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Diferenças culturais entre Brasil e Portugal

Diferenças culturais entre Brasil e Portugal.

Quando nos organizamos para  viver em outro país, especialmente que fale a mesma língua, como Portugal, pensamos que o choque cultural não será tão grande e as diferenças serão poucas, certo? Errado!

Quando saímos da nossa zona de conforto e vemos que não somos o centro do universo, que o mundo está aí nos mostrando tanta coisa diferente do que conhecíamos, e que todos têm seus  próprios hábitos, tão distintos dos nossos, que a viagem começa primeiro dentro de nós mesmos e que temos que nos preparar para a aventura do conhecimento sempre para o aprendizado. É aí que tudo fica perfeito.

Claro que a língua ser a mesma, facilita, mas não é tudo, pois só quando nos vemos longe do país de nossa língua materna é que percebemos o quão forte é o peso da linguagem na nossa adaptação no processo migratório. O Português de Portugal e Portugal Brasileiro têm diferenças e influências muito significativas, pois enquanto Portugal sofreu influências européias, nós absorvemos mais a cultura americana.

Existem expressões que absolutamente desconhecemos; outras, são tão engraçadas que já fazem parte do folclore popular e das brincadeiras entre amigos. Sabemos que até no Brasil temos diferenças bastante significativas entre os diferentes estados da união no tocante a sotaques e a fala, mas ouvir e entender um português ao telefone é completamente diferente, e nos faz refletir se falamos a mesma língua. No início, quando recebia um telefonema, pedia para me enviarem propostas via e-mail tanta era a dificuldade de entendimento. Precisava ler, mesmo, ou acabava não sabendo do que falavam, além do fato de se expressarem muito rápido, o que dificulta seja em que língua for.

A cultura brasileira,  especialmente por conta das novelas exibidas pela Rede Globo, está presente nas músicas  que eles conhecem e cantam, sendo que o mesmo não acontece conosco. Os profissionais da arte e entretenimento  brasileiros estão no dia a dia da cultura portuguesa que eles gostam e prestigiam.

A culinária também tem um peso enorme na nossa adaptação, visto que temos preferências bem particulares, diferentes do resto do mundo. O arroz com feijão, a feijoada, o churrasco, já sabemos ser bem característico, mas quando chegamos e estranhamos até o pão e sabemos que os profissionais de panificação no Brasil são de nacionalidade portuguesa, isso só é mais um motivo de espanto. Os pães tipo francês, como conhecemos, quase não encontramos por aqui, e são mais um motivo de saudade, mas também novas experiências de sabores porque na sua maioria são acrescidos de sementes e  substâncias vindas de outros lugares da Europa.

Área de Hortifrúti no Tesco. Foto: Gabrielle Figueiredo

Os temperos, os condimentos, alho, sal, cebola tem sabores diferentes e interferem diretamente no resultado final dos pratos que comemos. Beterraba, tomate, batata-doce têm sabores bastante peculiares por aqui, sendo melhor ou não, de acordo com o paladar de cada um. Eu, particularmente, gosto muito do tomate e beterraba, apreciando mais a nossa batata-doce, de sabor mais forte que a portuguesa.

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Por aqui, tudo tem um aroma mais suave, sem muito sal ou muito açúcar, apesar das montras (vitrines) exibirem doces apetitosos. São diferentes para o nosso paladar.

Os doces são um caso à parte; pois, as pastelarias (aqui não vendem pastéis, como conhecemos) são casas de doces e pães. Muitos doces, quase nenhum salgado e quando os encontramos, como é o caso dos “rissois”, nossos rissoles, são vendidos frios, um pouco diferente da maneira que encontramos no Brasil. Mas cada cidade tem doces que são especialidades da região, como é o caso dos pastéis de Belém, em Lisboa; ou os Ovos Moles de Aveiro e tantos outros mais.

Come-se muita carne de porco, bem mais barata que a carne vermelha de boi, e muito frutos do mar, peixes e muita batata. Já o feijão, tão presente em nossas mesas, não é frequente, nem é o mesmo que comemos no Brasil.

Se a alimentação é diferente, que dirá as manifestações culturais, folclóricas, num país cujas tradições são amplamente valorizadas, respeitadas e transmitidas às novas gerações. Assistimos a algumas festas que também comemoramos e herdamos, graças à colonização que incorporamos; mas que são bem distintas do nosso cotidiano.

Diria que eles ainda carregam uma inocência cultural, se é que isso existe, com espetáculos puros, delicados, como os desfiles, parecidos com procissões, por ocasião das festas juninas no dia de Santo Antônio e São João. Nas quermesses, parecidas com as nossas, o prato principal é a sardinha assada e pipoca salgada, como as que encontramos em todos os lugares, até nas portas de escola. Esqueça! Aqui só pipoca doce e é uma delícia. Eles nos lembram de suas tradições a todo instante, e se exibem na arquitetura, nos shows, festas e nas escolas. Algumas escolas públicas fazem um carnaval temático, com participação das crianças. E aproveitam para conseguir gêneros alimentícios no dia da comemoração para ser doado à entidades. E em muitas cidades, são comandados por brasileiros, claro. Quanto ao carnaval, o que mais impressiona é ouvir o som da bateria e ver os portugueses olhando sem se mexer, sem sambar, apenas os mais corajosos se atrevendo.

Não imaginamos, até chegarmos, que o choque cultural é tão grande, que somos tão diferentes, apesar de sermos países irmãos e falarmos a mesma língua, que certas coisas que desprezávamos passamos a valorizar como o jeito carinhoso que nos tratamos, a forma suave de falar com as pessoas, o cuidado no trato com o outro. Portugueses têm uma franqueza  característica que assusta ao conhecê-los. Eles dizem tudo o que querem dizer sem se preocupar em magoar, sem melindres. São diferentes e falam alto, ao ponto de acharmos estar brigando, e não estão, é só o jeito deles. E ao pedir informação nas ruas não se surpreenda se eles saírem do caminho para te levar ao seu. São solícitos e ficam te explicando até que você entenda e se encontre.

Somos diferentes e tão parecidos, afinal, incorporamos tanto deles e eles de nós, estamos tão distantes, mas as diferenças  culturais não nos separam, nos unem, nos tornam mais ricos culturalmente. Somos som e sabor, somos dança, somos movimento, como uma grande ciranda, que ao som de mãos que só se largam para bater as palmas emitindo um som mais alto ainda, para que todos neste espaço possam dançar e nos ver como somos. Um povo só neste planeta que está ainda aprendendo a conviver com suas particularidades, e ainda não entendeu que este planeta é nossa casa temporariamente, e devemos fazer  dele um lugar que tenha não só a nossa marca, mas as cores, a identidade de todos que aqui moram.

Aceitar as diferenças, experimentar se colocar no lugar do outro, duvidar das próprias verdades, se questionar, ter sempre um olhar que filtre suavemente o viver de quem não teve as mesmas oportunidades talvez evitaria dores e ódios desnecessários.

Que nossos braços estejam unidos numa corrente, assim somos fortes, somos o muro que impedirá as desigualdades e segregação e ninguém será impedido de ir a lugar nenhum.

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