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Ensinando Português na Nova Zelândia

Ensinando Português na Nova Zelândia.

Quem é mãe no exterior sabe que é tarefa árdua manter o português e transmitir os valores que temos, como brasileiros, para nossos filhos que não nasceram em terras tupiniquins. Os pais compartilham das mesmas preocupações: Como manter o português com as crianças? Como ensinar os pequenos a escrever? Como meu filho vai praticar o idioma se não tem amigos brasileiros?

Português é uma língua muito difícil para quem não aprendeu na infância, pelo menos é o que a maioria das pessoas, que aprenderam depois de adultas, comentam.

Tudo começa a tomar outra proporção depois que os pequenos começam a ir para a escola onde ficam imersos em outro idioma. Seja ele qual for, o português será a segunda, ou terceira língua que a criança irá falar. Até mesmo porque só é falado em casa com os pais, ou ao menos com um deles.

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Mas sejamos sinceros, crianças que nascem em família que falam dois ou mais idiomas, já são bilíngues de berço. Eles aprendem rapidamente um, dois, ou até três idiomas. Estudos já afirmam que crianças até 11-13 anos têm grande facilidade em aprender outra língua. E mesmo sabendo de tudo isso, nós, mamães brasileiras que moramos no exterior ainda queremos que nossos filhos falem o português, entendam o significado de ser brasileiro, conheçam o Carnaval, saibam cantar Escravos de Jó ou Ciranda, Cirandinha e gostem da Turma da Mônica. Por que não?

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na Nova Zelândia

Antes de mudar para a Nova Zelândia pesquisei se havia algum grupo de mães brasileiras em Auckland. Para que eu pudesse conhecer outras pessoas, para minha filha ter contato com outras crianças brasileiras e então todos falarem português e trocarem um pouco de experiências tendo um pouquinho da nossa cultura em um outro país.

Foi então que conheci a página “Mamãe Brasileira Aotearoa”, criada pela Cris Diogo. A Cris mora em Auckland há 9 anos. Ela criou o grupo quando estava grávida do primeiro filho e sentia necessidade de conversar com outras mães em português. Entrou na comunidade brasileira quando era no Orkut e perguntou se tinha mais mulheres grávidas como ela. Aos poucos o grupo foi se formando. Com encontros casuais na casa de uma ou de outra, até que eram tantas mulheres e tantos bebês que foi preciso organizar e escolher outro lugar para se encontrarem.

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Eu entrei no grupo em 2013 quando me mudei e também fui adicionada ao “Colo de Mãe” no Facebook, grupo fechado e exclusivo para as mamães de Auckland. Me apresentei e comecei a participar de encontros e playgroups. Foi a minha porta de entrada para fazer amizades e ter a convivência com outras famílias brasileiras.

Mas não é só em Auckland que as mamães brasileiras se reúnem. Tem outro playgroup em Wellington que é semanal e em breve vai ter playgroup em Dunedin também.

A Cris Diogo se comprometeu a organizar eventos para as mães que incluíssem também toda a família, como festas de natal e festas juninas. O que acaba sendo muito importante para promover um pouco de convivência com a cultura brasileira e o idioma entre as famílias que moram aqui.

Além dessas atividades, existe também o Brasileirinhos: música e brincadeiras.  Um projeto criado pela Mônica e Sislânia que tem como objetivo expor as crianças à língua portuguesa através de músicas, livros e brincadeiras bem brasileiras. O encontro acontece uma vez por semana e as mães participam junto. No momento está sendo estabelecido também uma biblioteca com livros em português para as crianças terem acesso não só durante o Brasileirinhos, mas também para poderem levar pra casa.

O legal deste projeto é que sempre envolve um “tema” da cultura brasileira, como Carnaval, dia do índio, Páscoa, e por aí vai.

Em conversa com a Cris, ela me contou que a medida que as crianças foram crescendo as mães começaram a sentir necessidade de mais atividades para ensinar o português para os pequenos. O jeito foi ir atrás de uma professora.

Acharam a professora, formada em letras e que estava disposta a fazer turmas para pequenos brasileirinhos que precisavam aprender a escrever e ler em português. No primeiro ano ela se dispôs as aulas semanais praticamente sem ganhar nada, afinal o dinheiro arrecadado das famílias pagava o aluguel do local e material. As mães se reuniram e a Cris levou o projeto para a embaixada do Brasil em Wellington. O projeto foi aprovado e atualmente a embaixada Brasileira na Nova Zelândia subsidia um auxilio por criança e ajuda também no material e pagamento da professora.

 

Existem muitas maneiras de ensinarmos o português para os pequenos e mantermos ele no dia-a-dia. Não é tarefa fácil, mas é possível. Aqui em casa eu só falo português com a minha filha, meu marido fala um pouco de inglês com ela, e
entre nós dois falamos português.

Como ela inda não vai para escolinha, o português está sendo a primeira língua dela, mas com o convívio diário de outro idioma ela já sabe muitas palavras em inglês e entende tudo nos dois idiomas.

Também costumo fazer Skype com a família no Brasil quase diariamente, isso ajuda muito no desenvolvimento de novas palavras. Ela mostra brinquedos e quer conversar com a Vovó, o Vovô, os Tios e as Primas. Além de matar um pouquinho da saudade, é outra maneira de inserir o português na vida dos pequenos.

Aqui em Auckland minha filha convive com crianças Brasileiras e Kiwis. Eu como mãe, acabo falando em inglês quando encontramos amigos que não são brasileiros. Já a Alice mistura os dois idiomas e muitas vezes fala português com a amiguinha Kiwi. Como ainda são pequenas elas se entendem mesmo assim, uma repete o que a outra fala, e a Alice sempre acaba aprendendo palavras novas.

Uma coisa é certa, a família tem que ter paciência e continuar insistindo (e muito!) para manter a conversação de um outro idioma dentro de casa.

Acredito que para fortalecer o desenvolvimento de crianças bilíngues é preciso dedicação, paciência e insistência por parte dos pais. Uma metodologia muito utilizada para casais de diferentes nacionalidades é OPOL (one parent one
language). Ou seja, cada um fala a sua língua materna e as crianças aprendem as duas e sabem diferenciar com quem falar cada idioma. A consistência e insistência dentro de casa é a melhor opção, colocando o ônus na criança para que seja compreendida e aprenda a se expressar em português. Afinal de contas, se não precisarmos falar a língua, por que falaremos?

Outra dica valiosa é aproveitar as idas ao Brasil para trazer livros e DVDs, que sejam do interesse da criança, em português. Já conheci famílias que colocaram a regra: “TV só em português com algum DVD”. É outra maneira de ajudar a
criança a ter a presença do idioma em coisas banais do seu dia-a-dia. Livros, jogos e até aplicativos eletrônicos em português podem, e devem, ser utilizados para o aprendizado da língua. Nunca foi tão fácil ter acesso a materiais em diversos idiomas, mas é preciso dedicação dos pais para proporcionar aos seus filhos estas experiências.

Eu ainda mostro pouco iPad para minha filha (ela ainda nem completou 2 anos), mas é claro que ela se interessa e já foi apresentada até para a Galinha Pintadinha. Tento focar mais nos livros em português, e nos livros em inglês coloquei adesivos com a palavra em português, e muitas vezes ela já sabe que tal objeto tem ”dois nomes”.

Estou curiosa para ver como será quando chegar o momento da escola, aguardaremos a cena dos próximos capítulos.

Alguém aí quer compartilhar como mantém o português com suas crianças no pais onde você mora?

Colaboração: Cristiane Diogo.

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4 comentários

Denise [email protected] Brazil To You Outubro 4, 2014 at 2:58 pm

Eu sei o quanto sofro insistindo que as minhas filhas de 6 e 8 anos continuem a falar português. Era muito mais fácil quando elas não estavam na escola aqui nos EUA onde moramos. Lemos livros e colocamos elas para ler (elas foram alfabetizadas em português por mim e foi mais fácil quando elas já tinham sido alfabetizadas em inglês), passamos vídeos e desenhos em português, colocamos pra falar com a minha família por telefone, participamos de atividades em língua portuguesa junto a associação de brasileiros, mas sobretudo obrigamos a elas a falar a língua aqui em casa. A tarefa é bastante cansativa mas está valendo a pena.
Amei o artigo!!!

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Catherine De Souza Nogueira Outubro 30, 2014 at 7:33 pm

Que bom que você gostou Denise. 🙂 É cansativo mesmo, mas o retorno a longo prazo para eles e, nós como família, é valioso.

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Livia Fernandes Outubro 29, 2014 at 11:24 pm

Olá,
Eu gostaria de saber como que funciona a escola para alunos estrangeiros, no caso se é pago ou não.
Eu estou indo para Auckland no ano que vem e minha irmã está querendo ir comigo fazer mestrado em enfermagem. Mas ela tem muitas dúvidas em relação à educação da filha dela.
Tenho pesquisado mas não encontro nenhuma informação sobre se as escolas são pagas e quanto em média é para imigrantes com filhos.
Parabéns pelo blog.

Livia

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Catherine De Souza Nogueira Outubro 30, 2014 at 7:42 pm

Oi Lívia, tudo bem?

Recomendo você dar uma olhada no site do Mamãe Brasileira Aotearoa (comunidade brasileira de famílias que moram aqui) – http://www.mamaebrasileiraaotearoa.co.nz . Você consegue esclarecer muitas dúvidas lá. Na última edição da Revista online também tem uma matéria contando um pouco como é a educação e vivência das crianças aqui na NZ. Está na edição de outubro. Dá uma conferida:

http://www.mamaebrasileiraaotearoa.co.nz/revista-mba

Espero ter ajudado.
🙂

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