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Minhas viagens ao Brasil durante a pandemia

Minhas viagens ao Brasil durante a pandemia

Viajo ao Brasil regularmente, e desde que cheguei no Chile sempre tento passar as datas importantes para mim, em terras brasileiras, e em 2020, na minha cabeça, não seria diferente, até chegar março de 2020 e o mundo que conhecíamos sair de cena  para surgir um mundo completamente estranho e assustador.

Faço aniversário em maio, e em janeiro de 2020 programei minhas férias e consequentemente uma viagem ao Brasil.

Porém nessa data estávamos todos dentro de casa, assustados com o desconhecido e vivendo um dia de cada vez, então chegou junho de 2020 e devido a uma emergência tive que viajar para o Brasil.

O cenário era o seguinte: fronteiras aéreas e terrestres fechadas, tanto no Chile como no Brasil, e os voos do Chile só estavam saindo com repatriados, e a incerteza era:  se saiu do Chile, não posso voltar?

Inúmeras pesquisas, perguntando a várias pessoas, e termino comprando uma passagem aérea. Havia somente um voo por semana, saia de Santiago a São Paulo as terças e o voo de regresso de São Paulo a Santiago era as segundas.

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Me arrumei para sair para o aeroporto, muito assustada, fui como se fosse uma cientista em um laboratório, cabelo preso, toca, luva, máscara e protetor facial. Nessa época a cidade estava em quarentena total, não era permitido sair sem uma autorização, e para solicitar a autorização, tinha que se encaixar nas justificativas que eram: saídas ao supermercado, consultas médicas, ajuda a terceira idade, passear com cachorros, velórios, e não tinha nenhuma autorização “aeroporto”, sem saber o que fazer, sai de casa sem autorização.

Fui para o aeroporto em metrô, desci na estação que tem um mini terminal rodoviário, onde existe um ônibus para o aeroporto, e na saída da estação, a policia estava controlando as pessoas, e quando cheguei sem autorização, recebi um alerta: “Você cruzou toda a cidade sem autorização? Você poderia ser multada”, obviamente dei a justificativa que não existia nenhuma autorização para ir ao “aeroporto”, e que eu não podia usar outra autorização.

Depois me mandaram para uma delegacia próxima a estação para solicitar uma autorização especial para ir viajar, e obviamente teria que ter uma boa justificativa para sair do pais (sair de férias, nem pensar).

Depois de toda essa saga, chego no aeroporto, cena triste de ver:  um aeroporto cheio de vida, e naquele dia, se contava o número de pessoas que estavam lá, e o medo estava estampado na cara de todos, inclusive dois passageiros que estavam no mesmo voo que eu, embarcaram com roupa de plástico, luvas, máscaras, protetor facial. Era uma cena triste mas ao mesmo tempo engraçada.

O voo lotado, 3 horas e meia tensa, sem respirar direito com medo de ser contaminada. Chegando em São Paulo, era literalmente outro mundo, as pessoas mais relaxadas, inclusive, pessoas sem máscaras.

Voltei para o Chile 1 mês depois. O embarque em Guarulhos foi tranquilo, mas como as fronteiras continuavam fechadas, eu só podia embarcar com documento chileno.

A chegada no Chile foi tranquila, o voo estava vazio, o aeroporto também, e ninguém revisou nada, apenas me informaram que deveria estar 14 dias em quarentena, e que iriam fazer o controle.

Fiquei 14 dias presa dentro de casa sem contato humano, e durante essas duas semanas, não recebi nenhuma ligação e nenhuma visita do pessoal da saúde.

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Os meses passaram, e chega dezembro de 2020, e lá vai eu de volta para o Brasil, o cenário já estava mais diferente, pois as pessoas já haviam perdido um pouco o medo do vírus, as fronteiras aéreas tanto do Chile como do Brasil já estavam abertas, e não estávamos mais de quarentena durante a semana, somente nos fins de semana, e como viajei um sábado, tive que pedir uma autorização para sair de casa.

Dessa vez fui com traslado, e ninguém nos parou para solicitar a autorização, embarquei mais tranquila, não usava luvas, só estava com a máscara e o protetor facial, no aeroporto já tinha mais pessoas, e não vi nenhuma pessoa com roupa de plástico embarcando.

Chegando no Brasil, que vivia outra realidade, mais relaxado do que nunca, era como nos tempos antigos.

Porém quando retornei em janeiro de 2021 para o Chile, já era obrigatório a embarcar somente com o PCR, ai começa uma nova saga, o exame deveria ser feito 72 horas antes do embarque, eu iria embarcar um domingo, ou seja, o exame deveria ser feito na sexta ou sábado, porém a maioria dos laboratórios trabalham de segunda a sexta, se eu fizesse o exame na sexta, iria ficar pronto só na quarta da outra semana, e o que fiz?  Fiz o exame na terça feira para ter o resultado na sexta e poder embarcar no domingo, ideia genial, certo? Não!!

Cheguei no check in, mostrei meu exame, e despachei a mala, quando chegou na porta de embarque eles perceberam que o exame já tinha mais de 72 horas…e não me deixaram embarcar, e como castigo, tive que fazer outro exame no próprio aeroporto, pois eles entregariam o resultado em 4 horas, dormir no aeroporto, para embarcar na segunda de manhã.

Depois dessa jornada de desespero, chego em terras chilenas, e para entrar era necessário somente a apresentação do PCR. Havia mais pessoas no aeroporto, e mais controle também, e me disseram que era para fazer 14 dias de quarentena. E dessa vez o controle foi um pouco mais rigoroso, durante esses 14 dias, 5 dias me ligaram para saber se eu estava bem e se apresentava algum sintoma do vírus.

A vida segue, os meses passam, e os novos casos só aumentam, e lá vai o governo fechar as fronteiras aéreas de novo! E mais um aniversário dentro de casa, e mais uma emergência de viajar ao Brasil, só que dessa vez em agosto de 2021.

Embora as fronteiras estivessem fechadas, havia mais frequência de voos, as pessoas já não estavam mais assustadas, pois a grande maioria já estava vacinada.

Vou para o aeroporto sem nenhum problema, a exigência para entrar no Brasil, era um PCR  com 72 horas de antecedência, porém embarquei uma sexta-feira, e não tive problemas em fazer o exame, e além do exame tive que preencher um formulário da Anvisa antes do embarque.

No Brasil, outro mundo paralelo, nenhuma barreira para entrar. Volto para o Chile, e a burocracia começa: PCR com 72 horas de antecedência, e adivinhem? Embarquei em um domingo, mas agora eu estava mais esperta…então já fiz o exame diretamente no aeroporto para não ter problema. Além do PCR, deveria preencher um formulário chileno que se chama C19.

E quando o voo chega no aeroporto de Santiago, começa o drama, gastei 1 hora e meia para poder sair do aeroporto, o controle mais rígido de todos os tempos, apresentando os documentos para diversas pessoas, e no final de todo o procedimento, fazer um PCR de saliva, depois de quase 2 horas para poder sair do aeroporto, a nova exigência: 10 dias de quarentena.

E durante esses 10 dias, 8 dias fui controlada, recebendo visitas diárias para saber se eu estava bem e se realmente estava fazendo a quarentena e tive que responder um reporte diário enviado para o meu e-mail.

Dia 01 de novembro de 2021 abre novamente as fronteiras para os turistas, esperamos que realmente todas as doses da vacina já tenham efeito e que as viagens fiquem pelo menos parecidas com os velhos tempos.

 

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