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Por que fazer faculdade de Medicina na Rússia?

Por que fazer faculdade de Medicina na Rússia?

Dormitório universitário, boteco, fast food e muita economia fazem parte da vida de quase todo estudante que decide morar no exterior. Afinal, a vida aqui fora para quem não tem um emprego fixo não é mil maravilhas não. A não ser que você seja rico ou tenha uma excelente bolsa de estudos, você vai precisar abrir mão de muita coisa e, se possível, fazer os bons e velhos “bicos” para se sustentar. Mesmo assim, estudar fora é uma das decisões mais acertadas que fiz. Não há nada mais engrandecedor do que viver o novo.

No entanto, “por que estudar na Rússia?” não é uma das minhas perguntas preferidas. Não gosto de responder, porque simplesmente eu não tenho uma resposta positiva e linda para dar. A Rússia nunca esteve nos meus planos e nunca me imagine aqui; apenas caiu de paraquedas no meu colo e eu decidi me jogar. Hoje, eu faço um mestrado em Global Communication and International Journalism, na Universidade Estatal de São Petersburgo (SPbU), e tenho vivenciado muitas experiências.

A Rússia vem crescendo nos olhos dos estudantes brasileiros por vários fatores e o principal deles é: PREÇO. Apesar de o custo de vida daqui ser semelhante ao do Brasil (comida, lazer, roupas), e o estudante não ter permissão legal de trabalhar, é na mensalidade dos cursos que a Rússia ganha. Se comparada às Universidades privadas no Brasil, a mensalidade aqui é praticamente de graça, principalmente na área de medicina – queridinha da maioria esmagadora dos brasileiros que decidem estudar na Rússia.

Independente do curso, a mensalidade da SPbU custa cerca de 1.500 dólares por semestre, ou seja, R$ 875 por mês. Em qual Universidade privada do Brasil você pagaria isso para estudar medicina? Esse valor é para Universidade públicas (sim, aqui paga-se uma taxa semestral mesmo para Universidades públicas), mas o processo de admissão é infinitamente mais fácil do que no Brasil. Então, as chances de entrar num curso como medicina ou engenharias é muito maior aqui.

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Muitas vezes, você vai se deparar com um ambiente multicultural dentro da sala de aula, e isso faz toda a diferença no seu processo de adaptação. É maravilhoso lidar com gente de outras culturas, diferentes backgrounds, compartilhar conhecimento com quem aprendeu as coisas de uma forma talvez diferente da sua. Essa é uma das coisas que eu mais gosto em St Petersburgo, e é o que me segura aqui na maioria das vezes.

Outra coisa que me enche os olhos de alegria é quanta história você consegue ver e reviver por aqui. Eu sou fascinada por história e acho que, seja qual for sua área de estudo, ela proporciona um conhecimento de mundo muito maior e ajuda muito no aprendizado geral.

Além disso, atrações culturais fervilham por todos os lados, coisa que não temos no Brasil e que também facilita ao estudante adquirir mais sabedoria. São teatros, cinemas, companhias de dança, balés in-crí- veis, e museus para todos os gostos, desde pinturas e esculturas a dinossauros e astronautas.

Não posso deixar de mencionar duas coisas importantíssimas para estudantes em qualquer lugar do mundo: Segurança e transporte. No geral, St Petersburgo é muito fácil de se locomover. As redes de metrô são excelentes e cortam a cidade quase toda, além de uma vasta oferta de ônibus e bondinhos que passam pelas ilhas e pelo centro. A segurança também não deixa a desejar. Como em qualquer outro país, é necessário ficar de olhos bem abertos, mas nada comparado ao Brasil, onde precisamos olhar por cima do ombro a cada passo e não podemos sair de casa à noite. Eu me sinto muito tranquila de andar à noite e me locomover com liberdade!

Mas vamos mostrar também o outro lado da moeda, porque a rapadura pode ser doce, mas não é mole não.

Primeiro: é importante esclarecer que a vida na Rússia é FRIA, tanto de gente como de clima. É FRIO de doer os dentes, queimar as mãos e cortar a pele. Temperaturas que chegam a -30º, com sensação térmica de -35º. É passar dias e dias sem ver o sol (ou a lua), se acostumar ao amanhecer às 10h e ao anoitecer às 16h, aprender a “patinar” no gelo para chegar na aula. Isso, muitas vezes, te desanima a sair de casa, mas coloca as três meias, os 2 casacos, as 2 toucas e vai!

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É claro que essa situação não é permanente o ano inteiro e nem é igual em todas as cidades, afinal a Rússia é um país gigantesco, onde também existe primavera, verão e outono. Inclusive, no verão, existe um fenômeno chamado “Noites brancas”, onde o sol não se põe durante noites, e o céu está sempre claro.

Segundo: a Rússia é um dos países mais corruptos do mundo. E não falo apenas no governo, mas em tudo, inclusive nas relações interpessoais e acadêmicas. Sem generalizar, porque conheço várias pessoas que não fazem uso desses artifícios, o que mais existe são “presentinhos” para professores, ou acordos para que os alunos não repitam a matéria.

Muitos professores (principalmente os mais velhos, que viveram no período Soviético), acabam por assediar o aluno moralmente, são grossos e impessoais. Para a cultura brasileira, acostumada com carisma e docilidade, não é fácil mesmo.

Uma das coisas que mais me decepcionou no sistema universitário da Rússia foi a desorganização. O sistema é extremamente burocrático, tirar o visto de estudante requer muita paciência, tempo e dinheiro, para preparar todos os 74928 papeis e exames médicos exigidos (até HIV consta na lista), mas “bagunça” é a palavra que define muitos dos cursos com os quais eu tive contato. Horários trocados, professores que não se comprometem, listas erradas. Haja paciência.

O quarto e último ponto negativo que vou destacar é o idioma. Russo não é francês, nem alemão, nem italiano. Russo é RUSSO! E ninguém aqui fala inglês, é tipo o nosso Brasil. E acreditem em mim! Eu não falo uma palavra de russo e só eu sei o quanto eu sofro para conseguir fazer qualquer coisa aqui.

Google Translator, mímicas e amigos russos são o que tem me salvado, mas, mesmo assim, não dá pra resolver tudo com eles né? O meu curso é em inglês, mas a maioria não é. E antes de entrar na Universidade, o aluno precisa estudar 1 ano do idioma com temas voltados para o curso que vai estudar, e só depois, iniciar os estudos propriamente ditos.

Muitas pessoas se deslumbram com a ideia de vir estudar na Rússia por causa dos motivos citados acima. Mas cuidado! Apesar de todo o encantamento inicial com o país, muita gente desiste e volta pra casa antes mesmo de terminar o curso. É preciso fazer um planejamento detalhado, pesquisar MUITO na internet, nos fóruns, nas redes sociais, conversar com pessoas que moram na cidade, não se deixar iludir pela “vida perfeita” de Instagram, e vir com os pés bem no chão.

A Rússia não é o destino ideal para os que estão no seu primeiro voo solo, mas uma vez adaptados, a experiência pode ser melhor do que se imagina.

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1 comentário

Ingrid Outubro 30, 2018 at 7:27 pm

Amei seu post! Com certeza, é uma experiência riquíssima em aprendizados! Parabéns pela sua coragem!

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