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O dia em que venci a infertilidade

Como expliquei no texto passado (se não leu, clique aqui), essa tentativa era a última chance. De certa forma, eu estava mais tranquila. Ninguém sabia que voltamos à clínica, e eu já tinha entendido que a vida sem filhos também é perfeita. Às vezes, colocamos um objetivo na cabeça e não reparamos o quão bela a nossa vida já é.

Primeiros passos

Iniciei com as doses que eram o dobro das do primeiro ciclo. As médicas queriam evitar que a nova tentativa fosse exaustiva como a última. Realmente não precisei de muitas injeções, porque o corpo reagiu rápido e a ovulação aconteceu na metade do ciclo, como se deseja. Sem muito estresse, tentamos. Dez dias depois senti uma agulhada no útero. Sabia que era a nidação, pois em todas as gravidezes, eu senti essa pontada no décimo dia pós-ovulação. No dia marcado para o teste de sangue de gravidez, deu mais uma vez positivo, mas com o HCG meio baixo. Eu sabia dentro de mim que daria certo.

Como fui diagnosticada (mais uma dificuldade!) com trombofilia, tive que tomar todos os dias da gravidez, a partir do meu positivo, uma injeção na barriga toda noite para afinar o sangue. Isso é, tentei esses quatro ciclos com injeções na barriga e, agora que tinha dado certo, teria que me aplicar outro medicamento até o fim da gestação. Logo eu, que tinha medo de agulhas. Mas a maternidade, já desde o desejo, nos faz ultrapassar nossos limites.

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Seguro de Saúde

Aqui mais uma vez o seguro de saúde da Alemanha me surpreendeu. Eu não precisei pagar nenhum centavo pelo medicamento. Sei que é caro, mas como o bom andamento da minha gravidez dependia dele, o seguro cobria 100%. Recebia caixas da farmácia com 50 injeções sempre que precisei. Pensei com meus botões que dificilmente poderia arcar com todas essas tentativas e medicamentos se estivesse no Brasil. Talvez o universo estivesse me dando uma chance, pois com todas as dificuldades físicas, vim parar em um país que cobria o tratamento todo. Nada é por acaso, acredito.

Como todas as mulheres que já tiveram aborto, tive muito medo de algo acontecer durante a gestação. Toda ultrassonografia que precisei fazer, eu ficava com o coração na boca. Nem sabia se queria ver a tela do computador. Os três primeiros meses de maior risco passaram. Meu embrião estava lá se desenvolvendo bem, se mexendo bastante e com o coração forte. Firme e CONSTANTE. Meu Konstantin. A médica me ajudou bastante, fazendo nesse período ultrassonografias 3D a cada 15 dias, sem nenhum custo extra.

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A gravidez foi perfeita. Não tive um enjoo sequer, pude dormir até o último dia, não tive desejos loucos, engordei menos de 10 kg, meu filho estava forte e chutando bastante de vez em quando. A doula vinha na minha casa me visitar e verificar a posição do bebê na barriga, o tamanho dela, os batimentos do coração, me pedia para fazer testes de urina e fez acupuntura. Tudo pago pelo seguro de saúde.

Os hospitais na Alemanha

Os hospitais na Alemanha costumam fazer um dia de portas abertas por mês para os pais conhecerem o local e escolherem onde farão o parto. Nesse dia, as enfermeiras e médicas do local fazem uma apresentação das expectativas do hospital e do acompanhamento. As visitas são francas.

No hospital que escolhi, também participamos de um curso preparatório de parto durante um fim de semana. Uma parteira deu aula e explicou tudo que precisávamos saber sobre o parto normal (prioridade no país), exercícios de respiração, como os parceiros podem ajudar e amamentação. A gestante não precisa pagar, fica a cargo do seguro de saúde. O pai paga um valor não muito caro, mas que pode ser reembolsado pelo seguro.

Todo serviço médico e preocupação com as grávidas na Alemanha costumam ser muito bons. A gestante se sente bem amparada e pode sempre tirar dúvidas com os médicos e doulas. No hospital, a tentativa é sempre de parto normal, sem nenhum custo adicional. Quem faz o parto é a parteira (ou enfermeira obstetrícia, como algumas pessoas falam), que estiver de plantão no momento. O médico obstetra só entra em ação caso haja alguma dificuldade. Os hospitais normalmente têm uma ou duas salas de parto normal e banheira. As salas têm normalmente banquinho, uma cama, bola de pilates, lenços amarrados no teto para a grávida puxar etc. Tudo para ajudá-las nessa hora difícil e especial.

E o meu dia chegou. O dia do meu filho vir ao mundo. O dia em que venci a infertilidade. O dia em que me transformei em mãe. O dia divisor de águas. Depois de idas e vindas ao hospital, de um trabalho de parto muito difícil (o que explicarei em outra oportunidade), um lindo bebê me foi apresentado, olhando-me com aqueles olhinhos redondinhos e cheios de esperança. A vida é incrível. A natureza é sábia. Só consegui beijá-lo e explodi de felicidade. Tive então a certeza de que tudo, mas absolutamente tudo, que passei valeu a pena.

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2 comentários

aline Junho 14, 2019 at 2:02 pm

Parabens karina, imagino cada frustação que passou. Minha cunhada e irmão no ano passado eles depois de 3 anos tentando ela ficou gravida ano passado e perdeu o bebê ia ser uma menina 8 semanas, eles haviam contado so para os pais, e irmaos, e irmas, mais ninguem sabia. Ai nesse ano esperaram e deram noticia ela estaria gravida vai ser um menino, nasce fim de setembro e começo de outubro eles moram nos Eua
Como vc disse realmente muito caro fazer a in vitro. Sempre tem aquelas opçoes e nao dar certo, existe adoção. Me desculpe a pergunta vc tem quantos anos? sei que tambem existe isso da idade e fora os problemas de muitas nao poder ter filhos. Mais Deus é fiel e fez vc ter o seu filho

Resposta
Karina Finke Julho 4, 2019 at 7:05 am

Olá Aline!
Desculpa pela demora em responder seu comentário. Eu sou nova. A primeira vez que engravidei, tinha 31 anos. Expliquei nesse texto que realmente se tratava de problemas hormonais e outro no útero que foi resolvido cirurgicamente. Nem precisei de in vitro, só injeção de hormônio mesmo. Fico feliz pelo seu irmão e cunhada! Que o bebê venha muito saudável! Muita saúde para mamãe durante a gestação também. Temos que confiar no que Deus tem reservado para nós.

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