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Adaptação escolar de uma mãe brasileira na Escócia

Adaptação escolar de uma mãe brasileira na Escócia.

Muito se fala da adaptação escolar das crianças em terras estrangeiras. Nós mães temos
infinitas dúvidas e questionamentos antes da mudança, pesquisamos em sites, blogs,
perguntamos para conhecidos que já imigraram e assim vamos coletando informações para acalentar nosso coração aflito, porém você já parou pra pensar na nossa adaptação como mãe? Como ela acontece? Como lidar com os professores e funcionários da escola? Como ser participativa na vida escolar do seu filho quando você não domina a língua do lugar em que vai morar?

Moro na Escócia há 6 meses. Quando cheguei meu inglês era nível básico, compreendia muitas coisas mas tinha dificuldade em me expressar. Fomos à escola realizar a matrícula da minha filha de 8 anos, naquele momento me dei conta do quanto seria complicada a minha participação ativa na vida escolar dela como eu fazia no Brasil, afinal meu marido ia trabalhar e eu a levaria na escola todos os dias. Mas e para conversar com a professora? Tirar dúvidas? Ter o feedback de como está a adaptação dela? Meu marido poderia enviar recados ou vir a escola de vez em quando, mas a pessoa mais próxima seria eu.

No dia da matrícula a Head teacher (diretora) foi extremamente gentil, nos recebeu muito bem e disse que nos daria todo suporte necessário, que eu poderia fazer a adaptação da minha filha pelo tempo que eu quisesse e me informou que a escola tinha aulas de inglês para mães estrangeiras. Ela falava devagar e se expressando sempre para auxiliar o meu entendimento.

Leia também: Adaptação das crianças em um novo país

As aulas começaram, e a adaptação dela correu como o esperado. Combinei com a minha filha que eu ficaria durante uma semana na escola, para que ela se sentisse segura e viesse até mim caso precisasse, conheci a professora e o auxiliar de classe, ambos muito solícitos, falavam pausadamente comigo e estavam sempre preocupados em saber se eu estava entendendo.

Eu ficava na secretaria, sentada em uma cadeira, das 9:00 da manhã às 15:00 (período escolar). Levava livros e o carregador do celular para aguentar todo esse tempo. Enquanto aguardava sempre vinha um funcionário me oferecer chá, café ou biscoitos, perguntavam se eu precisava de alguma coisa, se estava tudo bem e se a minha filha estava se sentindo bem. Isso fazia eu me sentir acolhida todo o tempo, afinal eu estava em um ambiente totalmente novo, aflita pela adaptação da minha filha e tudo que eu precisava era realmente isso, me sentir bem-vinda.

Comecei as aulas de inglês na escola com uma professora da África do Sul, uma pessoa
maravilhosa que também me recebeu muito bem. As outras mães são em maioria de origem muçulmana, refugiadas que vivem aqui e tem um nível de inglês muito baixo, mas são interessadas e vão sempre às aulas. Nossas tardes sempre são acompanhadas de um café com biscoitos e é muito animado.

Digo sempre que a cereja do bolo para eu ter me sentido tão “em casa” na escola foi a reunião escolar. Marcaram a reunião pouco antes das férias de julho, avisei ao meu marido a data para que ele fosse comigo, pois apesar de eu conversar sempre com a professora queria que ele estivesse presente, queria fazer perguntas mais detalhadas sobre o desenvolvimento da minha filha e sobre o próximo ano escolar, queria ouvi-la e entender 100% do que ela estava falando. Estava tudo certo, mas em cima da hora surgiu um imprevisto e meu marido não pode ir, eu fiquei chateada.

Uma amiga brasileira que domina bem o inglês e poderia ir comigo também tinha compromisso, então não teve jeito, tive que ir sozinha. Cheguei na reunião e avisei à professora, já estava com o meu celular a postos para me ajudar nas perguntas que eu não conseguisse fazer, quando ela falou: “Não tem problema, Débora, espera um pouquinho”, se levantou e chamou uma mulher que estava próxima de nós. Para minha surpresa era uma tradutora, uma senhora brasileira que vive aqui há mais de 20 anos e trabalha como tradutora para escolas e hospitais aqui em Glasgow. Eu não acreditei, somos os únicos que falam português na escola. Naquele momento senti que eu fazia parte daquele lugar, me senti acolhida, agradeci a ela, a professora e à diretora, e todas disseram o mesmo: “Imagina, estamos aqui pra te ajudar no que puder”.

Leia também: Laços culturais entre Brasil e Escócia

Acredito ser muito normal nos deixarmos um pouco de lado nesse momento de mudança. É
tanta coisa nova pra pensar, para planejar, para realizar, que colocamos nossos filhos à frente de tudo, e isso com certeza não é errado, mas estarmos emocionalmente bem faz com que eles estejam bem também.

Eu hoje me sinto adaptada na escola da minha filha, consigo me comunicar com os professores e funcionários, eles me passam segurança, me recebem bem e isso faz
toda diferença.

E você? Como foi ou está sendo a sua adaptação na escola do seu filho?

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2 comentários

Narister Oliveira Outubro 2, 2018 at 11:23 am

Oi Debora. Welcome ! Fiquei muito feliz em te encontrar por aqui. Adorei seu post, e me reconheci nele. Passamos por esta adaptacao 2 vezes em menos de um ano porque moramos 6 meses na Irlanda, e depois nos mudamos para a Escocia. Felizmente nos dois paises tambem fomos muito bem recebidos tanto pela equipe da escola quanto pelos pais. Acho que se aproximar dos pais tambem ajuda muito na adaptacao da crianca e de quem acompanha mais de perto a rotina escolar. Vamos tomar um cafe qq dia. Beijo.

Resposta
Debora Farias Outubro 7, 2018 at 9:20 pm

Oi Narister, muito obrigada!! Será um prazer sair para tomar um café com você qualquer dia, os seus textos me ajudaram muito antes de vir e agora poder contribuir com o material sobre Glasgow é uma honra, estou muito feliz com a nossa adaptação escolar aqui, temos sorte, a Escócia é um excelente país para viver. Beijos

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