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Meu final de ano em Montana

Há três anos fui intercambista na cidade de Roberts, estado de Montana, localizado ao extremo norte dos Estados Unidos, estado quase inabitado. Fiquei hospedada na casa de uma família norte-americana e frequentava a escola pública, como toda típica história de quem faz intercâmbio nos EUA. No entanto, minhas celebrações de fim de ano não foram nada típicas, foram o que eu apelidei de “meu final de ano Cowboy”.

Conforme mencionei, Montana não é um estado muito populoso. Apenas em 2012 o estado conseguiu atingir a marca de 1 milhão de habitantes. Logo percebe-se que a população de brasileiros também é muito pequena. Pessoalmente, conheço apenas mais dois outros brasileiros aqui. Isso me deu a chance de imergir na cultura norte-americana com mais facilidade e viver experiências únicas, incluindo o Natal e o Ano Novo.

Minha família do intercâmbio tem um estilo muito peculiar de ser, todos nasceram e cresceram aos arredores de fazendas, cavalos e gado. Por exemplo, meu “primo” é um peão de rodeio profissional, que há sete anos consecutivos se classifica para a grande final do grande rodeio em Las Vegas. Meu “tio” trabalha na doma de cavalos e até no tratamento pós-traumático. Minhas “irmãs” foram rainhas do rodeio ano passado e participaram de vários rodeios ao redor do estado de Montana. Minha “avó” tem um haras, onde pessoas alugam uma cabana e ela ensina turistas a andar a cavalo, além dela participar de várias feiras e pastoreio de gado por todo o estado. Enfim, deu para ter uma ideia de que a família que me adotou é uma família de “cowboys”?

No Natal, os americanos geralmente não comem o tradicional peru – esse prato é mais popular em novembro durante o feriado de Ação de Graças (Thanksgiving). É preferível comer um presunto ou um chester, no entanto, a ceia natalina da minha família geralmente tem camarão, linguiça, batata e milho cozido. Isso mesmo, e sem pratos ou talheres, a ceia é servida em uma mesa forrada com papel alumínio e com os molhos servidos na própria mesa, sem a menor cerimônia.

Diferente da nossa cultura brasileira, onde a etiqueta ao redor da mesa é importante, aquela experiência não requeria nenhuma cerimônia, um tanto surpreendente e, ao mesmo tempo, bastante divertido. No decorrer da noite, perguntei aos meus avós adotivos o porquê daquela ceia tão diferente, e eles me responderam que daquela forma eles não tinham que ficar se preocupando com as louças sujas ou com a bagunça, já que tudo que estava sendo utilizado era descartável, e que assim poderiam focar mais em curtir e passar mais tempo com toda a família que estava reunida, além de ser uma experiência única para as crianças e para mim também.

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Fonte: acervo pessoal

Eles vêm mantendo esta tradição há mais ou menos 20 anos. Minha família adotiva batizou de “camarão fervido”, sempre servido na casa dos meus “avós”, e depois que oramos e comemos, é tradição para eles brincar de elefante branco, brincadeira essa que eles levam muito a sério.

Uma semana transcorreu e aonde eu ia passar a virada do ano continuava a ser outra surpresa.

Era a primeira vez que eu estava passando essas datas sem a minha família biológica. Eu já estava há quatro meses longe de casa, um pouco triste, e parecia que a saudade iria aumentar ainda mais nessa época do ano. No entanto, mal consegui ficar com saudade de casa quando descobri que iríamos passar o final de ano em um resort de snowmobile. Para quem não conhece snowmobiles, são motos de neve, que assim como no motocross, podem ser utilizadas para fazer trilhas e até acrobacias.

Fomos para um hotel no topo de uma pequena cadeia de montanhas, voltado somente para a prática desse esporte de neve. Além de cowboys, minha família adotiva se diverte muito com o famoso snowmobile (já foi até presente de aniversário de casamento na família!). Depois do Natal, todos levaram suas motos de neve para o resort, e passamos três dias, explorando uma região chamada Big Horn Mountains, ao sul de Montana, já no estado de Wyoming. Foram três dias de muita neve, frio, diversão, de uma experiência que vou lembrar para o resto da minha vida, e que aconselho para quem está procurando um esporte novo, em uma região diferente da rota de turismo americana, pois o snowmobile é incrível.

No dia 31 de dezembro, depois de já termos voltado das trilhas, fomos nos arrumar para esperar o ano novo chegar. Eu, como boa brasileira, estava preocupada em achar alguma roupa branca para usar na festa que iria acontecer no salão do hotel. Ao chegar à festa, para a minha surpresa (mais uma vez) ninguém, além de mim, usava branco. Perguntei à minha mãe adotiva, se ela não ia usar branco, e ela me perguntou: “por que eu usaria branco na virada de ano?” Foi quando percebi outra diferença cultural. Os americanos não usam branco para passar o ano novo, isso é uma tradição/superstição de brasileiros.

Tirando essa descoberta, enquanto estávamos celebrando a virada do ano, uma nevasca estava caindo do lado de fora do hotel. Nunca tinha passado o ano novo com tanto frio, ou ao menos com frio, já que sou do estado do Pará, onde você só pode ficar com frio se o ar condicionado estiver ligado no volume máximo.

No dia seguinte, passada a virada, era hora de voltar para Montana e dizer adeus a uma das melhores experiências que meu ano de intercambista pôde me proporcionar. Sem sombra de dúvidas foi uma entrada de ano muito especial. Aconselho a todos que tiveram a oportunidade a ter uma experiência semelhante.

Se quiser saber mais sobre minhas aventuras de intercambista em Montana, me deixa um recado logo abaixo e continue me acompanhando aqui no Brasileiras Pelo Mundo.

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1 comentário

João Cesarino Dezembro 6, 2016 at 12:38 pm

Parabéns pelo texto! Bem estruturado.

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