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Empregos na Nova Zelândia

Uma pessoa é realmente pior quando muda de país e se propõe a encarar profissões discriminadas e que são julgadas inferiores por muitos? Trabalhando com a YepNZ há alguns anos, uma das afirmações mais frequentes é: “quero morar um tempo fora do Brasil, preciso me sustentar, estou disposto a começar com subemprego”. Aprendi desde criança que trabalho é trabalho, mas as mudanças da vida e o convívio com nossa sociedade capitalista acabaram por me mostrar as diferentes faces dessa história.

Pesquisando o significado da palavra “subemprego”, descobri que ela nem existe na língua inglesa. As traduções mais próximas que são low paid job (trabalho mal remunerado) e unskilled job (trabalhos que não precisam de qualificação) e nem se comparam com a forma negativa com a qual nós, brasileiros, nos posicionamos com relação ao que chamamos de “subemprego” e, principalmente, com relação a quem exerce essas funções.

Em alguns países, como no Brasil, emprego não é somente o que proporciona sua sobrevivência, mas uma forma de demonstrar hierarquia, status ou poder. Neste contexto, algumas funções são automaticamente classificadas, de forma preconceituosa, como “subemprego”. Quem tem um trabalho como garçom, por exemplo, é visto como uma pessoa inferior, que possivelmente não estudou e sempre terá uma situação desprivilegiada, pois exerce o trabalho que ninguém estaria disposto a exercer. No entanto, a definição de “subemprego” não tem nada a ver com o posto de trabalho, e sim com o indivíduo. Segundo a definição da palavra no português, “subemprego” é uma condição de quem exerce um cargo inferior a sua qualificação, ou seja, quem caracteriza o “subemprego” é o trabalhador, não o cargo.

Ao decidir viver por um tempo em outro país é necessário entender que as regras são outras. As qualificações adquiridas no país de origem se tornam algumas vezes inúteis. Diante de uma nova língua e uma cultura diferente, nada mais natural que o cenário seja de readaptação.

Em países como a Nova Zelândia, por exemplo, onde a desigualdade social não é discrepante, o trabalho é considerado um meio de sobrevivência. O salário mínimo pago é justo e proporciona às pessoas uma vida digna, sem luxos, mas com o necessário. Os serviços em geral são de qualidade e oferecidos pelo governo a todos, sendo acessíveis a todos.

Um garçom frequenta os mesmos restaurantes que um médico e um cleaner (profissional de limpeza), pode ganhar mais que um trabalhador de uma fábrica; um taxista tem salários parecidos com o de gerentes diversos. Esses são só alguns exemplos para mostrar que a diferença entre o salário mais alto e mais baixo no país não é gigantesca como em muitos países em desenvolvimento.

Com este cenário, os valores mudam. Por aqui, quase ninguém tem empregada doméstica, limpamos a casa nós mesmos; se alguém ganha um pouco mais ou não tem tempo, paga 2 horas de limpeza na semana. Se tem algo em casa pra consertar, existe o famoso DIY (Do it yourself) ou “faça você mesmo” de que os kiwis (neozelandeses) tanto se orgulham. No lugar de contratar, o primeiro passo é analisar se eles mesmo conseguem executar o serviço. Como os pagamentos são por hora e a mão de obra é valorizada, tempo é dinheiro, e economizar com o DIY pode virar um jantar ou uma viagem. Trabalhos manuais que demandam tempo de pessoas são geralmente muito caros, se comparados ao Brasil. O serviço é valorizado, em vez de ser caracterizado como “subemprego”.

A valorização profissional não vem somente da quantidade de cursos feitos mas, também, da experiência e conhecimento do profissional. Um bom funcionário é bom e equivalente às suas funções sem carregar o estereótipo de inferior por trabalhar em um “subemprego”. Andar na rua de uniformes e coletes reflexivos com um cinturão de ferramentas é normal. Encontramos, diariamente, pessoas de macacão sujos de tinta comprando nas mesmas lojas do shopping em que estamos passeando. Ninguém é julgado ou visto como diferente por esse motivo; pelo contrário, eles são super orgulhosos da profissão que exercem.

Sei que não é fácil deixar uma profissão estável no Brasil para, muitas vezes, ter de encarar outros trabalhos que demandam força física ou que parecem não utilizar nossa capacidade intelectual total, porém essa fase pode ser necessária quando nos aventuramos em terras estranhas. A experiência pode mudar o jeito com que vemos a vida e encaramos certos serviços. O ideal é entender que tudo é escolha e, se essa foi a sua, seja positivo, exerça cada função com dedicação. E se seu desejo é trabalhar em alguma área específica, melhore seu inglês e não deixe de tentar encontrar algo interessante por receios ou inseguranças. Lembre-se que um trabalho não é inferior ao outro; o importante é viver bem e não acumular bens.

Apesar de alguns encararem como injusto estudar por anos e acabar lavando pratos, as possibilidades de melhoria em um país onde existe flexibilidade no mercado de trabalho e onde tudo é novo são reais. As experiências adquiridas ao longo do tempo em profissões diferentes da sua de formação poderão ser aplicadas e fazer com que você se destaque frente a seus colegas de trabalho. Acreditar nas possibilidades faz com que elas fiquem mais próximas da realidade e se a coragem de vir para um país distante já foi vencida, o trabalho, seja ele qual for, não deve assustar.

É importante ressaltar que em países onde se preza por qualidade de vida o tal “sonho americano” é bem improvável. Vir para o país com o objetivo de juntar dinheiro por um tempo pra comprar uma casa ou abrir um negócio deve ser reconsiderado, visto que apesar de o salário ser bem mais alto que no Brasil, os custos são proporcionais. O que conta mesmo é o estilo de vida. Vale o aprendizado, a experiência no exterior, o crescimento pessoal e ampliação da visão geral do mercado mundial, valorizados por muitas multinacionais e empresas no geral, além da confiança adquirida na língua e em si próprio. A experiência de trabalhar no exterior demonstra a abertura e disposição da pessoa e pode abrir muitas portas no futuro.

Qualidade de vida – Livros a disposição de todos no centro de Auckland. Fonte: acervo pessoal

Morar fora não é também sinônimo de “subemprego”. Se a pessoa já tem inglês e experiência em alguma área em demanda no país, pode, sim, conseguir um trabalho direto no seu campo de atuação. Estudar e se qualificar na NZ pode também dar uma forcinha com relação a ingressar no mercado de trabalho.

O que se chama de “subemprego” é profissão para muitos, não só na NZ, mas também no Brasil. Aprender a lidar com as adversidades é o que irá definir seu sucesso em qualquer parte do mundo!

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10 comentários

lucimar Dezembro 21, 2016 at 8:37 pm

Rosana, que belo texto. Exatamente como penso: mudar para outro país apenas pensando em “juntar dinheiro” é um pecado, é jogar toda uma existência fora. Quero ir embora do país para ter qualidade de vida, para voltar tarde pra casa sem me preocupar com insegurança. Parabéns pelo sucesso alcançado. Vc é merecedora dos frutos que colhe.

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Rosana Melo Fevereiro 10, 2017 at 12:17 am

Oi Lucimar, muito obrigada pelo seu comentário e por expressar sua opinião por aqui. 🙂
Realmente é muito mais fácil superar os desafios quando temos a cabeça aberta e estamos dispostos a enfrentar o que a vida coloca a nossa frente. Com certeza você também com essa positividade e maturidade irá alcançar os seus objetivos. Por agora te desejo super boa sorte, e precisando de algo estou a disposição. Bjao!!!

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Melisa Fevereiro 7, 2017 at 10:07 pm

Oie Rosana tudo bem.?
Estou pensando em mudar pra NZ com meu namorado…ele também trabalha na área de controladoria…você acha que é um mercado que tem possibilidades?
Se puder me envia seu e-mail pra gente conversar…obrigada!

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Rosana Melo Fevereiro 10, 2017 at 12:14 am

Oi Melissa, que legal que estão pensando em vir pra cá. Vale considerar que a NZ é bem pequena apenas 4.5 milhões de habitantes e trabalho vai sempre depender muito de cada um, atitude, nível de inglês e força de vontade. Não conheço bem como é a área de controladoria em específico, mas vale vcs olharem em sites populares daqui pra ver se tem muitas vagas disponíveis na função. Uma pesquisa inicial sempre ajuda. Não sei com que visto pretendem vir,mas o visto de estudante é sempre uma ótima opção visto que vc estuda e pode trabalhar até 20hrs por semana. Assim já começa a construir seu network e ganhar experiência. Se precisarem de qualquer ajuda nesse sentido entre em contato com a equipe da Yep através do [email protected]. Se pudermos ajudar com algo mais também, é só dizer. Super beijão e te vejo por aqui…

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Aquino Fevereiro 13, 2017 at 4:43 pm

Rosana boa tarde e parabéns pelo sucesso. Eu pretendo e sonho em morar na Nova Zelandia,trabalho aqui em um bom emprego e minha esposa tem uma pequena empresa.Sou Engenheiro mas minha ideia seria abrir uma empresa ai se possivel. Gostatia de saber qual capital que é preciso investir para adquirir visto permanente.; Ou teria uma outra forma melhor.

Desde já obrigado.
Aquino.

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Rosana Melo Fevereiro 15, 2017 at 2:06 am

Oi Aquino, obrigada pelo comentário. Para abrir um empresa por aqui e conseguir visto através da empresa, vc precisa solicitar visto de investidor ou de empreendedor. O capital dependerá do tipo de visto que escolher. Vc pode saber mais verificando esse link da imigração daqui https://www.immigration.govt.nz/new-zealand-visas/options/start-a-business-or-invest. Se tiver mais alguma dúvida sugiro que procure um imigration adviser autorizado no país. Se quiser uma recomendação pode nos enviar um emailno [email protected] que passaremos os detalhes pra você. Super beijo, boa sorte e espero encontrar com vc e sua família por aqui!

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francisca ramos ds silveira Junho 27, 2017 at 6:39 pm

Oi Rosana sou de natal no rio grande do norte.tenho um filho uma nora e 2 netinhos ai na new zealand em Auckland.já fui ai passei 6 meses e depois 9 meses para o nascimento do meu 1o netinho achei um pais maravilhoso.

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Rosana Melo Julho 3, 2017 at 10:11 pm

Que legal Francisca. Volte sempre pr aproveitar a família e a NZ. Bjao!

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Luis Henrique Agosto 9, 2017 at 9:12 pm

Olá Rosana, sou estudante de psicologia e estou perto de acabar o curso na faculdade, estava pensando em fazer mestrado e doutorado na NZ. Como vou precisar da pós para atuar no meu ramo, precisarei trabalhar em algum sub emprego, meu nível de inglês é intermediário acha que a NZ é para mim? meu salto atual na conta é 140 mil reais o que juntei até agora. Acha melhor fazer a pós e só ”me mudar” depois que conseguir o doutorado no brasil?

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Rosana Melo Agosto 13, 2017 at 9:29 pm

Oi Luis Henrique, pergunta difícil!
Acho que você deveria vir por um tempo menor e ver o que acha, pois há quem ame e também aqueles que não se adaptam. Sua área é boa por aqui porém tem exigências para se exercer como vc sabe. Uma idéia inicial seria você vir pra melhorar seu inglês, vai precisar de um bom nível pro mestrado, e neste tempo avaliar se a NZ é pra vc. Daí vc testa como se sentirá em relação a trabalho também. A quantia que tem parece suficiente pra executar seus planos. Se precisar de ajuda com os cursos não deixe de me contactar no [email protected], terei maior prazer em ajudar. bjão e boa sorte!

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