O melhor e o pior de morar na Geórgia

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Fonte: Pixabay
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O melhor e o pior de morar na Geórgia.

Este mês estou completando um ano e meio em Tbilisi. Passados 18 meses vivendo o dia-a-dia desta terra tão diferente do Brasil, a maior parte do que eu já achava positivo aqui continua me fazendo feliz. Já do lado negativo (que sempre existe, não podemos negar), com alguns aspectos aprendi a conviver, outros continuam me tirando do sério. Neste texto, divido com vocês o que considero o melhor e o pior da vida de expatriada na Geórgia.

Sejamos positivas e comecemos pelo lado bom! As coisas que mais gosto aqui, sem dúvida, são:

A beleza

Tbilisi é uma cidade bonita e charmosa. A cidade velha, as varandinhas, as igrejas e até o rio que não é dos mais limpos formam uma bela paisagem (especialmente se vista do alto, como eu tenho o privilégio de ver da minha janela). Não bastasse a cidade ser fofa, é só dirigir um pouco para fora dela e se deparar com o grande Cáucaso e suas paisagens belíssimas.

A comida (e o vinho)

Comida boa faz a adaptação muito mais fácil. E a daqui é deliciosa (tanto que já teve até post sobre ela). Além da culinária incrível, ainda tem os vinhos. Ah, os vinhos… Tão gostosos, tão diferentes e de tantas variedades que às vezes acho que para provar tudo o que eu quero ainda terei que passar muito tempo vivendo aqui.

O custo de vida

Uma das maiores vantagens da vida na Geórgia, sem dúvida, é o custo de vida. Em geral, um expatriado consegue viver muito bem gastando pouco, muito menos que no Brasil. A renda média da população local é baixa, o que faz com que despesas básicas, como alimentação e serviços – e mesmo as nem tão básicas assim, como vestuário e lazer – custem muito menos do que estamos acostumados.

A segurança

A Geórgia tem baixíssimos índices de criminalidade e violência urbana. Não me lembro de em algum momento ter me sentido insegura vivendo aqui. Moro sozinha (em uma área relativamente pouco movimentada) e, por conta disso, constantemente chego e saio de casa desacompanhada, dirijo ou ando pelas ruas tarde da noite e jamais tive qualquer problema. Já esqueci o carro destrancado na rua com compras e objetos pessoais dentro e quando voltei tudo estava exatamente como deixei, o que seria meio impensável não só no Brasil, mas em vários outros países.

A sociabilidade

Socialmente falando a Geórgia também não deixa a desejar. É fácil conhecer pessoas e se integrar tanto com outros expatriados quanto com os locais. O georgiano, em geral, tem bastante curiosidade em relação ao Brasil e tende a ser receptivo conosco por isso. Outra coisa que acho positiva é que, quando convivem mais de perto com você – como colegas de trabalho, estudo, vizinhos – os georgianos costumam ser bastante solidários e fazem o possível para ajudar, especialmente com as questões práticas do dia-a-dia.

Mas como nem tudo são flores, lá vem o lado negativo, com o qual não é fácil conviver e que às vezes me aborrece um bocado…

O trânsito

Por mais que eu tente, não consigo me acostumar com a maneira como as pessoas dirigem por aqui e não há um dia em que eu não me irrite com algo. Adoraria dizer que não me afeta, mas para mim conviver com tamanha imprudência é muito cansativo e confesso, péssimo para as minha habilidades como motorista. Foi só nas minhas férias, quando dirigi no Brasil, que percebi como convivendo com isso diariamente, é difícil não incorporar alguns dos maus hábitos locais.

Leia também: O trânsito na Geórgia

O cigarro

Aqui é permitido fumar em locais fechados e o georgiano fuma MUITO. Ao contrário do Brasil, o tabagismo aqui não é considerado um mau hábito, e me parece que nem mesmo um problema de saúde pública. Praticamente não há campanhas de conscientização e o resultado é que quase todo mundo fuma. Já cheguei a ver até mulher grávida com um cigarro na boca e pais e mães ninando seus bebês enquanto soltavam baforadas em suas carinhas. E ainda é permitido fumar em postos de combustível (risco de explosão, o que é isso?). Aparentemente, o parlamento aprovou restrições ao fumo em lugares públicos que devem entrar em vigor em maio. Como tudo por aqui, só acredito na eficácia vendo, já que provavelmente não haverá qualquer tipo de fiscalização.

A falta de comprometimento / profissionalismo

Esse é um tópico sensível e, antes de explicá-lo melhor, tenho que dizer que sou grata por trabalhar com um “staff” local tão competente. O que me dá a sensação de que trabalho com as pessoas mais profissionais da Geórgia. No contato profissional externo – com fornecedores e prestadores de serviço, por exemplo – é que fica claro o quanto esses fatores precisam melhorar no país. Ser mal atendido no comércio (em restaurantes, principalmente) é normal e já até me acostumei a ver empregados discutindo aos gritos na frente de clientes. Jornal aqui deixa de circular, mas renova sua assinatura anual como se nada fosse acontecer, o banco não se dá ao trabalho de avisar ao cliente que os dados da conta mudaram. E não adianta reclamar, você só ganha uma cara feia e nenhuma solução. Claro que não é o fim do mundo, mas dificulta o trabalho diário, sem dúvida.

A pouca noção de coletividade

Outro aspecto um tanto sensível, mas sobre o qual não tem como não falar, até porque, acho que é a raiz de outros pontos negativos que abordei aqui (e de alguns que não abordei também). A noção de coletividade, de que vivemos em sociedade e, portanto, nossas atitudes não deveriam atrapalhar a vida do outro, ainda não é exatamente uma regra por aqui. Se paramos para refletir, é por isso que as pessoas dirigem como loucas, estacionam bloqueando o carro do vizinho na garagem, baforam seus cigarros na cara do outro como se afetasse apenas a própria saúde, se jogam na piscina em cima de você mesmo com a raia do lado vazia. As pessoas aqui ainda têm a noção de que só elas importam, não se pensa muito no outro. Também é cansativo e irritante de se conviver em bases diárias, mas tento respirar fundo e relevar porque sei que há um tanto de diferenças culturais nesses comportamentos.

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