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Clube Internacional de Mulheres da Eslovênia

Clube Internacional de Mulheres da Eslovênia.

Em vários países do mundo existem clubes de expatriados, aqui na Eslovênia também. Um ano após ter chegado fui apresentada a SILA –IWCL (Internacional Womens Club Liubliana).

Este clube existe aqui há 25 anos e há muitos iguais a ele pelo mundo. O grupo recebe mulheres do mundo todo e a partir do voluntariado se organiza para poder oferecer várias atividades para os membros.

Voluntariado

O voluntariado é muito importante uma vez que sem o mesmo o clube não funciona. Todos os membros pagam 50 euros por ano de anuidade e a maioria das atividades é grátis. Cada membro tenta oferecer uma atividade dentro de sua habilidade. Temos artistas que dão aulas de artes gratuitas, e há aulas de diversos idiomas como inglês, francês, espanhol e esloveno oferecidas por membros nativos destes idiomas.

É incrível ver o empenho de mulheres do mundo inteiro com experiências de vida e idades distintas unidas para oferecer parte de seu tempo e energia para o bem de outras.

O clube internacional de mulheres visa também arrecadar fundos para obras de caridade.

O clube conta com o trabalho voluntário de uma presidente, uma vice, secretária, tesoureira, coordenadora de atividades e uma gerente de mídia, responsável pela comunicação.

Todas essas pessoas se candidatam e participam de uma eleição. Sendo escolhidas trabalham em equipe por um ano para escolher e criar eventos que gerem renda para doações a instituições de caridade previamente escolhidas para receberem essas doações. A visita as obras sociais para as quais serão feitas as doações é realizada por uma pessoa responsável por esta atividade e pela presidente. O IWCL já arrecadou em 25 anos alguns milhões de euros para doações.

Leia também: Custo de vida em Liubliana

Quando se chega a um novo país e difícil fazer rapidamente novas amizades e saber das peculiaridades do lugar. Num grupo de mulheres internacionais fica bem mais fácil pois todas estão na mesma situação e existe uma empatia entre os membros do grupo o que possibilita uma troca enriquecedora para todas.

As atividades são muitas e diversificadas: esportivas, culturais, artísticas e de caridade e portanto possibilitam que sempre se ache algo que esteja conectado com uma pratica que nos seja interessante.

Existem atividades inclusive que envolvem mães e crianças.

Bacana também e ter um tempo e estar com outras mulheres, conversar sobre artes, ver um filme juntas, jogar tênis e outras atividades que nos reconectam conosco. Muitas vezes quando migramos, ficamos sem trabalho e passamos a ser mãe e dona de casa em tempo integral, o que pode ser ótimo mas também com o passar do tempo um vazio. Vazio de si, de ter deixado para trás carreiras, sonhos, planos de crescimento pessoal e uma parte de si. Estar com outras mulheres, nos energiza e nos faz relembrar que é sempre tempo de recomeçar e reconstruir.

Busque em sua cidade um IWC, frequente, envolva-se, conheça pessoas e retome aquela parte de você que ficou para trás.

Eu entrei na SILA- IWCL há 4 anos. Conheci muitas pessoas, me envolvi em projetos, fiz parte da supervisão e agora sou presidente do clube. É muito estimulante trabalhar com outras mulheres, fazer trabalho voluntário e partilhar nossas histórias. O clube me trouxe desafios, me fez crescer e me deu ânimo para acreditar em mim mesma, no »projeto eu comigo mesma«. No clube aprendo sobre a dor do próximo quando visito instituições de caridade, me emociono e aprendo sobre gratidão. Nas atividades esportivas me reconecto com meu corpo e ganho energia. Nas atividades culturais conheço pessoas bacanas, aprendo, e ideias novas surgem.

Em meio a tantos desafios que uma vida em um novo lugar nos traz, contar com pessoas que estejam na mesma situação nos fortalece. O senso de pertencimento é a grande busca do ser humano, quando migramos perdemos isto. Entramos num círculo novo e não pertencemos a ele. Muitas vezes não falamos o idioma, a cultura é totalmente diferente e somos apenas mais um desconhecido. Juntar-se a um grupo nos conecta com outras pessoas e nos reconecta a nós mesmas. Passamos a pertencer, a fazer parte e isso nos reanima. Aos poucos vamos recuperando a auto estima, a energia, a força para nos fazermos escutar neste novo lugar. Fazemos e criamos conexões e passamos a existir.

 

SILA-IWCL BAZAAR

Aqui um trecho de um poema que escrevi depois que recobrei forças. Este poema fez parte da Antologia Vida & Vita da A.C.I.M.A e ganhou o prêmio de melhor poema na categoria verso.

Para vocês, mulheres como eu:

Olho em volta e vejo que a estrada ainda me espera

Que essa parada foi só para lembrar-me de quem sou

E que sou feita de dores e conquistas

De nãos

Alguns sim

E muitos talvez

De muita espera

Em minha busca

Sou feita de esperança e cansaço

Sou criada e recriada

Inventada e reinventada

Em sol ardente e nuvens cinzas

Em camadas de neve que seguram meu passo

Em intermináveis dias chuvosos

Mas sigo

Hoje não construo, planto

E enfrento todas as estações

Meu lugar é o mundo

Meu tempo existe, resiste.

E eu também.

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