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Eneagrama – como agem os tipos instintivos durante uma expatriação

Eneagrama – como agem os tipos instintivos durante uma expatriação.

Dando continuidade à série de quatro artigos sobre Eneagrama e expatriação (se você perdeu o primeiro, leia ele aqui), hoje falo um pouco sobre os tipos chamados instintivos. Para relembrar, segundo o Eneagrama, existem três centros de inteligência, e em cada um encontramos três tipos de personalidades: o centro instintivo (personalidades tipo 8, 9 e 1); o centro emocional (tipos 2, 3 e 4) e o centro racional (tipos 5, 6 e 7). O nosso caminho de evolução é passar a usar os três centros que já estão dentro de nós, ao invés de apenas interpretar o mundo a partir de um deles, que é o que comumente fazemos. Aqui descreverei as linhas gerais dos tipos instintivos, mas saibam que elas variam de pessoa para pessoa, de acordo com o nível de consciência de cada uma.

As personalidades chamadas “instintivas” no Eneagrama têm em comum o foco no agir. Partem para a ação sem passar muito tempo em reflexão (não significam que sejam imprudentes), costumam ter muita energia e têm grande senso de justiça. Costumam perceber bem as sensações do corpo e dão muita atenção ao tempo presente. A emoção de base desses três tipos de personalidade é a raiva, que se expressa de forma diferente em cada um deles.

Tipo 8

O tipo 8 acredita que o mundo é dividido entre fortes e fracos, e ele escolheu pertencer ao primeiro grupo. Geralmente são pessoas vistosas, fisicamente grandes, com o tom de voz alto. Ocupam seu espaço, lideram atividades e não fogem de conflitos. São muito diretas e objetivas. Usam a raiva como energia de movimento. Têm grande preocupação com a justiça, e por isso protegem aqueles que estão próximos. Seu grande caminho de evolução é aceitar sua própria vulnerabilidade e compartilhá-la com o mundo, ao invés de tentar escondê-la a todo custo, e evitar a necessidade de manter tudo sob controle.

Os expatriados do tipo 8 não costumam deixar a timidez atrapalhar sua integração na nova cultura. Não têm medo de pedir informações e de solicitar explicações sobre como as coisas funcionam. Por serem muito diretos e várias vezes impacientes, podem não pegar as sutilezas da língua ou dos costumes locais e cometerem pequenas gafes. Devem colocar atenção aos excessos que às vezes tomam conta de sua vida. Por exemplo, evitar querer resolver todas as pendências da expatriação logo no primeiro mês, perdendo horas de sono ou sacrificando o lado familiar, chegando quase à exaustão física em muitos dos casos. Ou ainda se empolgar com a culinária local e exagerar na dose de determinados pratos, afetando a saúde.

O expatriado assalariado, se já gerenciava pessoas em seu país de origem, dificilmente terá dificuldade para continuar seu papel de liderança no novo ambiente de trabalho. É importante, porém, ter atenção para não intimidar os novos colegas, uma vez que já se apresenta como se estivesse sempre estado por perto, e também respeitar e integrar os diversos pontos de vista diferentes do seu.

Um cônjuge tipo 8 não terá muitos receios no momento de procurar emprego e, se começar a trabalhar em grupos na comunidade, rapidamente poderá estar até mesmo liderando o time! Mas muita atenção em manter a paciência com as pessoas e em não estourar a todo momento. Para uma personalidade tipo 8, a raiva é uma coisa natural e até mesmo energiza, mas nem todo mundo está tão acostumado a ela como esse tipo!

Tipo 9

O tipo 9 acredita que a coisa mais importante no mundo é viver em harmonia com tudo e com todos e essa crença traz coisas positivas, mas também algumas limitações. Por um lado, costuma ser uma pessoa altamente inclusiva, tranquila, bastante agradável. Está sempre disponível aos amigos e se adequa fácil aos programas de todo mundo. Consegue ver os vários lados de uma mesma questão e, por isso mesmo, tende a ser uma excelente mediadora de conflitos. E, falando em conflitos, o tipo 9 os odeia – quando o conflito é com ele mesmo. Por procurar sempre a harmonia, tende a fugir de todo e qualquer conflito, e isso pode prejudicar seu posicionamento. Pode muitas vezes dizer sim quando o que mais queria era dizer não e, de tanto abafar sua própria opinião e suas necessidades, pode acabar se esquecendo delas. Seu grande caminho de evolução é aceitar que o mundo já é harmônico tal como é (mesmo com essa confusão toda atual) e que não será ele quem quebrará essa harmonia. A sua voz é muito importante, sim, e deve ser usada em alto e bom tom.

O expatriado assalariado tipo 9 terá muita facilidade para entender a nova cultura e a se adaptar ao ritmo local. Mesmo que muitas vezes prefira estar em casa ao final do dia, vai participar de todos os eventos de integração a que for convidado. Se liderar pessoas, vai trabalhar com afinco para criar um ambiente onde todos sejam ouvidos e convivam em harmonia. Mas deve prestar atenção se está dando o direcionamento claro e objetivo que a equipe precisa, sem parecer indeciso, e se circulará de forma confortável entre pares e chefes, não fugindo dos conflitos tão comuns no quotidiano de uma empresa.

O cônjuge tipo 9 provavelmente vai se integrar muito rapidamente e, em pouco tempo, participará de vários grupos. Vai conhecer desde o florista da esquina até a presidente da associação de pais e alunos da escola dos filhos. Estará sempre ocupadíssimo, com uma grande variedade de tarefas a cada dia. No entanto, como não costuma muito investigar o que se passa dentro dele, não necessariamente estará se ocupando com a ação mais certa a fazer a cada momento, perdendo-se nas pequenas ações do dia a dia. Pode procrastinar decisões importantes, sobretudo se achar que está sendo pressionado para agir.

Tipo 1

O tipo 1 acredita que o mundo pode ser muito melhor do que é hoje, e que ele tem um papel importante para ajudar a alcançar isso. Assim, tem um alto nível de retidão e busca a qualidade em tudo o que faz – podendo derrapar para o lado do perfeccionismo. Costumam ser muito rigorosos consigo mesmos e encontrar facilmente o erro nas coisas e nas pessoas. Quando encontram o equilíbrio, são muito inspiradores, pois acreditam na evolução do mundo e no desenvolvimento de todos. Mas podem ser muito críticos e passarem muito tempo irritados com coisas malfeitas ou pessoas mal-educadas. Seu grande caminho de evolução é aceitar que o mundo já é perfeito do jeito que é (mesmo com todas essas imperfeições aparentes) e se aceitar e aceitar os outros do jeito que são. Essa calma interior lhe fará muito bem.

O expatriado tipo 1 se apressará por aprender todas as regras locais e vai segui-las com entusiasmo. Por dentro, criticará tudo o que acha malfeito ou errado, mas terá uma boa diplomacia para falar sobre isso com os outros. E vai falar, pois quer melhorar tudo o que encontra. Todos logo observarão a qualidade do seu trabalho, sua responsabilidade e suas opiniões. E é aí que deve prestar atenção: como acha que sempre está certo, deve conter seu impulso a querer impor seu modo de fazer as coisas ou querer fazer tudo sozinho, achando que fará melhor e mais rapidamente. Costuma não gostar muito de momentos de feedback, pois não lida bem com críticas (ele já se critica o suficiente…).

O cônjuge tipo 1 vai estudar horas a fio para aprender a língua local e, em pouco tempo, a estará dominando. Terá bastante cuidado para respeitar todas as regras sociais da nova comunidade, mas não se furtará de sugerir melhorias sempre que achar válido. Super organizado, estará sempre em dia com tudo o que precisa resolver sobre a expatriação de sua família e jamais perderá documentos ou prazos. Deve tomar cuidado para não se perder nos detalhes e não querer controlar absolutamente tudo, pois isso é impossível!

E então? Se achou em um dos tipos instintivos? Esses três tipos usam muito mais o centro de Inteligência instintivo do que os outros dois que também estão à sua disposição: os centros emocional e mental. O seu uso equilibrado é o que traz maior desenvolvimento pessoal e satisfação de longo prazo.

No próximo mês apresentarei os tipos ditos “emocionais”. Até lá!

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