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O ambiente de trabalho nas empresas chilenas

Tive duas importantes experiências de trabalho aqui no Chile como colaboradora. Na primeira delas, entre 2013 e 2014, trabalhei dando aulas de português em uma grande empresa de seguros. Na segunda, em 2016, atuei como analista de mídias sociais numa pequena agência digital.

Em ambas ocasiões, tive a oportunidade de viver um pouco da cultura laboral nas empresas. Em dois lugares bem diferentes, e  com profissionais de perfis muito distintos. Foram ótimas experiências, e acredito que é uma das melhores maneiras de entrar realmente em contato com a cultura dos países onde escolhemos viver.

Uma das coisas mais divertidas que aprendi trabalhando nessas empresas é que, aqui no Chile, Aguinaldo não é um nome de um cantor famoso, como no Brasil. Trata-se de um bônus que os funcionários recebem duas vezes ao ano: em setembro, por conta das festas pátrias, e em dezembro, devido ao Natal.

As empresas privadas não estão obrigadas a pagar o Aguinaldo, mas a maioria delas concede o benefício. É importante dizer que no Chile não existe o décimo terceiro salário, portanto, esse bônus acaba cumprindo essa função. O valor pode variar e não ultrapassa 25% do salário base do funcionário.

Os dois empregadores com quem trabalhei pagavam o benefício aos seus funcionários e o pessoal ficava muito feliz. Aliás, esse é um aspecto fundamental para diferenciar as empresas chilenas quanto ao ambiente de trabalho; a preocupação delas com a felicidade dos funcionários.

O Chile é um dos países que participa ativamente da sondagem “Great Place to Work” (Ótimos lugares para trabalhar), que reconhece as melhores grandes e médias empresas para trabalhar. Na América Latina, em geral, o que os funcionários consideram como uma ótima empresa é: ser tratado como uma pessoa e não apenas como um funcionário; que os chefes cumpram com as suas promessas; e sentir-se como “uma família” dentro da empresa.

Por isso, as empresas que participam da pesquisa fazem questão de tratar super bem seus funcionários. Acredito que essa é uma das grandes marcas da cultura do trabalho nas empresas chilenas, sejam elas grandes, ou pequenas.

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Foto: Getty Images

Na seguradora grande, concorrente assídua do prêmio, os salários eram excelentes e o ambiente muito amistoso. Os funcionários tinham à disposição uma cantina dentro da empresa, com cozinha equipada onde podiam fazer as suas refeições. Havia dias em que o pessoal juntava as mesas e todos pediam sushi, por exemplo. A cantina era também o espaço para relaxar, já que os empregados podiam sentar, tomar um chá e fazer um intervalo quando precisavam descansar.

Já na outra empresa, que não concorria na premiação, a cozinha era tão pequena que as equipes se revezavam nos horários de almoço para que todos pudessem sentar-se. Além disso, a orientação era totalmente oposta à da seguradora: os funcionários eram incentivados a almoçar fora para sair e arejar a cabeça. Para isso, recebíamos vales para comer em restaurantes localizados nas imediações.

No Chile, as empresas não são obrigadas a dar vale alimentação. Portanto, esse era um grande benefício da agência, principalmente, por ser uma empresa de pequeno porte. Comer dentro ou fora da empresa tem seus prós e contras; o importante é que os funcionários estejam felizes com as opções disponíveis.

Outro aspecto importante, e que distingue bem as duas empresas com relação ao envolvimento dos funcionários, são as celebrações. Nos dois casos, trabalhei durante as festas pátrias de setembro, que são muito populares no Chile. Na empresa grande, a comemoração foi na mesma proporção. Todos os funcionários pararam o que estavam fazendo para participar. Os gerentes vestiram roupas típicas para dançar. Músicos foram contratados para cantar ao vivo, e até um forno improvisado foi instalado para assar empanadas fresquinhas. Na empresa pequena, com sorte, conseguimos parar de trabalhar uma hora antes do final do expediente para curtir a festa, pois a prioridade era o trabalho.

O respeito à hierarquia também era diferente nas duas instituições. Na seguradora, os gerentes estavam bem identificados em suas salas, que muitas vezes estavam com as portas fechadas devido a reuniões de trabalho. Na agência, por outro lado, a porta da sala dos chefes ficava quase sempre aberta. Apesar disso, o acesso a eles era muito mais difícil do que na seguradora.

Outra diferença era a política de reuniões numa e noutra empresa. Na corretora de seguros, conciliar as aulas de português dos gerentes e funcionários com as agendas lotadas de reuniões era uma missão quase impossível. Na agência onde trabalhei, só se faziam reuniões com os clientes. Raramente, alguma reunião da equipe. Não havia uma rotina de discussão semanal sobre o andamento de projetos.

Para finalizar, outro momento bem importante e diferente nas duas empresas foram as festas de fim de ano. No Chile, as empresas costumam organizar passeios de fim de ano para os funcionários; muitas vezes um churrasco durante o dia inteiro na casa do chefe. Isso mesmo! Com direito à banho de piscina, o que considero um grande paradoxo dos chilenos, que são bem reservados, especialmente, no ambiente de trabalho (mas isso é assunto para outro artigo).

O fato é que na seguradora todos os funcionários eram liberados, e até o transporte era providenciado para garantir a participação em grande número. Além dessa celebração, a empresa organizou um jantar com apresentações musicais e de comediantes chilenos para os funcionários. Já na agência, apesar de todas as facilidades que o pessoal de recursos humanos proporciona para os funcionários participarem, se o chefe direto não libera, ninguém vai.

Obviamente que essas duas políticas repercutem nas relações pessoais. Na empresa onde todos se sentiam valorizados e importantes, o clima de camaradagem era evidente. Já na outra, o ambiente de trabalho era muito mais competitivo.

Estimular funcionários é um desafio em qualquer lugar do mundo, especialmente se os salários estão abaixo da média do mercado. Por isso, se você está procurando uma colocação no mercado de trabalho chileno, tenha em conta o ranking do Great Place to Work. É um bom termômetro para saber o que te espera!

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