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As mudanças no processo de imigração da Nova Zelândia

 

As questões levantadas neste texto são baseadas em informações públicas retiradas do site da imigração, colhidas em reportagens veiculadas diariamente nos jornais e disponibilizadas no website da NZ Visto (immigration adviser).

É bom deixar claro que não sou uma profissional autorizada a falar sobre vistos e portanto não posso dar conselhos sobre imigração.

Trabalhando com a parte educacional, somos apenas autorizados a solicitar visto de estudantes em nome dos mesmos. Porém, não poderia deixar de manifestar minha opinião sobre esse “blablabla” do momento por aqui.

Como imigrante sei o quanto a NZ é um país interessante para se imigrar. Seguro, igualitário, com oportunidades e abertura para estrangeiros. Até então, o pathway para imigração no país era claro e alguns profissionais conseguiam facilmente tornar-se residentes sem muita dor de cabeça.

A Nova Zelândia tem crescido muito, tanto em termos de população quanto economicamente, e esse crescimento acelerado tem gerado problemas de infra-estrutura, como aumento de congestionamento nas grandes cidades, competição mais acirrada por vagas de trabalho e alta demanda no mercado imobiliário. Devido a muitos investidores estrangeiros, o preço dos imóveis aumentou de forma a dificultar que os locais consigam adquirir a primeira casa por exemplo.

Levando em consideração esses fatores e visando proteger o cidadão neozelandês, o governo lançou um pacote de medidas com relação a imigração que passará a vigorar a partir de agosto. O governo deixou claro, nas muitas entrevistas que vi, que a ideia não é acabar com a imigração, visto que isso é uma das engrenagens para o crescimento do país, mas optar por ter imigrantes de qualidade.

Dentre essas mudanças anunciadas, as mais significativas são as seguintes:
Mudança na pontuação para se solicitar residência no país. A pontuação foi atualizada em vários quesitos, como idade, experiência anterior dentro e fora da NZ, emprego e salário, localidade e outros. Foram introduzidos também pontos extras para experiência e salários a partir de um valor anual preestabelecido.

Para assegurar que o imigrante seja qualificado e de qualidade, o trabalhador, a partir de agora, só poderá solicitar visto de residência se ganhar, pelo menos, a média salarial do país, que hoje gira em torno de 49 mil dólares neozelandeses por ano, em uma profissão necessária no país.

Para profissões consideradas pouco qualificadas será necessário ter um salário de aproximadamente 73 mil para entrar com a solicitação de residência.

Ainda em discussão e aguardando aprovação – trabalhos qualificados, mas com salários inferiores ao mínimo proposto pelo governo, poderão dar direito ao imigrante ter o work visa (visto de trabalho), porém por apenas 3 anos no máximo.

Até o momento, se uma pessoa conseguir work visa no país, pode trazer o companheiro (a) e filhos, sendo que o primeiro tem direito a work visa aberto (tem o direito de trabalhar onde quiser) e os filhos têm direito a estudar no país como estudantes domésticos. Porém, um outro item que vem sendo discutido é a possibilidade de, a partir de agora, somente algumas situações darem essa vantagem. Tudo poderá depender do quão qualificado é o trabalho e do salário pago pelo empregador. Caso o trabalhador não atenda os requisitos para beneficiar os familiares, os mesmos poderão vir pra NZ com visto de turista. Cada um terá que ter o seu próprio visto.

Trabalhos sazonais davam direito a até um ano de work visa (visto de trabalho) e, a partir de agora, será apenas pelo período necessário.

A boa notícia é que para estudantes de pós graduação não houve nenhuma alteração. O aluno poderá estudar e trabalhar 20 horas por semana, poderá trazer a família, sendo que o companheiro (a) continua tendo direito a trabalhar e os filhos poderão estudar como estudantes domésticos. Ao término do curso o mesmo terá a possibilidade de permanecer no país por mais um ano com a família. Nesse período, encontrando um trabalho qualificado dentro das categorias e salários e em acordo com a nova lei, terão a oportunidade de entrar com o pedido de residência no país.

Essas decisões foram bastante polêmicas e noticiadas por semanas por aqui.
Houve críticas diversas, visto que alguns setores são completamente dependentes de imigrantes para completar o quadro de trabalho e acharam que as medidas iriam deixar de atrair a mão de obra necessária. O partido político de oposição demonstrou insatisfação em relação as medidas tomadas e divulgou uma proposta ainda mais rígida, que cortaria ainda mais o número de imigrantes e estudantes no país, alegando que isso melhoraria vários aspectos no país, caso fossem eleitos. Essas medidas têm dado o que falar, pois este é um ano eleitoral no país.

As novas regras começam a valer a partir de agosto, no entanto a discussão ainda está em aberto e gerando polêmica entre locais e imigrantes em geral. Por hora, a ideia é colocar os Kiwis em primeiro lugar e garantir  que os mesmos tenham emprego, condições de adquirirem bens diversos e continuem tendo estrutura de qualidade.

Continuar o processo imigratório cuidadosamente foi a medida tomada pelo governo atual neste momento, optando por ter imigrantes sim, mas que atendam os requisitos que o país precisa. Você acha que estão errados? Apesar de eu ser imigrante na NZ, entendo os motivos e respeito a decisão dos governantes em querer manter o país atrativo para imigrantes sem interferir nos direitos e na vida de seus cidadãos em geral.

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