Cinco curiosidades sobre o Natal na Turquia

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Hoje vou falar um pouco sobre o Natal na Turquia, que é um país muçulmano aberto até certo ponto à cultura ocidental. O diálogo com o Ocidente é comedido, mas sempre presente em Istambul das mais variadas formas. E uma delas é justamente a decoração natalina para fins comerciais.

Então, vamos ao que interessa:

1. Como o país é muçulmano, o Natal não é celebrado e, portanto, não há feriado. As pessoas trabalham normalmente nos dias 24 e 25 de Dezembro e ninguém faz ceia, amigo oculto ou qualquer outro costume da época, exceto a decoração e mesmo assim, não é todo mundo que adere.

2. É quase impossível encontrar um turco que saiba o significado do Natal – alguns pensam que esta data existe para celebrar a vida do Papai Noel, que por sinal nasceu justamente na Turquia.

Loja de Decoração

3. Mesmo assim, alguns pontos e lojas de Istambul são decorados com artigos natalinos.

4. Apesar de serem muçulmanos e nem conhecerem o significado real do Natal, alguns turcos em Istambul enfeitam suas casas com árvore de Natal e guirlanda na intenção de dar as boas vindas ao Ano Novo. Sim, eles associam toda essa decoração natalina ao Ano Novo.


5. Os turistas cristãos e residentes de Istambul podem celebrar a data em uma das várias igrejas espalhadas pela cidade. Eu tenho uma amiga suíça que sempre vai à missa na igreja de Santo Antônio de Pádua que fica em Taksim.

Vale lembrar que todos esses costumes são comuns em Istambul, um lugar bem cosmopolita e peculiar. Provavelmente,  o padrão não se repete nas cidades mais conservadoras da Turquia, nas quais as pessoas vivem sem nenhum contato com os estrangeirismos inerentes da antiga Constantinopla. Fica a dica!

n3

Para os imigrantes ocidentais essa data costuma ser um tormento porque definitivamente não há o espírito natalino na Turquia e nem deveria haver. Eles são muçulmanos e não cristãos. E pela mesma razão que não existe o espírito do Ramadã no Ocidente, aqui na Turquia ninguém nem lembra que o Natal existe.

Eu sinceramente nunca liguei para o Natal (só mesmo para as gordices dele) e então, não sinto tanto essa data. Mas entendo quem sofra. A falta da ceia, da casa cheia, dos presentes e todos os símbolos afeta muio o imigrante, principalmente se ele já está há um bom tempo sem ir ao Brasil. Lembro do Natal do ano passado aqui em Istambul. Naquela época, eu já estava há mais de 1 ano sem ir ao Brasil e fiz de tudo para não deixar esse momento passar em branco. Mas agora como eu acabei de voltar de uma boa temporada no Rio (fiquei 3 meses lá), estou com as minhas energias recarregadas e acredito que neste Natal vou passar mais tranquila.

E eu gostaria de aproveitar o espaço para dar uma dica a todos que sofrem com a ausência do Natal em um país muçulmano. Se colocar no lugar do outro nos ajuda bastante a lidar com o choque cultural. Desse modo, tentem pensar que os muçulmanos espalhados pelo Ocidente também sofrem com a ausência do Ramazan Bayrami (Feriado que celebra o fim do Ramadã), data essa que para eles têm o mesmo valor sentimental do Natal para os cristãos.

Eles também se entristecem com a falta dos pratos típicos, dos amigos, familiares e tudo mais. A importância da confraternização é A MESMA, só com justificativas e datas diferentes. Então, se te serve de consolo, pense nisso. Além de se apegar é claro nas razões que te levaram a deixar o Brasil, se mudar para um país muçulmano e consequentemente, perder uma data tão significativa como essa!

Pensar dessa forma não vai eliminar a saudade (má notícia: ela só aumentará com o passar dos anos), mas vai te poupar de um sofrimento extra.

Feliz Natal para quem comemora essa data!

Leia sobre o Natal pelo Mundo!

13 Comentários

  1. Aline, achei perfeita a sua sugestão da empatia! Realmente tem tudo a ver. Espero que seu Natal (com ou sem festa) seja bacana e que no Ano Novo possamos nos aventurar mais pela Turquia através dos seus textos. Beijos!

  2. Oi Aline,
    Adorei o seu texto.
    Aqui na Índia também não temos o Natal, apenas a decoração em alguns pontos comerciais, conforme Você mencionou acima.
    Ainda bem que tenho mais amigos brasileiros morando aqui, e juntos tentaremos passar um Natal do modo brasileiro.
    Feliz Natal e um excelente ano novo. 🙂

  3. Oi Aline, boa noite! Gostei dos seus esclarecimentos acerca do Natal não muito comemorado aí em Istambul. Encontrei a sua página ao pesquisar alguns dados geopolíticos da Turquia pois estou assistindo uma novela na Band TV, “Mil e uma noites”, cuja personagem central chama-se Sherezade,( como nos contos), seu par é o personagem Onur. Estou adorando a novela, bem feita, fotos maravilhosas, gente linda, educada e com reforço nos aspectos familiares, morais, culturais o que falta nas novelas brasileiras. Fazia uns 15 anos que não via novela, agora com essa não perco nenhum capítulo e nem permito que falem comigo durante o período da exibição da mesma(rsrsrsrs!).Li inclusive que em alguns países da América do Sul ela ultrapassou novelas da Globo em quantidade de audiência. Espero que minhas pesquisas sobre a Turquia, sirvam também para você saber que nós seres humanos interagimos uns com os outros, apesar de algumas diferenças, mas mesmo em pensamentos e virtualmente “viajamos e frequentamos”,o lugar onde queremos estar. Beijos e bom viver nesta terra tão linda!

    • Homem é homem em qualquer parte do mundo e aqui não é diferente. Existem os românticos, os mais “secos”, os cafajestes, assim como no Brasil. E novela é ficção, não devemos achar que o que se passa nela reflete exatamente a realidade de uma cultura.

  4. Conversava com um turco pela net e quando disse q estava preparando as coisas aqui em cada para a ceia de natal da noite, já que era véspera de natal, ele simplesmente mandou um “Hmmm” e não me respondeu mais. Fiquei sem entender. Tudo bem q eu sei q eles são mulçumanos e não celebram o natal, mas achei meio intolerante da parte dele simplesmente não responder mais só pq mencionei a palavra ‘christmas’ enfim. Foi o sufuciente pra ele me cortar. Aff! Sou cristã mas não fico tentando converter ninguém, muito menos um homem mulçumano que não conheço. Repeito a religião dele e não reagiria assim caso ele me falasse do ramadã ou algo de sua religião. Acho q esse foi um sinal de q ele não eh muito tolerante. Sei lá. :/

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