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Dicas para viajar sozinha Índia

Cheguei na Índia

Cheguei na Índia.

Chegar na Índia não foi apenas mais um destino do roteiro que programei para meu período sabático, sem dúvida foi a realização de um sonho. Difícil encontrar justificativas para tamanho desejo de conhecer um país, mas sabia que seria especial. Foi e está sendo. Difícil também encontrar palavras que possam descrever os momentos por aqui, mas sigo na tentativa de contar um pouco do que tenho visto.

Na Índia tem de tudo que possa ser inusitado, coisas legais e muitas outras nem tanto e, estar aqui no verão Indiano, onde os termômetros chegam a marcar 46 graus, tornou a experiência ainda mais marcante. As diferenças culturais são evidentes e impactantes, a história que vacas andam livres e soltas pelas ruas é verdade, elas estão por todas as partes (suas fezes também), são animais sagrados para os Hindus e muitas vezes alguém deixa algum alimento para elas, mas passam a maior parte do dia vasculhando lixo e comendo qualquer coisa que encontram pela frente.

Também é verdade que a maioria dos Indianos comem com a mão, que a comida deles é bem apimentada e que o chai é consumido o tempo inteiro. E, claro, que o trânsito é caótico e que as buzinas são usadas de outra forma, como um código só deles, tocadas insistentemente o tempo inteiro, sem estresse, quase como um hábito popular.

Bom, três meses atrás cheguei no aeroporto de Trivandrum, bem ao sul da Índia. Minha primeira parada foi em Kovalam beach, uma região linda do litoral, que recebe muitos turistas. Além de praias bonitas, têm diversos locais para massagens e terapia ayurvedica. Eu não experimentei nenhuma por lá, apenas estive embriagada em minhas emoções, desacreditando que eu estava dentro daquele país que antes parecia tão distante. O cenário que presenciei logo de cara era uma praia linda, um calor efervescente, muitas frutas, coco, homens indianos vestindo um pano enrolado na cintura como uma saia, mulheres indianas vestindo seus saris coloridos, salva vidas que não entram na água e apitam o tempo inteiro para banhistas locais não se aproximarem dos estrangeiros, por conta de um histórico chato e machista. O apito também era garantido todo dia após o pôr do sol, quando “fechavam” a praia, agora por um histórico de afogamento noturno. Eu simplesmente observava cada detalhe do comportamento deles.

Leia também: O trânsito e o transporte na Índia

Enquanto homens se banhavam de cuecas, elas mantinham-se totalmente vestidas. E eles tem o costume de andar de mãos dadas com outros homens, normalmente amigos mais próximos, andam sempre bem juntos e são explicitamente carinhosos um com o outro. E aquele mar maravilhoso era límpido e foi meu presente em uma semana de aclimatação na incrível Índia, onde a comida se mostrou bem apimentada, mas o nam e o chapati (tipos de pães) amenizavam os sabores de tantas especiarias.

Pegar um ônibus de linha para conhecer a cidade, foi a primeira sensação de estar em uma cena de filme, o trânsito era caótico, o ônibus muito antigo, a maior parte do trajeto não tinha asfalto e andar pelas ruas sem chamar atenção era tarefa impossível. Os olhares eram fulminantes e curiosos para os poucos gringos ali, mas ainda assim existia um afeto e um ar carismático. A segunda sensação de cena de filme se deu ao entrar no primeiro trem, que em 3 horas me levou até Amritapuri, onde eu havia programado ficar duas semanas no ashram da guru Amma. Ainda estava no litoral, mas a praia já não era própria para banho, o foco ali era outro e foi lá que eu tive a experiência mais especial da minha viagem, uma vivência em uma comunidade, com muitos rituais, celebrações, meditação e onde pude ver de perto trabalhos com propósito e participar um pouquinho de algum deles. É proibido tirar fotos no ashram e também é muito subjetiva e particular a experiência de cada um. Eu não só gostei bastante da minha, como voltei depois e fiquei mais uma semana hospedada lá.

Antes desse retorno conheci a cidade de Kumily, um ônibus normal de linha atravessou montanhas, dirigindo com pressa, passando ao lado de barrancos e depois de 5 horas nesse simulador de montanha russa, cheguei no hotel onde trabalhei em troca de hospedagem e pude conhecer um pouco mais dos costumes e da cultura desse povo caloroso e encantador. Entendi que arrotar alto era prática normal, que além de hindus, há vários outros grupos religiosos na Índia, inclusive cristãos e que a comida poderia ser ainda mais apimentada do que eu já havia provado até alí. Nessa cidade pude assistir apresentações de dança tradicional e presenciar a preparação de figurino e maquiagem, que foi de uma preciosidade incrível.

Preparação para dança kathakali em Kumily – acervo pessoal

Também conheci lindas fazendas de chás e descobri que tomar cerveja no país exigia uma certa descrição e não era vendida em qualquer lugar. Em alguns restaurantes que liberavam, as garrafas precisavam manter-se em baixo da mesa, em segredo.

Na volta para o ashram, duas semanas depois, o percurso do ônibus foi exatamente o mesmo, a não ser pelo elefante que estava cruzando a estrada com um homem montado nele e mais alguns na frente puxando sua enorme e sufocante coleira.

Depois segui via trem para Gokarna, cidade próxima da famosa região Goa, uma viagem longa, em um trem com oito camas por cabine, uma experiência diferente e interessantíssima, famílias inteiras viajam juntas e se comportam com naturalidade, como se estivessem em suas próprias casas, dividem a comida, dormem com as crianças entre suas pernas e mostram uma simplicidade acolhedora, apesar de todo lixo que é deixado pelo chão, inclusive, essa foi a decepção de Gokarna, a praia tinha bastante sujeira na areia e o calor de quase quarenta graus não era nada confortável, ainda assim foi onde tomei meu último banho de água salgada no mar arábico, porque agora o destino era o norte do país e então tudo mudou, surgiram novas paisagens e tudo aumentou, o número de pessoas, de cheiros, de animais nas ruas, poeira, falta de energia elétrica e calor.

Contarei em outro texto a continuação dessa experiência “indescritível” pela Índia.

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2 comentários

Luanda Julho 23, 2018 at 12:00 pm

Olá Simone, sou companheira aqui do BPM. Vivo na India há um ano, adorei o seu relato! Você conseguiu recuperar detalhes da experiência da praia na India que a gente acaba naturalizando, mas que são realmente curiosas. Adorei Kerala! Vou acompanhar suas próximas aventuras pelo país.
Beijão!

Resposta
Simone Dias Moreno Julho 23, 2018 at 12:15 pm

Luanda, muito obrigada pelo comentário. Fico contente em saber que gostou. 🙂
Um beijo!

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