A mulher na sociedade espanhola

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Fonte: pixabay.com
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A mulher na sociedade espanhola.

As mulheres espanholas são conhecidas por seu comportamento decidido e explosivo e por sua atitude marcante e expressiva, sendo também destacada pelo modo de se vestir e de se maquiar. A vaidade é um aspecto notável em sua personalidade, e consequentemente uma grande fatia de seus ganhos são empregados em salões de beleza e vestuários. Esteticamente, as mulheres espanholas são as que mais implantam silicones dentro da União Europeia, cerca de 50.000 próteses/ano.

Porém, por trás dessa beleza, há um alto índice de estresse. Segundo uma recente pesquisa, 66% das mulheres na Espanha alegam estar sob forte pressão em decorrência da difícil tarefa de conciliar os seus papéis pessoal e profissional.

A mulher ainda mantém quase que absolutamente a responsabilidade dos cuidados da casa e dos filhos. Em contrapartida, há uma grande batalha na busca de um espaço no mercado de trabalho, tão discrepante e antagônico.

Atualmente quase 25% das mulheres na Espanha não possuem emprego, sendo o segundo maior índice na União Europeia. Para fazer a contradição, o índice de desemprego masculino está em torno de 9,3%. Dentre os motivos está a escassez de políticas de igualdade que aumentam as divergências salariais entre homens e mulheres, além da dificuldade na ocupação de cargos de alta responsabilidade, embora o público feminino alcance mais os níveis de educação superior que o masculino. A maternidade também é um “risco” à ascensão profissional e que lentifica o progresso da sua carreira, pois também comprovou-se que os índices de desempregos aumentam de acordo com a quantidade de filhos.

A crise econômica que obrigou o governo a realizar reformas trabalhistas e cortes financeiros, pioraram as condições das mulheres no mercado, com uma presença cada vez maior em empregos temporários ou com carga horária parcial, além de trabalharem em setores menos remunerados, consequente salários mais reduzidos. É comum na Espanha encontrar trabalhadoras com graduação e mestrados que passam o dia atrás de balcões de lojas ou captando doações nas ruas para as Associações não governamentais.

Exemplo recente do alto índice de desemprego foi a presença de mais de milhares de pessoas em uma fila para conseguir uma vaga em um hotel madrilenho no último dia 25 de janeiro. Foram recebidos mais de 7.000 currículos para cobrir 100 vagas nas áreas de cozinha e limpeza.

Quanto a divergência salarial, há uma deterioração continua nos empregos femininos. A brecha salarial nacional entre os gêneros é de 15%, porém se analisarmos micro-economicamente, esses índices aumentam em comunidades autônomas como Cantabria, Astúrias e Navarra (29%), Valência (25%), Catalunha (23%) e Madri (20%), sendo os menores nas Comunidades de Canárias (15%) e Baleares (17%). Essa diferença salarial significa que as mulheres na Espanha trabalham “grátis” um total de 54 dias ao ano.

Em relação a mulher no âmbito social, digamos que as espanholas são bastante apegadas as tradições e o casamento continua sendo um sonho de consumo. Tanto que o número de matrimônios vem aumentando no país, assim como a idade média das mulheres que deixam a solteirice (35 anos). Em contrapartida, a Espanha possui uma das menores taxas de divórcio da Europa.

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As mulheres espanholas também estão postergando a maternidade. A idade média da primeira gestação é de 32 anos e os motivos são quase em sua maioria, a crise econômica. É tão comum a gravidez “tardia” que a idade, para o sistema de saúde, não é o favor de maior risco, tampouco há protocolos especiais.

O número médio de filhos é de 1,33 e isto graças as mães estrangeiras, pois tratando-se apenas das espanholas, o índice cai para 1,27. As estrangeiras são responsáveis por quase 20% do número de nascimento no país. Então mulheres brasileiras, vamos povoar a Europa (risos).

Ao contrário da baixa no índice de natalidade, vemos um crescimento na expectativa de vida, 86 anos para mulheres. É o segundo país com a melhor taxa. E aqui tiro meu chapéu aos espanhóis; eles verdadeiramente sabem usufruir dos prazeres carnais, com pinceladas de espiritualidade.

Agora, o verdadeiro marco das relações de desigualdade entre homens e mulheres é a prostituição.  Um em cada 5 homens na Espanha reconhece que pagou pelos serviços sexuais.

A prostituição por aqui é uma triste realidade, como nos demais países assombrados por crises econômicas, por mais que a Espanha se encontre em modesta ascensão. Por não encontrarem outras visíveis saídas para a falta de trabalho e para cumprir os cargos familiares, muitas mulheres se prostituem. Há também as que, para completar a renda mensal, trabalham uma vez por semana em “clubes de strip”, quase sempre escondendo o ofício da família.

O perfil dessas mulheres ainda é de estrangeiras, menores de 35 anos, sem estudos e com filhos sob a sua responsabilidade e, infelizmente, entre as nacionalidades encontram-se primordialmente nigerianas e brasileiras, sendo que muitas delas voltaram a prostituir-se por sobrevivência após perderem os seus empregos. Nigéria e Brasil também figuram entre os principais países de procedência das vitimas de exploração sexual, tanto na Espanha quanto no resto da Europa.

E como funciona a lei em relação a prostituição? Podemos dizer que há alegalidade, ou seja, não é legal, tampouco ilegal, pois o seu exercício é livre; quando uma pessoa decide exercê-lo e fica com seus benefícios. Porém isso não significa que há proteção laboral, benefícios trabalhistas e segurança social.

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O exercício da prostituição em zonas de trânsito pública, nas proximidades de colégios e parques ou em regiões que podem gerar risco a segurança, serão sancionados com uma multa, além disso os municípios tem a capacidade de regular as ruas através de ordens cívicas; um exemplo é a cidade de Barcelona que desde 2012 proíbe a prostituição de rua sob multa de até 3.000 euros aos cliente e 700 euros à prostituta, porém isto não significa que a prática não se mantenha. É considerado crime nacional a exploração de menores e a exploração forçada e coagida.

Acredito que o papel da mulher na sociedade espanhola se assemelha ao papel das mulheres no Brasil. Sofremos pelas injustiças e políticas nada igualitárias, porém ambas estão na constante luta por seus direitos e ao final, devemos nos congratular simplesmente por sermos mulheres.

Parabéns a todas as guerreiras mulheres brasileiras pelo Mundo!

2 Comentários

  1. Marcela, bom dia.
    Obrigada por compartilhar as informações acima, eu, pelo menos, consigo entender melhor os fatos vendo números de pesquisas como estes.
    Só discordo de vc em um ponto: não acho que o papel da mulher espanhola se assemelha ao papel da mulher no Brasil, aqui na Espanha a sociedade é muito mais machista do que no Brasil, principalmente nos ambientes de trabalho e mundo corporativo. Esta é minha opinião, tenho quase 2 anos vivendo em Valencia e sou brasileira, com quase 30 anos de experiencia profissional no Brasil.
    Abraço

    • Olá Cristina,
      Sim, realmente sinto a sociedade espanhola muito arraigada ao machismo, e não só no ambiente corporativo, mas no cotidiano. O Brasil, como você bem disse, está caminhando para uma melhor igualdade, porém ainda há muito machismo, as vezes encoberto pela hipocrisia e pelas muitas mulheres que ainda sofrem caladas. No mundo corporativo, pessoalmente tive muitas experiências negativas trabalhando a 20 anos no mercado financeiro. Mas é muito bom saber que estamos “melhores”e avançando.
      Abraços

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