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Turismo em Bali, na Indonésia

Turismo em Bali, na Indonésia.

Recomendações e boas dicas para visitar Bali, na Indonésia, não faltam. Destino paradisíaco descoberto por surfistas australianos na década de 70, e que só cresce desde então, hoje é um dos locais mais procurados para turismo. Em uma simples pesquisa na internet, é fácil encontrar diversas informações sobre os lindos terraços de arroz, sobre as ondas incríveis para surf, as massagens relaxantes por um bom preço, a variedade dos deliciosos restaurantes veganos e vegetarianos, sobre beber a famosa cerveja Bintang e saborear as ótimas e baratas comidas típicas (como o nasi e mie goreng).

Além das inúmeras opções de estilos e locais para prática de yoga, as encantadoras apresentações de danças típicas, a força da religião local, os templos hindus, suas belezas e tradições, a fácil adaptação para transitar de scooter por todos os lados e ser recebido com carinho, atenção e simpatia por um povo simples e cativante. Encontrar tudo isso pessoalmente é uma tarefa fácil, e rapidamente é possível se sentir totalmente envolvido por esses encantos e belezas.

Difícil mesmo é se deparar com tantas contradições que a todo momento durante esses dois meses vivendo aqui, me fizeram pensar muito sobre até que ponto o turismo é positivo e agrega a eles, os balineses. Pra mim há uma linha tênue entre a colaboração e a destruição. Claro que o turismo ajuda a movimentar a economia e traz oportunidades de trabalho, mas ao mesmo tempo ajudamos a mudar a essência do local, influenciando muito com nossos costumes. Prova disso é ver a ilha totalmente pronta para servir nossos desejos e nos proporcionar experiências personalizadas para suprir vontades e frustrações ocidentais.

Leia também: Bali, a ilha dos deuses

Inclusive, é comum encontrar dicas e programas de viagem vendendo um roteiro vegetariano em Bali, prometendo uma experiência mágica em um dos lugares mais vegan do planeta, o que não é mentira, mas realmente esses restaurantes não possuem absolutamente nada de Indonésio, a não ser as pessoas que estão trabalhando e nos servindo.

As tão requisitadas e maravilhosas aulas de yoga, em seus diversos e lindos estúdios espalhados por toda a ilha, são ministradas por professores gringos, em sua maioria. E seguindo os costumes nada asiáticos, a cada esquina deparamos com um “beach club” tocando música eletrônica e vendendo drinks com seus canudos coloridos.

Sem falar nas inúmeras lojas de “roupas de marca”. Eu fiquei bem surpresa em ver algumas unidades da Polo Ralph Loren e outras grandes marcas pelas ruas, contrastando entre os templos e as lojas de artesanatos locais.

Cerimônia nas ruas de Ubud/Bali – acervo pessoal

E a grande questão, pouco falada por aqui, mas muito evidente e preocupante, é que ainda estamos ajudando a poluir os mares em uma velocidade descontrolada. Cada praia que visitei encontrei uma quantidade de lixo totalmente desproporcional, praias bem poluídas clamando por socorro.

Em janeiro, por ser época de chuva, o cenário fica ainda mais gritante, com tanto plástico e diversos objetos trazidos pelas correntes e rios. Um problema grave, não apenas estético, obviamente. Há muita contaminação para a vida marinha e consequentemente para os humanos.

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Fazendo algumas pesquisas para escrever esse texto, também descobri que quase metade dos rios secaram e não existe abastecimento de água potável. Toda água consumida na ilha é proveniente de lençóis freáticos, que já não conseguem mais alimentar os rios. Além disso, Bali consome mais energia do que consegue produzir e precisa importar de usinas movidas a diesel, o que é mais caro e mais poluente.

Há quem prefira esse crescimento estrondoso da ilha e julgue muito positivo a grande infraestrutura, supermercados e shoppings com tudo que você precisa. Eu entendo, mas acho triste ter a sensação que ainda estamos colonizando Bali.

Pelo menos para amenizar a questão do lixo, que é grave, há algumas iniciativas e movimentos muito legais, que estão criando estações de tratamento de esgoto, retirada diária de lixos das praias e programas de conscientização ambiental. Também já é comum ver restaurantes utilizando canudos duráveis, como os de bamboo, e há um abaixo assinado para proibir a produção e a distribuição de sacolas plásticas na ilha.

Ainda assim, com tantas contradições, Bali é encantadora e possui uma magia única.
Seu povo gentil, sempre com um sorriso no rosto, é um convite para nos integrarmos um pouco a essa cultura, que é totalmente envolvida e movida pelo cultivo de arroz e pela religião. A maioria é Hindu e por toda a ilha oferendas e celebrações não faltam. De forma simples e muito habilidosa, são preparadas oferendas aos deuses várias vezes ao dia, todos os dias, nos inspirando resiliência e fé.

E claro, além dos famosos templos, existem os familiares, pois aqui as pessoas da mesma família geralmente moram juntas em vilas, em construções lindas, onde todas possuem o seu próprio templo. Mas também há os maiores e seculares, abertos à visitação, cada um com sua beleza e todos com muitos significados, simbologias e rituais, que fazem essa experiência ser ainda mais especial e deixará muita saudade.

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