido, sempre estarão ao lado dos homens, e a mulher terá que recomeçar a vida procurando se recolocar no mercado de trabalho. Em muitos casos, o que resta é partir para empregos informais, que pagam menos que um salário mínimo, como no comércio em geral, atendentes, caixas de supermercados – o que mais tem aqui são estabelecimentos comerciais.

Leia também: crenças e superstições libanesas

Eu, como estrangeira, ao chegar aqui, achei tudo muito estranho e atrasado, com o tempo fui entendendo como algumas coisas funcionam e aprendo mais a cada dia a respeitar essa cultura tão diferente da minha. Não que eu seja extremista, embora alguns comportamentos que eu vejo por aqui sejam exagerados aos meus olhos. Como é feito no Brasil, de estudar no período noturno e trabalhar durante o dia, aqui, com toda a estrutura e cultura, não seria possível por vários motivos: as pessoas costumam se recolher em suas casa cedo, umas 18h, mais ou menos, estabelecimentos fecham e a logística entre a casa e a universidade é complicada. Transporte público aqui é muito precário, e na cidade em que moro não existe.

Se você estiver vindo morar ou passar uma temporada por aqui, independente do motivo, esteja ciente do que vai encontrar. E se por acaso você quiser trabalhar, sem entrar no mérito do visto, uma bagagem com boa formação e no mínimo inglês intermediário são necessários.

O site Daleel-Madani é uma plataforma colaborativa não-governamental. Há disponíveis diversas vagas na área da saúde, humanas e exatas, abertas inclusive para estrangeiros. É uma boa opção para busca de empregos.

Para você que leu este artigo e chegou à conclusão de que tudo isso é absurdo, esteja certo de que o Líbano, em termos de países árabes, é o país onde as mulheres tem mais “liberdade“, digamos assim, na Arábia Saudita, por exemplo, as mulheres não podem nem dirigir.

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