BrasileirasPeloMundo.com
Divagações Inglaterra

E a minha essência, por onde anda?

Todos os anos quando chega esta época de Natal, me sinto como se estivesse maquinando  algo na minha cabeça. Os anos estão passando e tenho a impressão de que estou perdendo um pouco da minha essência. Penso desta forma porque ja faz tanto tempo que  sai do Brasil,  onde eu era outra pessoa,  que acabo ficando com a impressão de que me perdi no caminho que escolhi. Eu sei que você vai dizer, não exagera,  é sinal de  amadurecendo, coisa e tal, e isto faz parte do processo. Será? Eu vejo tantas pessoas maduras com cuca leve por ai, da uma invejinha rs…

Tenho a sensação que deixei e continuo deixando tanta coisa minha bacana para trás. Com a correria e o rumo que a vida está levando, parece que os sonhos estão sendo arrastados e mudando de direção. Então me pergunto, onde está aquela pessoa que lutava contra o mundo e nunca se calava? Hoje em dia parece que me sinto rouca…e aquela que pulava os degraus da escada para chegar primeiro? Agora tenho que descer de um em um….

Falando assim, pareço ser milenar, eu sei, mas, não, a vida está apenas começando, segundo quem inventou que a vida começa após os quarenta (a pessoa já não devia estar em sã consciência quando disse isso hehe). Eu não concordo. Para mim, a vida era muito mais colorida quando era mais nova e parece  que a nuance das cores vem diminuindo de uns tempos para cá ou será que e a minha miopia e eu não me dei conta? rs

Tenho curiosidade para saber se mais gente se sente assim também. Será que ja estou precocemente em crise de meia idade ou cada vez mais parecida com a minha mãe e avó, o que deveria ser proibido rs. E eu que sempre quis ser descolada, já era.

Então eu volto a pensar, queria resgatar um pouco do que tem ficado para trás, mas o que exatamente? Começam as divagações… o amor a lua (este ainda trago comigo), a vontade de gritar, de correr, de dançar, de respirar sem medo de que o ar se acabe de repente, enfim, vontade de ser jovem, desinibida e cheia de sonhos outra vez…alguns destes, justiça seja feita, por sinal foram realizados, outros estão engavetados e alguns devidamente escondidos para uma emergência (nunca se sabe se ainda terei a chance de ser austronauta como queria quando era criança rs).

Mas, qual é o caminho de volta então, para buscar pelo menos algo do que ficou para trás?

Já dei tantas voltas, que não consigo mais encontrá-lo, então depois de tanto bater a cabeça, tive uma idéia e comecei a traçar outro (achei que seria mais prudente), porém de uma maneira diferente desta vez, com menos curvas, para evitar riscos desnecessários e com mais espaço, devido a bagagem que trago comigo, já que no passado, seguia de mãos vazias. Continuo nele até então.

Às vezes, neste caminho, encontro caras conhecidas de outrora, algumas passam por mim rapidamente, outras param para um reencontro e neste curto espaço de tempo, descobri que é possível resgatar um pouco do que achava perdido, a minha essência, lembra lá de cima? Então, nestes episódios,  é como se recebesse um banho de energia, as lembranças voltam à tona, os sons, os cheiros me transportam para o lugar que estou tão desesperadamente tentando encontrar. Não demora muito, é verdade, mas, é suficiente, para continuar, pelo menos até a próxima oportunidade.

Tive esta sensação outro dia mesmo, enquanto falava com um amigo de muitos anos. Tão bom saber que e possível voltar, que nem tudo está completamente perdido ou esquecido, talvez apenas guardado, esperando o momento certo.

E você, como anda a sua essência?  Acha que por morar fora (quando chega esta época de Natal, final de ano e retrospectivas), também esta deixando algo para trás ou é coisa da minha cabeça rs?

Related posts

Existe uma etiqueta para visitar a família no exterior?

Betina Vargas

Audiologista brasileira em Londres

Ann Moeller

Golpes cometidos na Inglaterra

Carolina Bernardo

10 comentários

Roger Zancheta Dezembro 6, 2012 at 3:49 pm

Bravo amiga! Muito bem observado e posso lhe dizer com certeza que vc não é a unica a se sentir dessa maneira – com questionamentos. Temos a mesma idade e toda vez que falo com um de nossos colegas de classe me bate uma nestaugia boa e rica. Como eramos felizes, espontaneos e sem culpas!!!
Mas a vida muda sim, e aprendi que temos que ‘make the best of it’. Eu sempre tento fazer o que me faz feliz, sem se importar com dogmas impostos pela idade ou sociedade, if you know what I mean. Então meu conselho é: brinque, pule, fale, grite, viaje, case, compre uma bicileta, ou qq outra coisa que te deixe FELIZ, sem arrempedimentos e muitos planos.
Enjoy life to the fullest, any time of your life.
Grande beijo.

Resposta
Ann Dezembro 7, 2012 at 10:16 am

Oi Roger, e verdade, temos que aprender a fazer a tal limonada com os limoes que a vida nos oferece rsrsr. Mas, o passado sempre tera um peso impar em mim, sao muitas perguntas que ficarao para sempre sem respostas, devido a eu ter saido do Brasil tao nova, mas, enfim…devagarinho vou tentando resgatar um pouquinho e so o fato de ainda ter contato com pessoas como voce, que fizeram parte de uma infancia tao alegre e importante, ja me deixa muito feliz….obrigada pela comentario…xx

Resposta
Rita Dorneles Dezembro 6, 2012 at 7:29 pm

Ah Ann… eu sempre digo que sinto saudades de mim 🙂 E entendo cada palavra que você escreveu. A essencia continua dentro de nós, acho que não as perdemos ou deixamos pra tras…. ela modifica-se com o tempo, outras coisas tão importantes e signiificativas vão acontecendo e atropelando aquelas que por hábito já nem notávamos que fazíamos ou que “queríamos” fazer…
Este ano quando estive no Rio em Julho senti uma enorme felicidade, passei momentos maravilhosos e retornei aos meus 18 anos, com amigos de 40 anos. Estavamos tão jovens e tão velhos ao mesmo tempo… as rugas apareceram, mas o nosso humor e vivacidade continuavam lá escondidinhos, a gente só precisava se encontrar… Foi delicioso os meus 45 dias de Rio de Janeiro, e ao voltar, senti um vazio, como se de novo, eu tivesse ficado lá em algum lugar do passado… Há dias que não me reconheço, outros que consigo segurar a mão da Rita jovem e outros ainda que apenas consigo me resignar que esta é a vida… cada dia é como uma folha em branco, onde precisamos escrever um novo capitulo da nossa historia; seria monótono se fosse sempre a mesma coisa, os mesmos sonhos, não é?
Beijos adorei o seu texto!
Rita

Resposta
Ann Dezembro 7, 2012 at 10:20 am

Oi Rita, pois e, o resgate que me voce falou e o mesmo que me acontece quando falo com amigos antigos, amigos estes, que me conhecem antes da “responsabilidade da vida” ter tomado conta da minha pessoa rsr. E tao importante, porque ali, naquele momento, como voce mesmo comentou, somos “tao jovens e tao velhos ao mesmo tempo”, e como uma viagem no tempo…O que seria de nos, sem momentos como estes nao e? Obrigada pelo comentario…xx

Resposta
Helena Dezembro 6, 2012 at 10:15 pm

Ihhhhhhhh e isso mesmo, as vezes sinto saudade do que nem vivi, das pessoas que nem conheci. A gente vai amadurecendo e vendo as coisas diferente, outros valores, outras realidades. Fim de ano e o fim. Tantos anos longe da minha familia, dos amigos que nem sei se ainda sao amigos. Mas o ano novo e o recomeco, pra gente tentar ser melhor e melhoar nossa existencia…Lindo desabafo…valeu.

Resposta
Ann Dezembro 7, 2012 at 10:24 am

Lena, voce e uma das pessoas que me faz resgatar o que acho que estou perdendo…Voce me conhece ha muito tempo, a impressao que tenho quando estou com voces e que estou com familia e sem a necessidade de mascaras…posso reclamar sobre a mudanca que venho sofrendo devido a obrigacao de crescer e ser adulto rsrs…Minhas noitadas acabaram e so sobrou saudade rsrsrs. xx

Resposta
Ana Livia Dezembro 7, 2012 at 10:23 am

Estou encantada com seu texto! Mexeu numa caixinha abandonada laaa no canto da memoria, onde a gente vai colocando essas duvidas, de vez em quando.
Me fez repensar perguntas, respostas, opcoes…
Muitissimo bem colocado em palavras os sentimentos e preocupacoes que, estou certa, batucam na cabeca de muita gente.
‘gradicida!

Ana Livia

Resposta
Ann Dezembro 7, 2012 at 11:57 am

Oi Nalivia,
E eu que pensava ser so eu, rsrs..estou de certo modo contente em saber que meu texto tocou tantas pessoas. O que deixamos para tras deve de tempos em tempos ser remexido e a caixinha que voce mencionou aberta, para podermos nos refazer e recomecar ate, quem sabe? xx

Resposta
Ana Cristina Kolb Dezembro 18, 2012 at 9:11 pm

Ann amada, compreendo completamente o seu sentimento, e partilho. Acho que nao existe pessoa que chegue aos 40, sem passar por estas crises existenciais, quero comprar uma bicicleta? subir em uma arvore? ou casar? rsrsrsrsrsr eu gosto de pensar que somos como Matrioshka (boneca russa, onde dentro da maior tem varias outras menores), penso que a criança, a adolescente, a jovem adulta, a mulher madura e a mulher que sou hoje, sao todas verdadeiras e vivas dentro de mim, e preciso de todas elas! Preciso da criança em mim pra olhar o mundo com curiosidade e sem medo, na verdade sem noçao do perigo rsrsrsrsrrsrs da adolescente que um dia se sente luxo outro lixo, um dia quer encontrar com os amigos e fazer festa, e outro quer ficar sozinha, escutando musicas e curtindo foça, foça pelos amores que tivemos, que ainda teremos, que nao tivemos, e ai vem a ansiedade da juventude, de nao saber se conseguirei tudo o que quero na vida, o sucesso profissional, a familia, o marido, os filhos, o dinheiro que queria tanto, o reconhecimento social, ai vem a mulher madura, que conquistou tudo que queria aos vinte e poucos anos, ou quase tudo, e questiona se isto basta pra ser feliz? Adoro aquela musica do Kid Abelha que diz ” a vida que me ensinaram como uma vida normal, tinha trabalho, dinheiro, familia filhos e tal, era tudo tao perfeito, se tudo fosse so isto, mas isto é menos do que tudo, é menos do que eu preciso……” rsrsrsrrsrsr e ai me encontro aqui com os quarenta e poucos anos, como uma menina ainda curiosa, com sede de viver, as vezes cheia de humores como adolescente, ainda inquieta como aos 20 e poucos anos, ainda questionando se isto é tudo que eu preciso, e querendo muito mais da vida! rsrsrrsrsr Que possamos criar o espaço dentro de nos pra vivemos todas estas nossas Ann’s, Ana’s, etc….. Acho que ainda temos um outro fator, antigamente as pessoas trabalhavam sempre na mesma empresa a vida toda, tinham uma profissao, um casamento, um amor pra vida inteira, hoje vivemos ao redor do mundo, temos tantas profissoes e podemos te-las, podemos ter varios casamentos, podemos mudar, ir e voltar como escolhemos. A alegria de criança, existe sempre na nossa vida e assim como os bons momentos nos permitiram de ter lembranças e saudades de bons tempos, temos também agora as marcas das feridas, a noçao do perigo, e isto nos faz muito mais rica amiga! Somos mais completas, nos alegramos com pouco e ao mesmo tempo este pouco parece imenso! rsrrsrsrsr e as coisas imensas, as vezes parecem quase que nos sufocar, ter um peso, por outro lado nao podemos nos contentar com menos, pois nossa pagina branca de um dia se tornou um livro agora inteiro escrito de mais de 500 palavras ,800 paginas, somos na verdade uma biblioteca inteira, com dramas, contos de fada, documentarios, comedias, crimes, aventuras….. e temo tantas facetas! O importante é poder aproveitar este momento de balança de fim de ano, e rever as coisas, rever a nos mesmas, rever nossos objetivos, nossos sonhos, nossa rotina, nosso espaço interior e exterior, nossos habitos, nossos valores, nossas relaçoes. A vida de casada, mae, profissional, nos obriga as vezes a levar uma vida rotineira que acaba cheia de compromissos e obrigaçoes, que as vezes nao nos permite dar espaço pra nos mesmas! Mas é essencial este espaço e esta liberdade para compreender o que realmente é importante pra nos mesmas, pois so quando nos sentimos livres, podemos revitalizar este espaço criança, adolescente, jovem, maduro e questionador que existe em nos! Adorei amiga seu texto! e quanto a velocidade, intensidade das coisas, normal amiga, afinal nosso metabolismo também mudou rsrsrsrsrsr importante aceitar e ao mesmo tempo se rebelar pra mante-lo correndo livre. Bjus no coraçao!!!!!!! Namasté!!!!!!!

Resposta
Inglaterra – Vinte e cinco anos depois Abril 3, 2015 at 3:59 pm

[…] me sinto de cá, se é que faz algum sentido. A sensação que tenho é que cada ano que passa fico mais à deriva, nessa vida que escolhi (ou será que fui escolhida??). Apesar de gostar e me sentir em casa onde […]

Resposta

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site ou suas ferramentas de terceiros usam cookies Aceitar Consulte Mais Informação