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Ser mãe ou trabalhar? Um dilema alemão

Se você imagina que a Alemanha é um lugar fácil para se tornar mãe, melhor se sentar, ler e repensar. O governo deixa as recém-mamães na mão. O direito nem sempre é praticado. É sobre o dilema de ser mãe ou seguir carreira na Alemanha que comentarei a seguir.

Desde agosto de 2013, pela lei, todas as crianças na Alemanha têm o direito de uma vaga no jardim de infância ou com uma cuidadora (Tagesmutter). A realidade, infelizmente, não é essa. A maioria dos jardins de infância (Kindergarten) é pública, mas não significa que são gratuitos. Com exceção de algumas cidades, onde a gratuidade dos jardins de infância é praticada, no resto do país é necessário pagar por filho e pelo tempo que fica na escolinha. Para saber o preço, é necessário procurar nas páginas de internet de cada região, porque a taxa varia de cidade para cidade.

Mensalidade

O valor da mensalidade depende da renda familiar. A lista com as taxas é feita em faixas de rendimento. Pais desempregados ou com baixa renda não pagam. Nesse caso, a prefeitura assume a mensalidade. E assim vai aumentando o valor por faixa e por tempo que a criança ficará na escolinha. Se ela ficar apenas pela manhã será mais barato do que até o início da tarde. Há a opção de ficar até o fim da tarde, mas é a mais cara de todas.

Em Berlim ou Hamburgo, por exemplo, é gratuito. Em Colônia, é de aproximadamente 300 euros para 35 horas semanas no jardim de infância, se a família tiver renda de 50 mil euros por ano. Em Mainz, nas mesmas condições, o valor chega a uns 200 euros. Em Leipzig, 165 euros. Essa faixa de preço é para famílias em que ambos os pais ganham o salário de aproximadamente 2 mil euros por mês. Na minha cidade, por exemplo, se os pais ganharem por volta de 3.500 euros mensais, a taxa para o jardim de infância em tempo integral (45 horas semanais) será de cerca 530 euros.

Se você tiver mais de um filho, pagará, nesse último caso, mais de mil euros de mensalidade! Agora você desconta o alto imposto de renda do salário de um dos pais, menos essa taxa da escolinha. Às vezes, vale mais a pena parar de trabalhar e cuidar dos filhos em casa.

Esses valores são para os jardins de infância públicos. Se os pais optarem por um particular, que não são muitos, a mensalidade será bem mais cara.

Foto: Pixabay.com

Falta de vaga

Parece que ser uma história sem fim. Há muitas crianças pequenas atualmente, poucos cuidadores, poucos imóveis para serem utilizados como escolinhas, pouco dinheiro no caixa de algumas cidades etc. São alguns motivos que fazem com que não haja um equilíbrio entre a demanda e oferta de vagas. A dificuldade é tão grande, que alguns pais já colocam o nome do filho na lista de espera durante a gravidez. Dependendo do local onde se vive, conseguir matricular o filho na escolinha na primeira tentativa é muita sorte.

O procedimento é esse: os pais visitam os jardins de infância de sua região e preenchem uma ficha com os seus dados. O nome da criança vai para a lista de espera para o ano letivo seguinte, que começa, normalmente, em agosto. Algumas escolinhas fazem sorteio, outras escolhem por proximidade de endereço. Crianças com irmãos mais velhos já matriculados têm prioridade na fila.

Leia também: Criando mães à moda antiga na Alemanha

O problema é que a lista pode ser longa para poucas vagas. Isso significa, que muitas crianças ficam na espera por mais de um ano. Para os pais, isso pode ser um problema, visto que a maioria não pode bancar ficar em casa por mais de um ano. A licença maternidade é longa (para ler sobre isso, clique aqui), mas a partir de um certo momento, a mãe não receberá ajuda financeira. Por esse motivo, muitas mães ou pais, aquele que recebe menor salário, param de trabalhar ou continuar seus estudos na Alemanha.

Falta de educadores

A falta de educadores ou profissionais cuidadores no mercado de trabalho alemão aumenta esse problema. O salário não é alto. Para profissionais formados no curso de 2-5 anos de duração, o valor é em média de 2.500 euros bruto. É um trabalho que exige muita atenção, dedicação e energia. Por essa razão, poucos jovens optam por essa área.

O número de crianças que cada educador é responsável varia de estado para estado. No leste, em Mecklenburg-Vorpommern, por exemplo, cada educador pode cuidar de quatorze crianças. Em Bremen, apenas quatro. Indicadores mostram que no oeste alemão, esse número é menor do que no leste. As filas de espera são maiores, portanto, no oeste.

Uma situação corriqueira é o jardim de infância ligar para os pais de manhã para avisar que a educadora está doente ou incapacitada de estar presente naquele dia, e o seu filho deve ficar em casa. Para pais que trabalham fora, uma notícia surpreendente dessa pode se tornar um transtorno no planejamento do dia.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar na Alemanha

É um direito!

Como expliquei no início, ter uma vaga para seu filho, é um direito na Alemanha. A prefeitura deve dar um jeito para que a criança seja aceita. Infelizmente, isso não acontece. O juizado de menores pede desculpa por carta pela falta de vagas.

Outra opção é uma cuidadora que não trabalhe em uma escolinha, a Tagesmutter. Entretanto, o preço não é mais barato do que em um jardim de infância. O valor da mensalidade pode ser de 600 euros (30 horas semanais).

Já houve caso de um casal que colocou seu filho em escolinha privada, por falta de vaga nas públicas, e conseguiu receber o valor de diferença (mil euros por mês) de volta do governo, através de reclamação.

O direito de receber uma vaga é para todas as crianças, inclusive para aquelas cujos pais não trabalham. Se os pais receberem apenas respostas negativas, eles podem fazer uma reclamação oficial, através de uma carta, à corte administrativa (Verwaltungsgericht) da cidade onde vivem, a fim de receber alguma indenização.

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1 comentário

Adriana Maio 16, 2019 at 6:57 pm

Olá Karina!

Cheguei na Alemanha há pouco tempo, e pesquisando sobre alguns assuntos, me deparei com os seus posts: me identifiquei e aprendi muito com todos… muito obrigada por “gastar” um pouco do seu tempo para compartilhar experiências, auxiliando à tantos desconhecidos!

Abraço

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