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Nova Zelândia

A minha vida na Nova Zelândia

A minha vida na Nova Zelândia.

Me disseram uma vez que eu era como um camaleão: me adaptava às situações e às coisas a minha volta. Me lembro que achei interessante e fiquei feliz em saber que eu tinha essa habilidade. Talvez por isso vivesse com certa tranquilidade e paz.

Via coisas acontecendo à minha volta, pessoas mudando de cidade, se casando, conseguindo promoções e por mais adaptada que eu estivesse, não tinha ainda entendido se aquele era realmente o meu lugar. Sempre gostei de pensar que minha vida tinha um propósito maior, mas na realidade nunca tinha feito nada para conseguir ser extraordinária. Vivia sempre me adaptando e seguindo.

Hoje, após 6 anos morando na Nova Zelândia (literalmente do outro lado do mundo) ainda olho pra trás e acho difícil compreender como tudo isso aconteceu, como eu consegui sair da minha zona de conforto. Me lembro que quando cheguei aqui percebi que eu não conseguia mais usar meus poderes de adaptação, por mais que eu tentasse me misturar parecia impossível, eu era um lagarto, diferente e repudiado. Eu não conseguia me comunicar, tarefas simples do dia a dia se tornaram um desafio, minha profissão e habilidades foram simplesmente apagadas do meu currículo, frustrante. Acredito que a maioria dos brasileiros pelo mundo vai entender esse sentimento.

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Cachoeira em Raglan

Me lembro das sensações e percepções dos primeiros dias. Tudo tão bonito e organizado, ruas limpas, um arzinho puro e gelado, gente de todos os lugares na rua, parecia que eu tinha sido transportada pra dentro de um filme. Na minha homestay, tive que bater na parede para conferir se era mesmo de madeira e todos os dias eu levantava empolgada pra tentar soltar algumas palavras em inglês e ria sozinha das placas que via pelas ruas, sem entender nada. O inicio da vida fora do seu país e sem a sua língua mãe testa todos os seus limites.

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na Nova Zelândia

Outro marco na minha trajetória foi conseguir o primeiro trabalho. É preciso coragem para fazer um currículo (sem praticamente nada relevante pra colocar nele), entregar nos lugares e dizer “looking for job/procurando emprego” torcendo para que não perguntem mais nada e me ofereçam o trabalho. Depois de inúmeros currículos distribuídos, quilômetros percorridos a pé, vários bairros visitados e achar que ninguém ia me dar uma oportunidades eis que meu telefone toca e minha primeira oportunidade como dishwasher/washing up/lavadora de pratos, apareceu.

Cafe em Auckland
Cafe em Auckland

Trabalhei como cleaner/empregada doméstica, lavadora de pratos, em vários restaurantes diferentes, até que consegui minha primeira oportunidade como garçonete.

Demorou um pouco para eu entender que isso era parte da transição, e que estava fazendo minha mudança de pele assim como o camaleão faz ao longo da vida. Essas mudanças são, às vezes, difíceis e dolorosas mas com certeza nos tornam mais fortes e ainda mais notáveis. É a arte da sobrevivência! Hoje, vejo que são também necessárias para nosso crescimento como seres humanos e entendo que é natural e que possivelmente isso acontecerá mais vezes.

Visitando a vila dos Robittons
Visitando a vila dos Hobbits

A mais de 10 mil quilômetros de distância do Brasil, convivo diariamente com a saudade da minha família e a certeza de que me tornei uma cidadã do mundo. Eu continuo adorando meus “poderes”; me misturo para aprender novas culturas, absorver tradições, testar novas experiências, me ajusto para aproveitar e viver cada momento da minha jornada. Nunca foi tão importante dividir tudo que há para viver. Pelo caminho encontrei e dividi experiências com pessoas como eu e entendi que nada era uma exclusividade minha.

Desde 2009 sou mais uma brasileira pelo mundo: me considero hoje uma brasileira de sucesso pelo mundo. Sucesso, não só pelo meu crescimento pessoal e pelas empresas que criei, mas por proporcionar poder às pessoas para que mudem o destino delas. Para que elas tenham o poder da escolha, e possam viver uma experiência mais completa aos invés de apenas seguirem o fluxo da vida.

Passeio de balão em Hamilton
Passeio de balão em Hamilton

Aqui, na Nova Zelândia, sou empresária e, por escolha, dedico a maior parte do meu tempo como consultora de sonhos da YepNZ, ajudando aqueles que assim como eu querem fazer com que a vida deixe de ser ordinária para que se torne extraordinária. Nosso objetivo é prover poder e oportunidades através do conhecimento, informar as pessoas para que elas tomem decisões mais acertadas e que tantas dolorosas trocas de pele não sejam necessárias.

Mount Ruapehu
Mount Ruapehu

O país é maravilhoso e oferece muitas oportunidades; encontra-se receptivo e aberto a estrangeiros, os brasileiros são bem vistos e há várias opções em termos educacionais e de futuro.

Nossa jornada está apenas começando! Nos próximos artigos irei dividir experiências vividas na Nova Zelândia e informar sobre as opções que o país oferece a brasileiros e famílias que buscam um lugar diferente pra viver – um lugar onde conhecimento, paz e harmonia com a natureza valem mais do que dinheiro.

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3 comentários

Marcella Setembro 13, 2015 at 4:24 am

Que bacana o seu texto! Realmente para quem se muda para outro lugar vai se identificar com várias etapas descritas, espero um dia me indenrificar também com a etapa do sucesso! Recomeçar ou começar uma nova vida profissional fora não é fácil. Mas exemplos como o seu são inspiradores!

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Thiago de Faria Ferreira Julho 24, 2016 at 8:00 pm

Concordo com o comentário acima, eu também espero muito um dia me identificar com a parte do sucesso vivendo na NZ.

Resposta
Rosana Melo Julho 24, 2016 at 8:47 pm

Fico feliz em ter de alguma forma plantado uma semente positiva no coração de vocês. Como eu sempre digo, nada é fácil, mas vale a pena! Bjao. 🙂

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