O hábito alemão da leitura

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(Foto: Pixabay.com)
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A leitura é uma das atividades preferidas dos alemães. De acordo com uma pesquisa realizada em 2016, 60% deles consideram a prática como uma parte importante da vida e um a cada dois afirmou que o livro é como um bom amigo.

É possível identificar que as mulheres lêem mais do que os homens e quanto maior o nível de educação, mais livros por ano são lidos. Há também o outro lado, pois apesar de terem frequentado a escola, mais de 7,5 milhões de alemães não conseguem ler o nome de uma rua por exemplo, mas a maioria destes casos é por falta de treino ou prática.

 

(Gráfico baseado na pesquisa realizada para a revista Stern durante a Feira de Livros de Frankfurt em 2015. Valores aproximados, com tolerância de erro de +/-3%)

Como funciona a venda dos livros?

Quando cheguei há seis anos, reparei que era possível comprar livros até em supermercados. Uma das maiores redes de livrarias também colocava estandes com livros misturados em promoção na entrada de suas lojas e os alemães ficavam ali, caçando aqueles que eram de seu interesse. Era quase que uma competição, já que muitos não estão disponíveis em mais de um exemplar. Aquilo me intrigou e pensei: “quando eu aprender alemão o suficiente, também caçarei meus livros por aqui”. E assim foi. A cada ano que passava, eu aprendia alemão também fora da sala de aula com a leitura. Li um livro em um ano, depois li cinco no ano seguinte e fui aumentando. No ano passado li 55 livros sendo 80% deles em alemão, caçados ali nos supermercados e estandes na frente das livrarias. Isso também faz parte da integração na cultura local e recomendo bastante.

Os preços de venda dos livros são tabelados e fixados. Isso é, eles já são impressos na contra capa. Os lojistas não podem reduzir ou aumentá-los por livre vontade. O que mencionei antes sobre livros em promoção, são aqueles que tiveram algum dano no transporte ou armazenagem, um rasgo ou um arranhão na capa. Apenas com algum dano o livro pode ser vendido a menor preço ou caso a loja faça uma arrumação no estoque. Entretanto, muitas livrarias que não conseguem vender o todo estoque planejado de um certo livro, fazem um arranhão ou pequenas fissuras nas capas para carimbarem o livro como Mängelexemplar para os venderem a preços reduzidos.

Por quê os preços de venda dos livros são fixos na Alemanha?

Os livros não são encarados como uma mercadoria qualquer neste país, mas objeto de extrema importância para o avanço da ciência e estudos. Tornar o preço fixo é fazer com que o livro, considerado na Alemanha como mercadoria da cultura, não sofra alterações normais de mercado (relação de demanda e oferta). Além disso, com esta regra há uma competição mais justa entre grandes livrarias e as pequenas e tradicionais dos bairros. Todas vendem ao mesmo preço. É possível encontrar livros por pouco mais de 3 euros (em “promoção”) até aproximadamente 20 euros. Livros de capa dura são normalmente mais caros. Não faz diferença se você comprar um livro novo na livraria ou na internet. A Amazon alemã não cobra frete para envio de livros, saindo, portanto, ao mesmo preço que você encontrará na livraria da sua esquina.

Feira de Livros de Frankfurt

Considerada a maior do setor editorial do mundo, a Feira de Livros de Frankfurt tem mais de 500 anos de tradição, criada por livreiros locais logo após a impressão de letras ser feita por Johannes Gutenberg. Este evento é certamente um dos mais importantes da região, ocorrendo no início de outubro. Em 2017, foram 286.425 visitantes nos cinco dias de duração.

Escritores alemães e estrangeiros

A literatura alemã é repleta de grandes escritores, que entraram para a história. Alguns dos nomes são: Friedrich Nietzsche, Karl Marx, Friedrich Hegel, Immanuel Kant, Martin Heidegger, Arthur Schopenhauer, Friedrich Schiller, Johann Wolfgang von Goethe, Hermann Hesse e etc. Bastante conhecidos são também o Jacob Grimm e Wilhelm Grimm ou, mais fácil, os irmãos Grimm. Eles escreveram famosos contos infantis como a conhecida história “Aschenputtel” (“Cinderela”). Claro que as versões originais dos contos dos Grimm não são exatamente como produzidos pela Disney. Recentemente adquiri uma coletânea deles e li o Aschenputtel. Na história, o pai da Cinderela não morreu, não há fada madrinha nenhuma, abóbora que virou carro não existe e nem os ratos que ajudam a fazer o vestido dela. Ainda achei interessante que as filhas da madrasta chegaram a cortar com uma faca os dedos e o calcanhar dos pés para caberem no sapatinho. Enfim, a Disney apenas se baseou no conto.

Os autores estrangeiros também são bem queridos por aqui, como por exemplo George Owell, J.K. Rowling, George R.R. Martin, John Green e Oscar Wilde. Na lista de 100 livros estrangeiros mais vendidos da Amazon Alemanha temos apenas um livro de um autor brasileiro. Paulo Coelho entrou na lista na posição 76° com sua obra “O Alquimista“.

O que acho interessante também é que muitos livros estão disponíveis na versão áudio. Alguns conhecidos me disseram que preferem ouvir o livro por falta de tempo, eles escutam a narração no carro durante o trânsito para o trabalho, durante os afazeres domésticos ou mesmo ao se deitar na cama antes de dormir.

Eu não senti nenhum preconceito com esta prática em detrimento da leitura, pelo contrário, eles falaram naturalmente que conheciam os livros através de áudiolivros. É uma questão de gosto se o livro será físico, eletrônico ou áudio. O importante é ler para se enriquecer culturalmente e mudar a visão de mundo.

Como é o hábito da leitura no país onde você mora?

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